Almandrade

Antônio Luiz M. Andrade, artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano e poeta. Participou de várias mostras coletivas, entre elas: XII, XIII e XVI Bienal de São Paulo; "Em Busca da Essência" - mostra especial da XIX Bienal de São Paulo; IV Salão Nacional; Universo do Futebol (MAM/Rio); Feira Nacional (S.Paulo); II Salão Paulista, I Exposição Internacional de Escultura Efêmeras (Fortaleza); I Salão Baiano; II Salão Nacional; Menção honrosa no I Salão Estudantil em 1972. Integrou coletivas de poemas visuais, multimeios e projetos de instalações no Brasil e exterior. Um dos criadores do Grupo de Estudos de Linguagem da Bahia que editou a revista "Semiótica" em 1974. Realizou cerca de vinte exposições individuais em Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo entre 1975 e 1997; escreveu em vários jornais e revistas especializados sobre arte, arquitetura e urbanismo. Prêmios nos concursos de projetos para obras de artes plásticas do Museu de Arte Moderna da Bahia, 1981/82. Prêmio Fundarte no XXXIX Salão de Artes Plásticas de Pernambuco em 1986. Editou os livretos de poesias e/ou trabalhos visuais: "O Sacrifício do Sentido", "Obscuridades do Riso", "Poemas", "Suor Noturno" e Arquitetura de Algodão". Prêmio Copene de cultura e arte, 1997.

E-mail: almandrade_x@ig.com.br


Poesia Visual

Enviado em 06 de janeiro de 2001.

Enviado em 06 de janeiro de 2001.


A mulher

Uma geografia
sempre a ser descoberta
obscura e secreta
como a solidão.
...
Em silêncio
a intimidade feminina
acende o mistério
que faz lembrar
o aroma dos devaneios
que transporta
o fim da tarde.

Enviado em 13 de fevereiro de 2002.


Retrato desbotado

Nenhuma designação
o medo é maior que o ciúme
nenhum cantador
a vida quando vazia
é um acúmulo de rugas.

À beira do sono
uma pedra sonha
o futuro do homem
grandes sertões
líquido salgado
néctar das frutas
...
as coisas retidas na memória
acariciam a eternidade.

Enviado em 13 de fevereiro de 2002.


Longe do carnaval


Musa e samba
uma cidade
carnaval
mirar o amor
e descobrir
uma terra
sem samba.

Enviado em 06 de fevereiro de 2002.


O modelo

Uma discreta marca de sol
repousa na pele clara
da mulher sem roupa
parada no atelier
do pintor que trabalha
fareja a beleza
desenha o que a luz
faz ver e sonhar.
Rebelde modelo
possuída pelo calor do sexo
foge e deixa a tela vazia
habitada por fantasmas.

Enviado em 06 de janeiro de 2002.


Uma foto do Natal

No ar
a coreografia
de uma flauta
antigas velas
ainda acesas
velhas ceias
em preto e branco
esperando
a madrugada
e a festa
...
O natal se arrasta
Lentamente.

Enviado em 16 de dezembro de 2001.


Natal

Uma voz nua
canta o sentimento
conversa de natal
a solidão
nos contempla
somos habitados
pela música
da noite.

Enviado em 16 de dezembro de 2001.


Noite de Natal

Atrás da canção
uma grande lua
a estrela da festa
sinos da madrugada
que ninguém mais
escuta
despertam
lembranças distantes.

Enviado em 16 de dezembro de 2001.


Amanhã é tarde

Horas intermináveis
e sem alternativas
espera difícil.

O futuro,
com a cortesia de sempre:
algumas manhãs
e poucas noites.

Dormir,
pode ser uma covardia
diante das circunstâncias
e suas incertezas.

Enviado em 05 de novembro de 2001


O verbo

A promessa
é uma vaidade,
não uma verdade.

...

Tudo que acontece.

...

O homem
não escapa
o nome é maior
que a coisa

a fala é o mundo.

Enviado em 05 de novembro de 2001


Assédio

Nobre
é o sobrenome
mulher da lei
que brilha
no borbulhar do erótico.

Porém, perdida
no incesto
do amor passado
que retorna ao pecado
e embriaga.

Enviado em 24 de setembro de 2001


Um lance

Ainda
o mar de Homero
habita
o céu da história.

Um lance
de dados e textos,
jogo da literatura.

Pensar é
abrir portas,
migrar para o desconhecido.

Impossível se achar
um limite.

Enviado em 24 de setembro de 2001


Surrealismo

O que sobrou
do lixo
rio raso
terra vazia
país de metal
e máquina
a ciência
não tem resposta
a medicina
prolonga
o sofrimento
uma realidade
tela de Magritte.

Enviado em 24 de setembro de 2001


Cicatriz Urbana

O centro aceita
a multidão
e o vocabulário
das estações.

A arquitetura
é a escrita da cidade
assim como
o ciúme
é o vício do apaixonado.

A linguagem
faz a diferença
das coisas e das ruas.

Enviado em 24 de setembro de 2001


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