
E-mail: chanderyan@yahoo.com.br
Vós que trazeis a felicidade
Que semeias o mundo
Que aquece nossos corações
É por vós que nascemos
Em razão de vós que vivemos
À vossa procura
Ao fim da vida, só a ti levamos
Mas me responda uma simples questão
Que grande mal eu lhe fiz?
Por que me negas vossa abundância?
Por qual tenho pecado tenho pago toda minha vida?
Se os injustos, os maus, os infiéis
A todos eles, os presenteias
Mas a mim
Seu servo seguidor
Nunca me destes o que tanto queria
Por que me mandas a dor?
Fui eu escolhido para sofrer?
Lhe faz bem isso?
Aprecias minhas lágrimas
Derramadas pela vossa falta?
É necessário que eu sofra
Para que alguém possa ser feliz?
Vós que andas em falta conosco
Quem sempre faltou a mim
Vire para mim sua face terna
E me envie
Alguém que possa amar.
Enviada em 27 de setembro de 2000.
Olha, olha! Lá vem ela
É a chuva, lembra dela?
Caindo forte como aquele dia
Lembra dele?
A noite fria, o medo intenso
Nossos corpos ali eretos, nossos cabelos ali
Emanando água
Nossos olhos fixos e tensos
Esperando algo que os dois sabíamos
Mas temíamos
Lembra?
Você pegou em meu braço e com uma lágrima
Que o molhava mais que a chuva
Um mixto de alívio e piedade
Sua boca não se abria, não era preciso
Sua mão, pesada, estrangulava meu braço
E todas as palavras de sua fúria
Agora me pertenciam
Lembra?
Sem mais nada, você foi
Sem um adeus, um até mais
Nunca mais o veria
Ali você me deixara, encharcado pelas lágrimas
A chuva já secara
Anos de amor encerrados pelo nada
Cada vez que chove, eu volto lá
Lá estou agora, mas não choro mais
As lágrimas já secaram e a chuva
Lembra?
Enviada em 27 de setembro de 2000.
A noite quente entrava pela minha janela
O frio de meu corpo se chocava e provocava
Uma chuva, que só a mim molhava
E minha cama, encharcada pelo suor
Inundada pela chuva, aquela que eu mesmo fizera
A palidez de meu rosto, idêntico
Ao branco das paredes
Se misturavam, e faziam surgir o nada
Tudo se transformou em nada
Exceto por
Meu sangue
Vermelho, que teimava em ir e vir
Percorrendo meu corpo frágil
E ali, eu, perdido naquele quarto
Suposto meu, em meio a tudo que um dia existiu
Mentalizava, tentando inutilmente
Dar cores aos meus pensamentos
Uma hora, queira Deus, eu consiga
Achar a razão por tanto terem me dito
Você é especial e inesquecível
E por terem se virado contra mim
Era uma conspiração do universo
Um plano secreto, me deixar ali
Perdido em tudo que um dia foi meu
Encharcado pela chuva psicodélica
Que eu mesmo criara, junto com a noite
Minha única companheira e que também
Não entendia
Porque meu sangue ainda ia e vinha.
Enviada em 07 de agosto de 2000.