Daniel Ramos

E-mail: nataraja@zipmail.com.br
Cidade: Uberaba - MG


O cosmocêntrico

Onde o crepúsculo inflama sentado estou,
Temeroso abro a porta que a mim dá acesso,
Fito a amplidão negra,
Não encontra-se lâmpadas,
O medo não avista interruptores, covardemente ignora-os

Ao fechar os olhos e tapar os sentidos,
Óh vasto mundo interno avistado,
Infinito como o espaço
Porta-jóias de luz, vácuo e plenitude; graça !
Reverências às ressonâncias que aqui se ecoam,
Em virtude da arte, da emoção, da explosão vital e desfalecimento

Ver, ver, sentir...
Palpitar nos finos cantos do universo,
Experimentar a brisa de tufões jupterianos,
Dormir sobre o manto de estrelas,
Dissolver,
Pulsar o ritmo do coração cósmico,
Copular como buracos negros que se encontram,
Produzindo estrelas,
Chorar rios, e amar,
Como os átomos amam-se,
Produzindo a matéria

E ser mais do que nunca, o tudo e o nada,
A intrigante força que tudo une,
Pulsar nas mais agudas vibrações áuricas,
Sair de mim; penetrar em mim,
Derreter meu corpo e dar meu sangue as plantas,
E existir como seiva para mais adiante ser pele, cérebro, cometa !
Sendo mais do que nunca o que sou: infinito.

Enviado em 25 de agosto de 1999.


Mente louca...
Fantasias voam como pássaros rumo ao horizonte,
Angústia fosforescente em campos sombrios,
Dores de em céu em dois dividido, que excreta de suas entranhas fantasmas apavorantes,  

Pequeno eu frente o mundo,
Pequeno eu frente à mim,  

Torpor, febre
Meu corpo desmancha-se como um líquido viscoso,
E incorpora-se a objetos mortos e amorfos
Caem rosas fúnebres do céu,
Como caem em minha alma, danosos pensamentos,
Dança em meu corpo evidências ocultas,
No momento em que pincéis se revoltam sob telas  

Alívio, pequeno eu estrela cadente... Parte ínfima microcosmal,
Ser insignificante dono de um mundo,
Que carrega em si um vasto universo desconhecido, hesitação última,
Somos todos diamantes,
Bailando numa dinâmica desconhecida e anti-gravitacional...  

Enviado em 06 de junho de 1999.


Não faças luzes da sutileza das brumas coloridas e radiantes,
Hoje é o dia sem nome, sem mês, sem ano,
A mágica real está no ar que aspiras e nos olhos fortes do sol,
O dia sem nome veio antes do surgir,
E o tempo serviu a todos que anseiam o invisível,
No dia impossível saíram os homens de grutas luminosas e cantantes,
A terra enamorou a água, e lágrimas fizeram os rios sagrados,
E não houve coração que não palpitou o infinito pulsante de alegria,
O homens choraram, riram e foram eles mesmos,
Foram atirados ao fogo aquilo que quiseram queimar,
Ódio, mágoas, tristeza fantasma,
Foi quando tudo voltou, desenrolou o milagre da vida,
E o mistério fez luz e calor no ninho onde tudo estava presente,
O que sempre buscamos estava presente em formas vazias e belas,
Nesse dia o amor vibrou o homem,
O pensamento se calou,
Todo proibido foi certo e todo certo proibido,
O homem gozou da liberdade,
Quietos, viram o tempo parar,
Viram a inconstância e a louvaram,
Viram o terror e a maravilha bailar num deserto árido e cheios de pedras,
Viram a morte e o desespero,
Viram e ecoaram felicidade,
Não buscavam mais entender, entenderam e o "porque ?" sumiu,
Das almas nos homens puros,
Enfim,
No dia sem nome,
Os homens, despiram seus nomes,
E voltaram a ser eles mesmos.....

Enviado em 06 de junho de 1999.


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