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Cidade: Juiz de Fora - MG
Traço finitas rotas marcadas
Com uma caneta comprada por 99 centavos
Uma flor amarela com formigas cansadas
As mesmas, por minha caneta, feridas pelos cravos
Numa conversa com o ar
Descubro segredos relacionados à minha existência
Algumas coisas ainda estão a me perturbar:
As lembranças inertes de algumas delinqüências
As cores que representam os estados espirituais
As frases que revelam um secreto desejo
A cor dos ares que nada representam mais
E a dúvida em tudo aquilo que não vejo
A minha vida e tudo que quero
Minhas virtudes e meus crimes
As coisas que, com paciência, espero
E a esperança de momentos mais que sublimes
Enviado em 23 de fevereiro de 2002
e quando a chuva cair, trazendo o frio
e quando algum filme falar de você
estarei sozinho como um beijo antes de partir
faz alguns anos que me perdi da vida
e ainda tento juntar o que não sobrou
como uma seqüência de números perdidos
e meus anjos deixaram de existir
quando tudo que eu tinha se quebrou
como ouro na mão de uma criança
não digo a verdade apenas o que me conforta
perdoe-me pela sinceridade
mas os dias são tão estranhos
e quando seu espelho se quebrar
lembre-se que a vida não é tão curta
desejo-lhe boa sorte
apenas não quero ver o sol se levantar
e se houver algum deus no final
que ele não seja um simples imortal
Enviado em 23 de fevereiro de 2002
Eu queria poder conversar com alguém
Poder desabafar tudo que tenho
Mas minha amiga tem razão
Eu não quero mais incomodar
Então perco minha liberdade de expressão
Me tranco novamente no silêncio
Digo estar tudo bem
Quando, na verdade, eu quero morrer
Quero dar paz a alguém
Não mais discutir como hoje
Não deixar que estranhos interfiram
Como se a religião fosse toda a verdade
Não sei mais em quem acreditar
É essa a minha confissão
No atual momento é o que digo
Hoje à noite pode ser que melhore
Não sei a quem recorrer
Quem não se sentiria incomodado?
Atitudes de ateu e fé de cristão
É engraçado, mas agora estou melhor
Na verdade, talvez seja trágico
Mas estou mais calmo
E, como um egoísta não se importa
Acho que pra mim é o que importa
Atitudes egoístas e sentimentos samaritanos
A contradição tem nome...
Enviado em 15 de novembro de 2000.
Vejo uma caixa vazia
Mofada e marcada
Com um selo de mercadoria frágil
Ao tempo, embaixo de uma escada
Naquele beco imundo
Escuro, sem saída, sem dono
Queria levá-la para vender
Há muito não como
Meus filhos, agora, dormem
O dia foi puxado
Algumas moedas os alimentam
Trabalham por um trocado
Um velho fétido perfumado se aproxima
Me encara, afastando-me de seu lar
Desculpe-me amigo,
Tenho cinco filhos para alimentar
Mais uma vez, matei para sobreviver
Enviado em 15 de novembro de 2000.
Uma página em branco num caderno de desenhos
Uma meia furada que aquece por entre os dedos
O motivo de tanto espanto é o motivo de tanto empenho
Uma voz calada que ensina os segredos
O agora já passou, uma história levou tudo ausente
Um passado em evidência, um detonador acionado pelo pensamento
A nota que se errou quebrou a melodia sorridente
Que escondia a deficiência cadenciada pela falta de conhecimento
Não há lágrima num ser ressecado pelo excesso de lástima
Não se grita por ajuda sem saliva para umedecer a garganta
Por isso não cuspa no prato em que comer
E, se por acaso, a Vida estiver próxima
Ela estará muda, mas não surda, então cuidado com a canção que se canta
Disseram que a morte estava viva,
Mas não a consigo tocar
Enviada em 06 de setembro de 2000.
Não me pergunte por que eu desisti de tentar!
Está tudo escuro, não consigo mais enxergar.
Tem sido tão difícil atravessar este muro.
Eu estou cavando esta saída há tanto tempo, que eu me perdi.
O buraco que eu cavo está fechado em ambos os lados;
Agora, começo a ficar sufocado, sem ar.
Não sei! Eu me deparo com vermes que me tormentam.
Eu estou cheio de cortes que não cicatrizam;
Alguns deles, foram tão fundos que, acertaram meu coração.
Estas feridas estão inflamando e a dor é insuportável.
Às vezes eu passo pelos mesmos lugares que já estive,
Apesar de não poder enxergar eu sei;
E mesmo assim eu não acho a saída.
Quantas dúvidas: pra onde ir, eu devo seguir estes vermes?
Estes ferimentos são tudo que eu lembro desta vida;
Tudo de bom eu esqueci e, quando me lembro de algo,
Este também se tornou dor.
Meu DEUS, como dói esta solidão.
Parece que cavo deixando rastros de esperança e maldade.
Amor? Não o quero mais sentir;
Na minha vida ele só trouxe tristeza
E, agora, eu tenho tanta saudade!
E, ao mesmo tempo que eu não quero este amor, eu o quero tanto.
A vida só me teve graça quando eu não tinha juízo;
Agora, ao mesmo tempo, eu agradeço por ter,
Mas queria tanto achar esta vida graciosa novamente!
Mas se finalmente eu encontrar a saída e não o inferno,
Eu sei que conhecerei a minha tão esperada felicidade.
E, então, poderei voltar a amar, a sorrir, a brincar;
E quem sabe a Fé invada meu coração?!
Enviada em 11 de julho de 2000.
Se eu chorar, por favor, não riam
Tragam um lenço e contem-me uma piada
Não falem de felicidade perto de mim
Mas não me poupem de uma boa risada
Façam com que meus olhos não caiam
E se meu sorriso se desfizer mesmo assim,
Então deixem-me sozinho nesta sala
E percebam a minha alma cansada
Não me peçam respostas porque não as tenho
Estou devendo à DEUS e ao mundo
E pagarei com o resto da minha vida
Não gritem porque não sou surdo
Gritos me entristecem
Quem eu amo eu não desdenho
Por isso pareço não amar ninguém
Eu repito isso em vão à cada dia
Se eu chorar não me tragam um lenço de papel
Porque o papel rasga facilmente
E eu precisarei do lenço mais de uma vez
Para enxugar as lágrimas que caem inutilmente
Acho que estou cada dia mais longe dos CÉUS
E pareço estar decidido
Mas se meu sorriso se desfizer novamente,
Por favor, esqueçam-me no meu suicídio!
Enviado em 21 de maio de 2000.
Num luminoso apagado
Está escrito aquele nome,
Que está aqui catalogado
Onde, à noite, ele não some.
Numa faixa está pintado
Meu nome à cor do tecido,
Que será lido por ela
Ao manchar-se de vermelho.
Num lugar mal-assombrado
Está dormindo o cupido.
Em sua mão uma aquarela
Que já sujou um velho espelho.
Num luminoso apagado
Está escrito aquele nome.
Num lugar mal-assombrado
Morre o amor que me consome.
Enviado em 23 de abril de 2000.
Eu não sou diferente,
Só não quero cometer os mesmos erros que eu vejo.
Não é mania ou desejo,
É só o medo das conseqüências.
Se algum dia eu voltar desse buraco que eu me enterrei,
Eu espero não ter que me esconder de novo.
Que tudo seja mais fácil
E, então, aqui estarei.
Não sei por que eu só escolho os caminhos difíceis,
Quando tudo é simplicidade.
Nada parece com o que dizem ser.
A felicidade não está em mim,
Ainda somos palavras avessas.
Cenas deprimentes clareiam minha cabeça.
Eu não me adapto ao que os outros fazem por prazer, por vício, ou só pra aparecer.
As orações de hoje em dia não têm Fé nenhuma,
Tudo parece uma mera obrigação.
Há quem creia na Salvação?
Nada parece com o que dizem ser.
E se algum dia eu voltar
E a gente se reencontrar,
Será que você vai gostar de mim?
Enviado em 18 de março de 2000.