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O tempo passa e a vida leva junto
Quem não aprende a amar em tempo vira
ainda em vida apenas um defunto
Há gente que não sabe aproveitar
o tempo da existência e me admira
ver a vida de muitos se escoar
sem que a pessoa aprenda a dar sentido
à graça de viver. Quem nunca amou
e nem provou o amor de alguém duvido
que o tempo de sua vida aproveitou
Viver muito é durar, é envelhecer
Viver bem é buscar maturidade
Viver bem é saber sempre crescer
no amor pondo o fermento da verdade
Enviado em 02 de dezembro de 2000.
Caminhos são veredas, ligações entre dois pontos.
Dois pontos distantes um do outro serão sempre dois estranhos um para o outro, enquanto inexistir um caminho que os ligue.
Existem caminhos a serem construídos: caminhos de comunicação, caminhos de diálogo, caminhos de libertação.
A palavra, o tom da voz e os gestos poderão vir a ser os materiais com que se construam uns e outros desses caminhos.
A comunicação existe sempre. Se a palavra, o tom de voz e os gestos comunicam, também o mutismo e o silêncio comunicam.
A conversação é mais que a simples comunicação mas ainda não é diálogo. No diálogo a libertação está sempre presente. Uma conversação pode descambar para a fofoca. A fofoca não é libertadora, pois faz suas vítimas prisioneiras de um mau conceito e os fofoqueiros prisioneiros de um mau comportamento. Isto apesar de a fofoca ser agradável de fazer. O diálogo se constitui em experiência de comunicação rara de acontecer.
Com freqüência se confunde conversar com dialogar. A comunicação e a conversação têm uma ocorrência mais ampla que o diálogo. O diálogo se constitui num caminho a ser percorrido entre pessoas ou consigo mesmo. Alguém afirmou que a distância mais longo é a que vai da mente ao coração. Isto seria o diálogo consigo próprio. É difícil. José Saramago, em uma entrevista se lamentava por algo assim: "o homem descobriu o caminho para descer no planeta Marte, mas não descobriu o caminho para aterrizar no coração dos outros homens.
Enviado em 13 de novembro de 2000.
Caminhos são caminhos sãos. Caminhos?
Estradas ambidestras a levar
um coração ao outro por doar
o amor que não nos deixa estar sozinhos
na vida, estrada nossa a palmilhar.
A caminhar ensinam passarinhos
ao despertarem: cedo e inda nos ninhos
espreguiçam-se e põe-se a cantar
Sem questionar nem ter como saber
como há de ser aquele novo dia
partilham maviosa melodia
Depois voam buscando o que comer
Cantar e partilhar sua alegria
lhes dá, de caminhar, a garantia
Enviado em 13 de novembro de 2000.
Vou armar uma árvore, escondida
no coração, recôndito de mim.
Será planta odorífera: alecrim,
por faces de pessoas preenchida
Tais faces vou colhê-las no jardim
dos amigos de sempre cuja vida
fazem a minha vida colorida
e perfumada: há rosas e jasmins
Amigos do passado eu ponho ao centro
amigos do presente mais à mão
para incluir a todos na oração:
"Senhor, - que trago aqui também por dentro -,
meu coração, com carga especial
transplanta para o teu neste Natal."
Enviado em 19 de dezembro de 1999
O melhor que podemos fazer pelos Direitos Humanos é formar os humanos direito.
A poesia é uma porta para sensibilidade e, ao mesmo tempo, para o aprimoramento do ser
humano.
Na realidade o que parece faltar é sensibilidade mesmo.
Conheci certa feita um sujeitinho que chamava todo mundo de Neném e que era especialista
em se gabar de ter fazendas não sei onde para cativar sorridentes jovens garçonetes
atendendo bares, e outras, inclusive nos sertões mato-grossenses, onde deve ter fecundado
mestiças...
Neste episódios tipo Febem e outros fico pensando se o... "Neném" teria algum filho entre os envolvidos. Fiz um poema para o... "Neném..."
Amigo, que feroz selvageria
a gente tem - enquanto no vai-vem -
de suportar "Não é, você neném?"
Mas deixa estar. Vai melhorar um dia
E, quanto a mim, sem ranço de ironia
não tenho nenhum filho na FEBEM
mas, e você, "Neném"?, você não tem?
Talvez tenha algum filho da folia...
de um dia quando esteve no forró
ou noutra diversão, que é quase igual,
só mais sofisticada: o carnaval
na qual rolou maconha e talvez pó
e... você lembra aquela moreninha...?
Você a engravidou e ela sozinha...
No ventre carregava uma esperança
de um filho que viria lhe trazer
mais segurança e gosto de viver
Tranquilamente a gravidez avança
Um dia chega a hora de nascer
o dom tão esperado: uma criança
premia o parto. A mãe sonha e descansa
Descansa e sonha à espera de crescer
sua criança. Agora é pequenina
porém cresce depressa e de repente
será um rapagão inteligente
Passou o tempo e a mãe - que triste sina! -
viu seu filho crescer, mas viu também
ser morto no conflito da FEBÉM
Enviados em 27 de outubro de 1999.
Flor, Bela Flor, espanca-me a saudade
que por ti sinto sem te conhecer
Sentir saudade é prova de amizade
por quem não desejamos esquecer
Por quê partiste cedo? Para ver
de perto o Autor do belo e da bondade?
Ou por sentir no mundo haver maldade?
"Não saber que se vive" isto "é viver",
disseste mas tão nova nos deixaste:
o mundo condensaste num só grito
por teres fome e sede de Infinito
E penso, lendo os versos que outorgaste:
- se no batismo o pai tiveste incógnito -
nos deixaste um tesouro belo e insólito.
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Florbela Espanca escreveu: "Poucos dias antes de morrer
interroga-se "que importa o que está para além?" Responde, repetindo o que diz
no soneto A um moribundo: seja o que for será melhor que o mundo e que a vida."
Enviado em 08 de agosto de 1999.