Edinho Resende

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Cidade: Mineiros - GO


Anastácia

Anastácia: que faz os bolos que não come,
Que trabalha numa casa que não é sua,
Que não tem sobrenome,
Que foi criada na rua.

Anastácia: que faz bico como costureira,
Que tem que dar a mamadeira,
Que não tem tempo pra brincadeira,
Que tem que fazer a janta às seis e meia.

Anastácia: que tem sete “bocas” pra sustentar,
Que tem um mísero barraco pra cuidar,
Que tem apenas um mísero mínimo salário pra ganhar,
Que não tem ninguém pra lhe ajudar.

Anastácia: que não sabe ler,
Que tem vontade aprender
E quase sem oportunidades nessa vida dura
Melhor, parece, se estivesse na época da escravatura.

Anastácia: que quase nunca sorri,
Que quase sempre chora,
Que não tem hora pra dormir,
Que tem um peito onde há muito tempo a dor mora.

Anastácia: que tem que acordar muito cedo,
Sair da sua casa no beco
E andar quilômetros pra chegar ao seu emprego.

Enfim...
Anastácia: que hoje ficou ainda mais triste, pois ouviu
seu patrão dizer: “Anastácia não é nome de gente, é nome de preto!”

Enviado em 11 de janeiro de 2002.


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