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Por um momento ergue-se
esplendida simbólica aurora
e o amor enche o universo.
É tempo de renovar esperanças,
de rever amigos, de fazer planos.
É tempo propício a mudanças,
tempo de ser criança.
É tempo de pensar na vida
e do que dela temos feito.
É tempo de prometer
corrigir nossos defeitos
e, mesmo não tendo jeito,
de almejar a perfeição.
É quando os avaros doam
e os gulosos repartem o pão.
É quando os fortes perdoam
e os orgulhosos pedem perdão.
É quando o comércio vende
em um mês por todo o ano
e que o lojista, sorridente,
teme levar um cano
do pobre a quem empurrou
juros de fazer corar cigano.
É quando os filhos demonstram
que ainda têm ternura
e renovam suas juras
de não perder outro ano.
É tempo de homens secos
levando flores pra casa
e declarando amor eterno
à mulher, tão maltratada,
que durante o ano inteiro
tratou como empregada.
É quando comemoramos, fartos,
aquele singelo parto
entre bichos na manjedoura.
Mas se aquela criança,
que agora festejamos,
com cinismo e hipocrisia,
voltasse de novo à terra,
para remir nossos pecados,
teria destino mais triste
que o de ser crucificado.
Enviado em 24 de dezembro de 1999.