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Cidade: Belo Horizonte - MG
Cai um pouco a agonia serena,
Que sedenta bebia meu corpo
Suave, torto, envolto em lamúrias
Vivo a luxúria de viver bem sem luxo.
Saudade de um tempo aberto em prazeres
De criança vil, anil cor de céu
Não tinha muito, uns trapos, o vento
Guardados no bolso e solto no universo.
Se cobrí-me de cinza por achar que viver
Era despir a camisa que gosto e me encontro
Sentí tanto frio, arrepios, agonia
Ao ver sonhos d'outros montados em meu pranto.
Vitral, porcelana, senhores, doutores
Se bebo desta água me desidrato por inteiro!
Por que banhar-se nas águas da apatia
Se em mundo tão livre, ficamos prisioneiros?
Corro para abrir uma janela, aquarela
Tão bela que afaga-me em cores
Entrego meus beijos, desejos, licores
À vida tão linda, à flor amarela.
Enviado em 08 de novembro de 2000.
Mar que não se entrega às pedras;
chuva que não se entrega ao chão;
sol que não se entrega às folhas;
coragem que não se entrega às mãos.
Beijo que não se entrega aos outros lábios;
massa que não se entrega ao pão;
palavras que não se entregam aos sábios
sentimentos do coração.
Sonho que não se entrega à vontade de ser feito;
jeito que não se entrega ao ser de cada um;
alma que não irradia as alegrias brotadas no peito;
vento que não carrega suspiros de uma paixão.
Trilhos que nos levam á liberdade.
Desejos que não morrem por conspiração.
Crio o que vejo estar pela metade,
para viver o sabor inteiro de uma razão,
que não está nos braços do medo,
que não guarda nos lábios, segredo,
que não teme dos outros, degredo
e que guarda em sí o imenso cristal
de ser o que manda corpo, mente e coração.
Enviado em 21 de abril de 2000.
Desculpe cada um que me quer seu,
mas, meu, ei de ser eternamente,
pois os caminhos já nos são tão tortuosos,
não quero ainda os compromisso com desejos teus.
Se um dia houver um olhar de alegria
de ti sobre o que eu seja, faça ou fale,
que bom que gostastes de ver-me como sou
e alegra-te por poder ver-me assim todos os dias,
todo eu.
Desculpe cada um que me quer seu,
mas, meu, ei de ser eternamente,
pois corpo que não se casa com a própria mente,
sustenta a sina de embriagar-se em goles mórbidos
a cada encontro com a face tua que não mais lhe pertence,
fazendo soar em tristes notas a melodia
que já fora, um dia, tão livre e linda
e, o mais importante,
era tua a maestria,
era tua a maestria.
Enviado em 10 de janeiro de 2000.