Helena de Sousa Freitas

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Helena de Sousa Freitas nasceu em Lisboa, Portugal, a 5 de Janeiro de 1976. Recém-licenciada em Comunicação Social, trabalha como jornalista desde os 20 anos e publica contos e poemas em suplementos literários de jornais e revistas portugueses desde os 18. Neste momento tem 'escritos' publicados no meio digital ou em papel em Portugal, Brasil e Estados Unidos.

Sites dedicados (não são páginas pessoais):
                  www.helenafreitas.ezdir.net
                  www.helenaSfreitas.ezdir.net

Cidade: Setúbal - Portugal

Madrinha e Cadeira 13 da Academia Camocinense de Letras, formada a 31/05/2001 no Estado do Ceará, Brasil.

Publicações em Livros e CD-ROM:

galeriahelenadesousafreitaspoiesis.jpg (9434 bytes) Poiesis- Antologia de poesia e prosa poética contemporânea, editada em Março de 1999 pelo Departamento de Novos Autores da Editorial Minerva na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa.
(De)Corrente - Poesia a 11 - Antologia de poesia contemporânea, editada em Junho de 1999 pelo Departamento de Novos Autores da Editorial Minerva no Auditório da APEL - Associação Portuguesa de Editores e Livreiros na Feira do Livro de Lisboa. galeriahelenadesousafreitasdecorrente.jpg (5846 bytes)
galeriahelenadesousafreitasnetartfax.jpg (8419 bytes) Net Art Fax Internacional – Colectânea internacional de poesia e trabalhos de imagem seleccionados, editada pela Comissão Executiva das Comemorações Oficiais do 25º Aniversário do 25 de Abril de 1974 / Editora Ulmeiro no ano 2000.
Edição, como prefácio do livro Poiesis II - antologia de poesia e prosa poética contemporânea, editada em Outubro de 1999 - de uma entrevista sobre a situação do livro e da leitura em Portugal, realizada a Ângelo Rodrigues, docente, escritor e director do Departamento de Novos Autores da Editorial Minerva. A entrevista está ainda disponível em www.terranatal.com/notic/entrev/e_miner_6.htm, www.viatecla.pt/minerva/entrevista.htm e www.geocities.com/simetriaeventos/eventos212.txt. galeriahelenadesousafreitaspoesisii.jpg (6065 bytes)
Colaboração para o livro A Construção do Corpo - Exemplos de Escrita Criativa [Primeiro Guia da Escola do Espectador], lançado em Outubro de 1999 pela Porto Editora e apresentado na Alemanha.
Águasfurtadas - Revista Literária nº 2, editada em Dezembro de 1999 pelo núcleo de Jornalismo Universitário do Porto. galeriahelenadesousafreitasaguasfurtadas.jpg (9896 bytes)
galeriahelenadesousafreitasoliterario.jpg (3050 bytes) O Literário - dois volumes, compilação do jornal homónimo editada em Dezembro de 1999 e em Março de 2001 em Camocim, no Estado do Ceará, Brasil.
A Sensualidade da Língua - Antologia dos poetas participantes no festival homónimo realizado a 2 de Dezembro em Jundiaí, no Estado brasileiro de São Paulo.
I Concurso de Poesias da Poemas Azuis - Edição em CD-ROM com os 15 poetas seleccionados por Affonso Romano de Sant'Anna no concurso homónimo realizado em Dezembro de 2000 no Rio de Janeiro.
Cantinho do Poeta 2000 - Edição em CD-ROM com 20 dos poetas seleccionados no I Concurso Internacional de Poesia do Cantinho do Poeta II, realizado em Dezembro de 2000 em Londres.

 

Edição na imprensa e similares:

Edição em formato digital:

Publicação do poema ‘Adeus, Capitão’, dedicado a Jorge Amado:

Escolhido como homenagem final conjunta do Literário Online, da Academia Camocinense de Letras e da Academia Municipalista de Letras do Estado do Ceará (ALMECE):

www.literario.com.br/amado.htm

Diário da Manhã, por decisão do jornalista Luiz de Aquino em:

www.luizdeaquino.na-web.net/jorge_amado_sem_fronteiras.htm

Secção Poesia na Net da Página do jornalista Luiz de Aquino:

http://luizdeaquino.na-web.net/poesia_na_net.htm
http://luizdeaquino.na-web.net/jorge_amado.htm

Secção Tema Livre do Site www.limeira.com.br, por decisão do jornalista Otacílio Monteiro:

http://proteus.limeira.com.br/noticia.php?nnot=4250

Participações:

Prémios:

Homenagens:

Entrevistas e artigos de divulgação on line:

Referências na imprensa (on line) sobre presença na Academia Camocinense de Letras (ACL) desde Maio de 2001:


Tempestade interior

Sinto-me só e desesperada
como se a minha existência se resumisse a um negro e gigantesco nó,
que se aperta cada vez mais em torno das horas e das noites.
Sinto-me vaga e cansada
como se já te tivesse perdido,
como se já não me conhecesse(s) ou tivesse ficado sem memória(s).
Sinto-me exausta e sonâmbula
como quem se entrega ao tempo sem saber se vai chegar,
como quem está a mais em todos os lugares.
Sinto-me ténue e monótona
como uma velha (in)cômoda,
que resiste, desconfiada e severa, à lenta passagem dos anos.
Sinto-me rebelde e inalcançável
como se me olhassem de soslaio e eu me risse, num riso infinito,
de mim,
de ti
e deste mundo
de inevitáveis desencontros.

Enviado em 03 de janeiro de 2002.


O cravo

A 25 de Abril de 1974
festejou-se a liberdade e o sonho
com hinos nos lábios,
com votos renovados de esperança.
O País aberto à verdade
e os braços estendidos aos Heróis,
às promessas e à confiança.
Foi dia de luta, de lágrimas,
de adeus às armas, de acolhimento,
de um sorriso para uma certeza.
As prisões e as torturas
queriam-se longe da lembrança.
Agora reforçavam-se os desejos
de uma Pátria nova Renascida,
de uma Pátria nova Portuguesa!

Porém,
o tempo passou,
e um cravo rubro, solitário,
ficou na estrada tombado...
As desilusões esmagaram-no
e o Homem Novo ignorou-o,
tomando-o por vinho entornado.

E hoje
é recordado com brindes e discursos de glória
esse dia que ninguém esqueceu.
Mas há novos pés, no silêncio, a pisarem
aquele cravo de sangue exaltado e vitória
que no auge da festa alguém perdeu.

No futuro,
uma criança,
brincando na areia da estrada,
encontrará o cravo
que à Revolução foi ceifado.
Ao romper de uma aurora,
em vigor, plantá-lo-á de novo,
para que a fé não se apague.
E crente nas razões do povo,
na sua justiça e na sua dor,
estará a plantar, sem o saber,
a mais doce força da Saudade,
o mais intenso poema de Amor.

Enviado em 03 de janeiro de 2002.


Debaixo do véu

As noites contigo são insones e dormentes,
Não descansam.
Nem o corpo doentio, exaltado de suspiros.
E de pensamentos puros e ardentes.

Há punhais que me rasgam as roupas e o ventre,
Nas noites contigo,
Há um lume que me prende à cama e me tortura.
Que me inspira e devora a alma.

Ninguém consegue deter o temporal que desaba,
Que é vulcão... e dilúvio... e tornado,
Nas noites contigo,
Teu corpo é seda com que teço a vida.

Meus lábios te descobrem e desenham
Em movimentos inquietos e doces.
O coração está cadente, suspenso dos céus,
Nas noites contigo.

Enviado em 03 de janeiro de 2002.


Palavra

O que é uma palavra,
quando te digo tantas
em todos os instantes?

O que é uma palavra,
quando o silêncio se instala
e a sua ausência se nota?

O que é uma palavra?
Quando é de Amor?

O que é uma palavra?
É quando a Sonhamos?

Enviado em 03 de janeiro de 2002.


Como um mapa em tuas mãos

Em tuas mãos de seda feitas...
há rotas de finos tecidos
que o meu corpo vai percorrendo.

Em tuas mãos de pele meiga...
há traçados invisíveis
que o meu destino vai tecendo.

Há lugares desconhecidos
que encantariam exploradores
... em tuas mãos perfumadas.

Em teus dedos de cetim...
há um mapa das Índias
com especiarias cobiçadas.

Em teus dedos aromáticos...
há suaves rasgos de pecado
que me deslumbram os sentidos.

Há uma geografia indizível
como os caminhos de Cartago
... em teus dedos reflectidos.

Enviado em 03 de janeiro de 2002.


Fragilidade

Fiquei frágil
de repente
as forças dissolvidas
em espuma e delírio,
numa ausência de certezas.

Como não temer o que se mostra
do que se sente
quando o chão nos escapa
debaixo do corpo?

Acreditar em que palavras
quando tudo o que se escreve
nos deixa sem resposta,
nos confunde e derrota?

A dúvida alastra e devora-me.
Cada degrau vacila.
Só o que se pressente é
timidamente seguro.

O Sol instalado nos dias
já nada nos diz.
Apenas fere fundo o espírito
e os pés solitários na terra fria.

Onde tudo em mim é bulício,
engano e abandono
permanece,
mal esquecido,
um gesto teu.

Enviado em 03 de janeiro de 2002.


Poema de papel


Livro

Abres um livro
pões-te a lê-lo.
Folheias,
marcas,
sublinhas, se calhar.

Viras-lhe a capa
desdobras
as bandas, se as tiver,
e colocas o livro
no lugar.


Folhas

Passas os dedos
no papel claro,
nas linhas finas,
nas notas por apagar.

Vês as frases,
com ou sem rumo,
e és quem decide:
recuas ou deixas-te levar.


Texto

Enfim prosseguiste
na viagem ao livro,
no rasto das palavras.
Uma corrente de letras
quer fazer-te render
de uma às outras páginas.

Se o conto te envolve
já estás enredado
dentro dessa história.
Esquecido do mundo,
reflectes no que lês,
constróis mil imagens.

No mergulho ao texto,
que dás sem sentir,
enrola-se a trama.
E então não és tu,
já sem saberes de ti,
mais do que as personagens.

Enviado em 03 de janeiro de 2002.


Adeus, Capitão

Nas ruas
os meninos órfãos
erguem em preces a voz:
- Estão perdidos!

Assim se sentem os marinheiros,
as corajosas e sensuais mulatas,
os místicos nos seus terreiros,
os malfeitores, os bandidos.

E a andorinha e o gato malhado?
O cacau, o Carnaval, a Bahia?
O suor, o soldado apaixonado?
Que milagre lhes ditará sorte?

Oh Capitão, meu Capitão
que das mornas areias
criaste um reino de poesia
e nos mares leste a morte...

Que farão todos agora
sem o tempero das tuas frases,
sem o suave embalo tropical
das histórias que ao Mundo deste?

Como viver hoje no luto
o gosto das palavras que,
amando,
Amado,
escreveste?

(Portugal, madrugada de 6 para 7 de Agosto de 2001)
Enviado em 07 de agosto de 2001.


Morrem as árvores de pé?

Uma árvore cai!..
... não se (lhe) ouve um som.
A morte é sempre assistida do silêncio.
As outras árvores choram...
e o seu pranto é mais pungente
que a dor do tronco magoado,
a descer lentamente por entre a vegetação,
até esmagar o solo.

Enviado em 09 de fevereiro de 2000


Boa noite sobre a Terra

A noite abre-se,
quente e seca,
sob o Céu, sobre a Terra.
Espreguiça-se, languidamente,
e abraça o Mundo
com os seus braços finos.

Tem uns olhos grandes,
escuros e espantados
e uma voz melodiosa,
de grilos e cigarras.

Mas esta noite
está irrequieta,
em desassossego:
repara como os solos ardem,
como as árvores se abatem,
como os homens se perseguem e mutilam.

A noite está descontente.
Abre a boca, solta um grito:
- Um raio rasga a Terra,
uma chuva intensa começa a cair.
O dilúvio alaga os continentes
e extingue a vida humana.

É a noite que está a chorar...
... desconsolada.

Enviado em 09 de fevereiro de 2000


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