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O vento frio do norte cortou violento
Os caracóis rubros das ondas
Encrespando a calmaria suspeita
De um leito em latente ebulição...
Um violão, um fado amansado,
Calado, chora lamentos em surdina,
E eu, no vislumbre da distante luz,
Carrego tua cruz, por um instante...
És pluma que a aragem roubou
De um anjo no seu vôo consagrado...
És pensamento que a paixão criou
Num momento de desmedido encanto...
Amo-te, térmica em todos teus andares,
Etérea fusão de todos os elementos divinos,
Metade anjo, outra metade não sei...
De todas as incongruências a sublime unidade...
26.10.2000
Enviado em 22 de novembro de 2000.
Queria ser o mar em acroase
No oásis do teu despertar
Marola no luar em última fase
Criar o êxtase no teu olhar...
Queria ser instante em absoluto
No teu resoluto amor estuante
Ser estudante e diamante bruto
Um longo minuto deslumbrante...
Enfim ser poesia um firme laço
Autêntico abraço que frenesia
Ser uma frésia no teu espaço
Ávido sargaço na nua afrodisia...
13.11.2000
Enviado em 22 de novembro de 2000.
Ai, lua amada, minha lua amante...
Quantos suspiros e juras secretas
Deixei aos teus pés, ofegante,
Encontrando nas horas discretas,
Nossa plenitude, por um instante...
Ai, alcançar com um beijo mádido
O Divino, prolongando as partidas...
Ai, adejar sobre os mistérios, ávido
De sabores e emoções evadidas
Do cárcere do devaneio impávido...
Ai, meu amor, nos teus andares
Não há vestígio de tempo ou espaço...
Procurar-te-ei apesar dos pesares,
Nas brasas vivas daquele estilhaço
Afogado na incontinência dos mares...
Ai, lua amada, minha lua amante...
17.08.2000
Enviado em 22 de novembro de 2000.
Somos partes do Todo
Eu sou parte de ti
E tu és de mim
Quando parto te procuro
Tu que partes para me encontrar
Num certo lugar no Todo
Que não é perto nem distante
Do ponto em que saímos
Em busca da Outra Parte.
03.08.2000
Enviado em 22 de novembro de 2000.
O pranto lavou teu sorriso
Seu canto amansou as trevas
E um novo dia amanheceu...
A dor doeu, mas passou
A dor doeu, mas afogou-se
No rio infinito que morre
E renasce no vasto mar...
O pranto lavou teu sorriso
Seu canto amansou as trevas...
Os galhos tristonhos brotaram
E os pardais trouxeram a visão
Daquele mundo perdido no momento
Do lamento fugaz, do sonho de paz
Que o coração conhece e alimenta...
O pranto lavou teu sorriso
Seu canto amansou as trevas...
E na emoção do amanhecer
As pétalas retiveram teu orvalho...
E a vida gritou mais uma vez.
Jean-Pierre Barakat
26.02.2000
Enviado em 14 de abril de 2000.
Fonte
Fonte fevereira
Que morre no mar azul
Lá, debaixo da Cruz do Sul
Tão ligeira
Amo
Amo e não me canso
De navegar e chorar sem fim
Em tuas lágrimas, sorrir assim
Daquele jeito manso
Mãos
Mãos amigas no meu rosto
Aliviam minha dor, meu cansaço
Energizam a vida, num abraço
Uma alma de Agosto
Beijos
Beijos que nada são e nada pedem
Néctar de um sonho alado
Vozes cristalinas do Eu calado
Dançam nos lábios, flores do Éden
Paz
Paz que rasga o silêncio infindo
De um olhar sem uma voz
De um coração meigo, feroz
Aguarde...a onda do amor vem vindo !
Jean-Pierre Barakat
13.02.2000
Enviado em 14 de abril de 2000.
Muda, nua e calada,
Isenta de sons e perfumes,
Como um sonho distante,
Como um dia sem amanhã
Não há dor, nem prazer,
Simplesmente o silêncio dominador,
Ditador, sobre os seres e as coisas
Não há desespero, nem esperança,
Simplesmente o nada em tudo,
Soberano sobre a imensidão do Universo
Eis a noite
Elegante dama, fugaz e mascarada,
Presente na ausência das horas,
No Carnaval de nossas almas anelantes,
Nos beijos invisíveis de nossos desejos
Acoitados, acalentados
Não há hora, nem dimensão,
Simplesmente o verbo divino dos anjos,
Redentor, vibrando nos ouvidos e corações
Não há perdão, nem esquecimento,
Simplesmente teu amor singelo e suave
Desvairando sobre os meus pensamentos
Banhados de luz
18.03.1999 - 20:25 h
Enviado em 03 de março de 2000.