Jean Sanzone

E-mail: winepiper@hotmail.com
Idade: 23 anos
Cidade: Sao Paulo


Progressão

Quantos irão conseguir chegar ?
Quantos irão tentar compreender,
além de tudo absorver,
esse rastro que deixamos
em direção a um novo amanhecer ?
Quantos irão rastejar ?
Quantos irão se vender ?
Assim, por tão pouco...
por um punhado de sonhos
que nunca irão amanhecer.

Antes de tudo:
Havia o abismo
Um caos absoluto
Uma terra de perigos...
Antes do susto:
Ignoramos o aviso
Ao passarem ilesos
Nossos olhos por esse abismo.

Enviado em 17 de janeiro de 2001


Milagre

Conforme despia-se a santa
(ante ao meu olhar de versos profanos)
Não apenas lhe caía o pano
A sêda e o couro...
Insustentável tornou-se a pureza
Desnecessária tornou-se a devoção
O crucifixo desabou como pedra
E ela elevou-se
Atingiu o céu...
E eu, de joelhos
Provei em minha boca
o sabor de seu milagre.

Enviado em 17 de janeiro de 2001


Sátiro das ruas

Sapatos de palhaço
Grinaldas de divindade
Manto (leve corpo)
Olhos (breve sopro)
Precisão de um carrasco:
Indecisão ou liberdade!
Suave, porém denso
Escuro, porém nítido
Banhado pelo luar
Soterrado pela brisa
Imóvel...
Persegue o momento para fugir
Em fuga...
Espera o firmamento levantar
E sorri.

Enviado em 17 de janeiro de 2001


Menina Adormecida

Corpo imóvel, inerte
Num leve sono submerge
Um sonho que se despe
Livre sombra que entorpece

Desmancha-se a brisa
Leito, relva, meio-dia
Suspira, inspira
Ninfa, deusa envolvida

Incita, provoca
Alva-estrada desemboca
Inflama, convoca
Conspiração atrás da porta

Consente, não sente
Incerto mar, tão displiscente
Ausente, solvente
Fonte, flôres e sementes

Crescente, sublime
Tentação que não reprime
Imprime, comprime
Pele, toque, doce crime.

Enviada em 02 de outubro de 2000.


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