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Gema cristalina de beleza infinda
De cor celeste e cobiçosa forma
Gema ilusória que na luz se esconde
Gema efêmera que a mim responde.
Oráculo astuto que preciso escruto
Quando nem sei qual a meu destinado ou onde...
Às favas as respostas, às favas os sinais!
Eu aprecio a beleza que se esconde
Sob a luz de cor celeste que tremula e que compraz
Eu quero a gema cobiçosa.
Sua textura sua cor e seus sinais...
Enviado em 03 de dezembro de 2001
E corre ao som da música
E canta em seu falar
E vive esta canção
que já cansaste de amar
Silêncio é sepultura
O vazio inspiração
Rejubila-te e ouvida,
recusa amiga mão.
E o que lhe resta?
somente esta canção.
e além, mas não ao longe.
vejo a vil a coprrupção
vejo a mentira e vejo a danação
Enviado em 03 de dezembro de 2001
Sielente noite umbrosa
Sonolência desdenhosa
Estrada pedregosa
Sandália ruidosa
Saudades duma prosa
Perfume duma Rosa
Enviado em 03 de dezembro de 2001
Eia, noite de embriaguez, eia negrume
Eis o que vem depois de tanto lume
mas que há de tanto assim neste queixume
será isso outro nome pro ciúme?
Pobre que fala só, falseia no falar
Palavras ao léo e engula o soluçar
Declama ao vento, declama à rua vazia
Declama e escruta a embriaguez da tua vizinha
E quando as memórias chegarem,
e os zumbis de ti se aproximarem
Lembra da companhia infiel, tua inimiga
Embriaguez sublime ao som desta cantiga.
Enviado em 03 de dezembro de 2001
Desejos pregressos.
Anseios regressos.
Uma busca talvez.
Com certeza vazia.
Substituindo desejos,
Enganado anseios.
Efêmeras falácias.
E regressa,
e cruenta,
e cruel,
e lenta...
Lágrimas vagas. Ausência.
Olhares vazios e temores frios e
Tremores rijos e rijeza vil.
Vileza hostil,
Hostilidade muda qual silêncio a fio.
Qual desejo infame,
Segredo que sangre.
Qual brado amordaçado,
Qual sepulcro exumado.
A terra não tolhe a falsa morte,
O segredo não sepulta o que há desta sorte.
Força alguma prende a verdade imunda,
rubra, que persegue e que simula,
Que se finge de reclusa e que apunhala à fragidez desnuda.
Que esvai-se e desvanece simulacro vão.
Que é marca de derrota que enlaça a mão,
Que guia a lâmina e que tinge o chão.
Extirpa este vazio,
derruba esta pilasta.
Segue teu rumo,
Que cedo ou tarde há de tudo à mesma casta.
Sem dor, sem sorte, paraíso.
Silêncio à morte, aconchegante oblívio.
Enviado em 03 de dezembro de 2001
Um ruído surdo, vento úmido,
Nomes, arestas, relevos, um epitáfio.
Impressos no mármore da noite.
Conforto no frio
Vilania imanifesta
Justiça precauta
Espírito em tormento
Perversão da mundana
Resistência ante a profana.
Garoa, perfume noturno
Perfume alvo que asperge à vaga
Lapidária dum bradar silente
Chuva e mão pesada que golpeia assim tão rente
Desdenhosa mundana que falha em seu pesar.
Sucumbe ao raio que a tormenta envia
E cede ao vento qual madeira que crepita.
Marfínea fada, estátua vaga
Vilania velada Postas mãos em prece
Falência; no miasma sepulcral perece.
Estátua de pedra, Olhar vazio,
Afoga na lama o último respiro
do vilão, seu amavio.
Enviado em 03 de dezembro de 2001
alfabeto de barro que cura a rente incoerente agrura,
alameda entrevista à janela revista da grade entreposta e nenhuma resposta
caminho solene da rua perene ladeira inerente e um frio incorrente...
silêncio sepulcro uma cruz um maluco um brinquedo um reduto
palavras expostas um beijo e respostas sorriso calado um fluir recortado.
fechada a porta gota a gota nos extremos de cada resposta.
Enviado em 03 de dezembro de 2001
Purpúrea flor já quase morta em seu perfume
Exelcia singeleza dos sentidos
Tende à febre rouca do queixume
Dos loucos pensamento e sôfregos gemidos.
Purpurea flor que murcha e morre
retem meu sangue à tua hora
cessai o sibilar à tua porta
febril imagem que atordoa a calma
Cintilante brisa que sussurra
que à tua porta murcha, chora e esmurra
encanta o febril inseto rutilante
esmaga a fome que se encerra em teu semblante.
E Diz:
"Que cálida rosa vermelha é esta que me vem?"
"Prendo-lhe o cenho e lhe podo no desdém"
Cintila e morre em tua carapaça
Vespa vil que extingue o que entrelaça!
Ressurreição?, transmigração?
Não!
Não há fadas nem varas de condão!
Não!
Irrompei, perpetual transmutação.
Matéria morta, celoma esvazo.
Brota o sutil contra-reprazo.
Que em exelcia sutileza abrupta
Sela a que a extinta escruta.
Eclode então, carapaça-crisálida
eclode à rutilância da extinta praga
Prende o cenho na perpetual retraga
Cantarola a marcha da atroz esquálida.
E sorri, semblante audaz
Cárcere prescruto, estranheza que compraz.
Enviado em 03 de dezembro de 2001
Vilipêndio
Ser apático e pedante
Ser infame,
Vil, decadente e vilipendioso.
Destrói aquilo que existe,
Destrói a tudo.
Demônios irmanados e servis.
Sabedoria? Força? Prepotência?
lesa moral onipresente
lesa moral onipotente
Mortos que acordam
Putrefatos, decadentes.
Lesa moral que a todos faz contentes.
Lesa moral que é feita por dementes.
Espólios amontoados
no jardim do éden
O sangue banha uma antiga macieira
Ofídia ressonância de risos e danças
Pranto que ecoa
Sangue que se esvai
Onipotente e vã demência.
Palavra triste que em ouvidos surdos cai.
Enviado em 20 de janeiro de 2001.
Uma mácula de usura,
estorvo incontestável,
Silente pilhagem voluntária.
Servo absoluto da desgraça,
Fremente aliciamento de malícia.
Ira e exaustão sob uma chuva esparsa.
Espaço de contínuas graças,
Egoísmo e aptidão além da estrada
Ferido, me recolho
Me recolho para além.
Mais nada.
Enviado em 20 de janeiro de 2001.
De joelhos, reclinado, quase debruçado
Imerso em parte na quente lama acomodado.
A chuva...
Fria demais para levantar,
A lama...
Repulsiva demais para ficar
A alma...
Triste demais para agir.
Vento e chuva,
não mais calor
Apesar do frio,
só sinto a dor
De aqui agora estar
De não poder ficar.
Ira cega pela escolha imposta
A ira...
Sem forças para gritar
A dor...
Sem forças para chorar
A dor...
Aguardo apenas do meu corpo o abandono do calor
Enviado em 20 de janeiro de 2001.
A dama foi o que era,
Jamais em verdade a vi.
Imagens pareceram-se com ela
Mas não era ali.
Furor às traças e ao lixo,
Quão normal...
Nesta fadada era,
Quão mísera ela era.
Aquela dama encontrar, Quem me dera....
Mas no passado,
hoje nem mais,
Já nem procuro dentre as tais.
Fecho os olhos e choro mais,
mas sem lágrimas, pois aprendi com os homens, como os tais,
A estas derramar jamais.
Enviado em 20 de janeiro de 2001.
Ouvia o ruído surdo
o vento úmido,
A noite fazia escuro o mármore do túmulo
O nome, as arestas, os relevos, o epitáfio,
Tudo coberto pelo musgo.
O ambiente frio era medonho
O desconforto, o suplício.
Quão reconfortantes
O sofrer me apaziguava a alma
Punia minha imanifesta vilania
Sempre atormentou a minha alma carcomida
a erosão da perversidade do mundo.
Perversidade dos homens !
Também a minha própria, a minha inadmissa.
A umidade se transmuta em uma leve garoa
Faz exalar o perfume das damas da noite
Que desabrocham pela madrugada.
Minhas vestes se encharcam
Na negrura do luto por mim mesmo.
Escalo a mais alta lápide
Não mais estou entre os que morrem!
Abro meus braços para a o fustigante orvalho
E grito como jamais se permitiu a alguém gritar
Já não mais uma leve garoa,
mas uma tempestade
se abate sobre o cemitério
E como resposta ao meu grito
ou à minha exposição incauta
Cedo ao raio que a tormenta envia
Sucumbo, pereço, desfaleço,
Caio
Sob a vigília dum marmóreo anjo
Uma donzela de mãos postas
Em estase sobre uma sepultura
Dama que vela como se em prece
Os mortos daquele cemitério.
Despenco sobre a suja lama,
Contemplo o miasma do sepulcro
Crepitando tombo pela trevas
Diante da donzela de mãos postas
Iluminada pelos lampejos na tempestade
Diante daquela que vela em prece
A minha vilania.
Enviado em 20 de janeiro de 2001.
Sem veículos e pessoas pelas ruas
apenas ferragens e prédios desabitados
Não mais há o tumultuoso tráfego
Nem o trôpego esforço a tatear a trêmula nota
Títere da corrupção.
Queimo-a num ato simbólico
Com imensa satisfação,
Regozijo e um certo torpor.
É como se com as labaredas que queimavam o papel impresso
erradicassem todo o mal que por ele se praticou
Suporto a dor do fogo que queima meus dedos
Suporto-a por um instante
a embriaguez e o regozijo se dissipam
Ignoro a dor da lesão, cerro meus punhos em seguida.
Protejo-me do frio vento que insiste em me lembrar de sua presença
Que insiste em intensificar-se à medida que o ignoro,
que me acompanha, que me encanta e que me assombra.
A voz do vento é o que aplaca a minha solidão
Seu toque é reconfortante apesar do frio
Como se o castigo do frio compensasse a minha vilania.
Cambaleio sem rumo certo,
Rumo a um lugar qualquer
Passos incertos.
Lembro-me duma música que não ouço mais:
...limpe minhas feridas
Lave-me de todo o medo
Conceda-me coragem.
Ninguém para ouvir minhas súplicas.
Canção alguma, conto algum conterá todo o pesar...
Que se esqueçam os feitos dos vitimados pela derrota
Em meus passos incertos caminho pelas trevas
vou de encontro a noite
Nas trevas permaneço
A noite é o meu lugar.
Enviado em 20 de janeiro de 2001.
Ah, o destino,
fiel em sua abstração,
causador de comoção.
Destino flébil,
destino feliz,
destino estável,
destino trágico,
destino apático.
O destino vai além,
está onde nossos passos nos levam.
Os passos do mundo,
os passos dos homens,
a história futura da criação.
Tudo é nosso.
Quando olharmos o espelho,
veremos a face do efêmero e
a evidência dos passos que não escolhemos dar.
Veremos a face do tempo e
a insignificância de nossa morte na eternidade.
Enviado em 30 de maio de 2000.
As breves despedidas me parecem frias, eis a tristeza dos meus curtos lentos dias. E
das minhas belas noites frias.
Então.... Quando falares do absoluto, em tom breve, resoluto... fales em tom de graça,
gracejo duma noite de versos inacabados.
Enviado em 30 de maio de 2000.
Passos bobos,
imensos cambaleios,
dor no coração,
insignificância diante do mundo,
um eremita em meio à selvageria do concreto
Oprimido pelas paredes de vidro e concreto da metrópole,
choro a leviandade urbana.
Lamento,
temo,
me sufoco.
Percebo que se foge do mundo
que se busca abrigo em amores,
amores egoístas,
fúteis e efêmeros.
Bens de consumo
eles se vão com as estações.
Ou com o fim das horas imundas
que o dinheiro pode pagar.
O mundo não é como deve e eu,
um único homem,
nada posso contra isso.
Quando as pessoas amarem-se e se tornarem incapazes de destruir-se,
quando não mais houver tamanha indiferença ao meu sangue que se esvai
languidamente,
será muito tarde para chorar,
como eu choro,
por tudo aquilo que se foi e que jamais será de novo.
Enviado em 30 de maio de 2000.
O bem na noite está no fato de alguém que só é procurado para o flagelo de outrem poder esconder as faces nas trevas, como o capuz que esconde o rosto do carrasco.
Enviado em 30 de maio de 2000.
Qual mensagem queres ter?
minha mais terna,
mais singela e,
penso eu, mais bela?
Talvez a outra,
um tanto estapafúrdia,
muito sincera,
de tamanho esmero...
esmeril quebrado,
mensagem imperfeita,
palavras soltas numa tela de mensagens feita.
Enviado em 30 de maio de 2000.
Sob as luzes escuras das ruas de meu bairro, caminho sobre o velho chão fragmentado, sinto a areia rolar sob meus pés. Vejo uma árvore seca já caída, largada em meu caminho. Um lenço vermelho preso a um galho balança com o vento frio que me compraz. O cheiro fresco da chuva que caiu outrora sobre a areia, agora me conforta. O vento balança o lenço vermelho como se acenasse. As memórias das coisas que pude, mas que não fiz, povoam minha mente. Os amores não vividos, as glórias não alcançadas. Questiono-me se me tornei feliz ao assumir o controle dos meus atos, buscando aquilo que é certo e me afastando daquilo que é desejo. Já próximo de meu lar, uma fogueira cercada de insetos me responde. Me responde quando os mostra fascinados pelo fogo, quando os mostra levados pelo fascínio. Reflito diante do fogo sobre a morte dos insetos em plena satisfação. Insetos que crepitavam quando se atiravam ao fogo. Crepitavam felizes, em satisfação plena. E suas cinzas serviam apenas para me deixar confuso.
Enviado em 30 de maio de 2000.