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Buscava sempre um sol que não surgia
Rasgando meus lençóis na madrugada
Sozinho em tresloucada liturgia
sonhava amanhecer com minha amada
Clamor na noite escura, agora és densa
torrente que transborda em meus sentidos
Com tua singular onipresença
me mostras teus tesouros escondidos
Manhã clareia em finos tons de cobre
Penetra nas janelas do meu peito
Teu beijo é tatuagem que me cobre
Levantas-te mas sei que voltas cedo
Deixastes teu calor aqui no leito
E o meu, guardaste-o mais que um bom segredo
Enviado em 24 de maio de 2002
Estar no presente
é seguir em frente
que o instante agora
nunca se demora
e já é o antes
logo no outro instante
Quando mordo a isca
do astuto Crono
que meu sono embala
um olho arregala
mas o outro pisca
E o momento escorre
Flui por entre os dedos
Rosto de odalisca
que não tem mais véu
a mentir segredos
truques de aluguel
que envelhecem cedo
Estar no depois
Carro em frente aos bois
é nenhum lugar
O ar pra morder
Colchão de faquir
Fugir do prazer
Enviado em 24 de maio de 2002