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Cidade: Recife-PE
Às vezes sinto tua presença
Vindo em minha direção,
Atropelando a beleza do horizonte
Que se dispõem na ansiedade do meu coração
Você nem percebe,
Mas em minha boca há um grito
De criança embebida de inocência
Ou mulher que ama na ausência
Quero tuas mãos encobrindo minha virgindade
A tua língua roçando minha volúpia
Quero o amor derramando dos teus olhos
Com o prazer de todos os sentidos
E o descanso da saudade em minha boca.
Mergulhei,
Em tua boca me afoguei
Encontrei nos teus braços mais do que a simples dor
Eu buscava o amor
E nos teus olhos pude ver o desejo nascer,
Fluir, crescer e desfalecer
Sob a mão a outra mão
Como sombra que não se separa
Teus pés em frente a porta
Enterrando um sonho de donzela
Meu olhar chama-te
Mas tu, amado, adormeces
no berço da realidade que zelas.
Da janela, um raio de sol
Céu azul do mar
Daqui vejo a emoção fluir
Como um cacho a se enrolar
A distância em que me encontro
Sinto teu coração pulsar
Numa poesia de pavão
Anunciando a tua chegada
Escorregando-se das mãos
Entras em minha boca
Deixando minha voz rouca
E o meu amor no chão.
Enviado em 23 de junho de 2000.