Jurandir Argôlo

E-mail: jargolo@terra.com.br


Alento

escondida na distância
presença apenas sussurra
nas palavras em tela.

Enviado em 16 de abril de 2001.


Só tu

teu palavrear incendeia-me
eretando meus versos
em quereres descabaços.

Enviado em 16 de abril de 2001.


Botão

brotaste em meu jardim
flor entre tantas
aliciando-me a outras vontades.

Enviado em 16 de abril de 2001.


Redescobrir

preciso estar em ti
descobrindo-te
redescobrindo-me...

Enviado em 16 de abril de 2001.


Sobras

no eu lamento
vinga-se a voz do vento
trazendo-te em cheiro...

Enviado em 16 de abril de 2001.


Saudade

a imensidão invacila
no coração desfila
inundando-o...

Enviado em 16 de abril de 2001.


Historieta

à sua imagem
Deus criou-nos, eleitos
de almas, impuros
de fé, imperfeitos
e tão grande foi
e é o amor por nós
criaturas dum mundo sem voz
que deu-nos o filho primogênito
Senhor e Mestre
para ensinar-nos
as veredas da verdade
morrendo por nós
com toda sua Santidade
e coração justo
para salvar-nos a todo custo
das impurezas, dos pecados.

em várias vozes, hoje
somos uma só nele
o filho do Pai
irmão que nunca se esvai
da presença
da lembrança
dos ritos de oração
aquele que estendeu-nos a mão
o próprio corpo
Cristo Jesus, rei dos reis.

Enviado em 14 de abril de 2001.


A palavra

a palavra corta
como faca de dois gumes
podendo cegar costumes
alterar alheios lumes
escurecer lumios.

a palavra exorta
o bem, o mal, cumes
floreando cores e mesmo estrumes
servindo de defumes
para todos os tipos de vazios.

a palavra, viva ou morta
implaca quereres, queixumes
giganteia à ponto de ciumes
vestuando emplumes
de bocas e sentires mal(sa)dios.

a palavra aporta
inimportando secumes
de desejos mais que vurmes
projetando aos ventos volumes
de impostares letrios.

Enviado em 09 de abril de 2001.


Criança

brilhalumia
ao longe
azul no firmamento, negro
desabroche em dia
celeste mar
olhar inunde, oceano
de tantos azuis
infinita no infinito
desnudando irromper virgem

( publicado na Antologia Azuis- Grupo Pórtico )

Enviado em 1º de abril de 2001.


Já faz muito tempo

já faz muito tempo
que não ouço ao pé do ouvido
o sussurro mais que louco varrido
do aliciar de um momento
a sós no fomentar do pecado
nus em amor alado
de dois sob o oculto, nós sob lençóis

já faz muito tempo
que não sinto o corpo tão amante
a fustigar-me a todo instante
por um largar da própria razão
a uma entrega de todo sem noção
às carícias
às vontades alícias

já faz muito tempo
que meus olhos não te olham
as mãos não buscam o prêmio maior
enveredando curvas meneias
grutas ocultas de prazer e ardor
que escraviza sob eterno amor
dessegredando mais íntimos

já faz muito tempo
que o testemunho da lua se cala
e adentrando o silêncio que fala
voyeuriza das estrelas
lumibrilhando detalhes
da entrega de corpos
ao gozo jorre dos deuses

já faz muito tempo
um sonho
uma canção
acordes de uma emoção
que ainda viva, suspira...

Enviado em 31 de março de 2001.


Chegança

o outono chega
aconchega
sob lençóis, nus.

Enviado em 30 de março de 2001.


Sedução

no ar, um novo cheiro
fragrancia por inteiro
nus de sedução.

Enviado em 30 de março de 2001.


No clima

manheço outonado
de corpo e alma largado
ao desfolhar de cheiros.

Enviado em 30 de março de 2001.


Anunciata

na secura das palavras
o umedecer dos lábios
sobre corpo entregue.

Enviado em 30 de março de 2001.


Abrindo

olhos teus
falam- me
desejam ...

Enviado em 30 de março de 2001.


Reflexo

teu nuar
espelha
meu desejo.

Enviado em 30 de março de 2001.


Doce loucura

assume- me
teu imaginário
sob lençóis...

Enviado em 30 de março de 2001.


Escolha

outros olhos
aliciam-te
abandonas-me.

Enviado em 30 de março de 2001.


Ardor

é madrugada
insonia esgota-me
em nuas querenças...

Enviado em 30 de março de 2001.


No meu jardim

nasceste no meu jardim
flor encantando-me os olhos
roubando as vontades
os desejos mais secretos
e em mais eretos
deixaste meus sonhos
em manhãs e noites revezas
atormentando minhas reservas
o que mantinha-me sóbrio.

hoje, no meu jardim
só a tua fragrância invade-me
em meio a tantas outras
também cheirosas
mas, não como tuas calorosas
cores e formas
que aos poucos evadem-se no tempo
descolorindo meus eus
que insistem ainda serem teus
mesmo na distância dos olhos
dos corpos, num amor sem idade
sussurrando nas madrugadas saudades
ecoadas abismo a dentro.

nasceste no meu jardim
aos poucos saíste de mim
e mesmo estando longe, encantas-me
aprisionando-me em noites
sob gélidos lençóis...

Estás longe do meu infortúnio
das minhas dores
dos meus desejos
que não mais enxergam teus rastros
apagados nas areias do tempo...
aos poucos, sem sentimento
enterro-me no solo do meu jardim
esperançando um dia, quiçá
raízes tuas voltem a brotar...

Enviado em 26 de março de 2001.


Por onde anda?

por onde anda
o olhar que do meu se distancia
sequestrando de mim a alegria
o meu próprio encontrar.


por onde anda a voz
que em forma de palavras aliciou-me
sussurras ao pé do ouvido
levando-me a ternos bambeares de pernas.


por onde vão as mãos
que em tantos momentos tocaram-me
os mundos íntimos
atabalhoando-me as ações em entregas.


por onde andam as luzes
que iluminaram minha ribalta
fragranciando um sentir
que hoje tanto me faz falta.


por onde andam teus elementos
portais em mim ventos
atiçadores de sonhos e momentos
verdades da minha razão.


em mim, bateres pirateiam
no coração, peralteiam
longe, buscando pegadas nuas
nos confins do meu deserto.


em nada mais, o certo
a não ser o querer-te por perto
oceanando- me suspiros
a além do prazer de em ti subjugar-me...

Enviado em 26 de março de 2001.


Cegueira demente

o mundo chora
disfarçando as lágrimas
inventando caminhos
tantas vezes trilhados

em passos pesados, perde-se
no rumo das próprias sentenças
desafiando a lucidez
inventando motivos razões

chãos inundam-se de impropérios
de lendas e histórias, regadas
a sangue e interesse imundo.

o mundo chora, fingindo
não cavar a própria sepultura
sem passos já tropeça moribundo.

Enviado em 23 de março de 2001.


Aberto

do meu sangue de negro
o quente palavreia
aos que querem ouvir.

Enviado em 23 de março de 2001.


Imparcial

o amor que sinto
admito
não tem cor.

Enviado em 23 de março de 2001.


Sou negro

na cor
na alma
nas palavras...

Enviado em 23 de março de 2001.


Estupidez

reassombra o fantasma
da odiosa vergonha, espelhando o pelourinho da vergonha.

Enviado em 23 de março de 2001.


Eu, todos

morrendo aos poucos
mutamos rostos
ombramos cruzes.

Enviado em 23 de março de 2001.


Fim da linha

não há mais o navegar
porquanto seca o oceano
de amores e esperanças.

Enviado em 23 de março de 2001.


Cores invaloras

mortos, heróis
agora riem-se
de nossas tormentas.

Enviado em 23 de março de 2001.


Ainda n'olhar

mais um dia, o alto-mar marola
lacrimejando copiosamente
os lumios cerrados ao fundo.

Enviado em 23 de março de 2001.


Desinteligência

o poder exala essência
recrutando em versos podres
o acreditar d'olhos vendados.

Enviado em 23 de março de 2001.


Travessia

ao longe, fujo do mar azul
num perder-me do norte e do sul
quebrando as cadeias da minha distãncia
indo de encontro à minha infância
olhando pra trás, revendo a esperança
que por agora, mais avança
despauterado do tempo.

caminhando contra o vento
vou-me desnudo de sentimento
aliciado de minhas vontades
da sabedoria das minhas idades
que tenho
que penso
acomodados noutro tempo a voar
e sempre a aliciar
volta-me ao princípio de tudo
descobrindo a travessia
o outro lado a continuar
no manso e no remanso
dos meus anseios
que bate a mais no meu peito
indo e vindo, inesgotável
amparado no seio
com a força do meu pensamento
quem sabe, cair
e não mais levantar
na força de todos os gêneros
meu elo num sempre continuar.

(em parceria com Wanda, Junior, Daniel e Fábio)
Enviado em 21 de março de 2001.


Melancólico

não há palavras de começo
a alegria de escrever
o orgulho de assumir por ser
de um grupo, agora moralmente decresço.

foi-se ao fundo
parte de meu mundo
condenado a revelia
sem juiz, sem júri
agonizando, das mãos, largado
deixando no ar o gosto amargo
dos sangues derramados em vão
o vermelho, o negro...

meu coração ainda grita esbaforido
pelo que não deveria ter sido
testemunho de trágica separação
e que não mais retornarão
das profundezas do berço d'águas.

com eles, vão-se os segredos
os verdadeiros medos
o que só os homens do mar sabem
para sempre trancados no além
desconhecido ainda de todos nós viventes
sementes dum amanhã também incerto.

meus olhos, ainda lacrimejam
e escrevendo, minhas mãos tremem
em meio aos soluços sem palavras
sem se dar conta
da única realidade que agora desponta
de forma clara e arredia.

o adeus foi dado de longe
sem abraços, sem despedidas...

ao fundo, vou-me junto
derrotado e sangrando de meus ideais.

adeus, a todos os amigos e companheiros
agora fiéis guardiães da P-36...

Enviado em 20 de março de 2001.


Em tudo, a revolta, a saudade

manhece mais triste um céu
sob véu lacrimoso
por conta de luzios
que apagam-se em alto mar
vítimas da ilha de ferro
que esbalda-se em berro
por um socorro impossível
minguando nível a nível
aos braços do deus Netuno.

vários, os amigos se vão...
abandonados na última missão
a eles confiada, e levada
a cabo em nome de um pavilhão.

o olhar vertido ao chão
leva-me ao nada de espírito
no lembrar de momentos líricos
do cotidiano sem brancas nuvens
e, quase sempre levados à contra-mão
da verdadeira liberdade
adotado pela mãe saudade
presente em todos os instantes
nos semblantes dos heróis anônimos.

os olhos que se fecham
já deixam acesa a revolta
pelo que não tem mais volta
dos trilhos alados do destino.

lágrimas escorrem riachando
o desandor da coisa séria
para tantos, motivo de pilhéria
desconhecedores da verdadeira bandeira
vendendo-nos à ignorância estradeira
em palavrios sem exatidão
que em mais mancham a toda nação
tão aviltada e corroída
por entreguistas de má fé.

os olhos que se fecham
levam consigo outros, igualmente mortos...

ainda sim,continuamos batalhando
e morrendo numa guerra desigual
onde ser funcional
é dedicar-se a condições adversas
impostas por mentes perversas
que apunhalam pelas costas
em nome de um dever a ser cumprido.

manhece mais um dia, e na dor
o cheque-mate do real valor
que desanda o amor pela bandeira...

à revelia do acaso
questões que possivelmente manteriam
vivas as vidas desses e de tantos outros
perdidos em eternas partidas
se quer com o direito de despedidas.

eles se foram, e com eles um eu também
parte de mim, petroleiro que sou...

Enviado em 17 de março de 2001.


Alusão

das curvas alicias do teu corpo
o perfume do pecado
o gozo mais que reflexo...

Enviado em 15 de março de 2001.


Coreografando

o som que bate
no corpo rebate
passos sístoles e diástoles.

Enviado em 28 de fevereiro de 2001.


Aliciante

não me sai da cabeça
olhar teu de travessa
chamando-me a outros alentos...

Enviado em 28 de fevereiro de 2001.


Espelhando-te

brisa invade-me o corpo
como se tuas mãos fossem
alimentando ardores recolhidos.

Enviado em 28 de fevereiro de 2001.


Oração por Clareza

olhai-nos, Senhor
apesar das tuas lágrimas
que entristecem os céus
lavando os sóis e as luas
com sonhos dum mundo melhor
ateando-nos o fogo da misericórdia
mostrando-nos o caminho da concórdia
da paz entre os povos.


olhai-nos, Senhor
do alto do pedestal do universo
com olhos de bem-aventurança
fazendo-nos de coração a tua semelhança
em bondade e amor
transformando tuas lágrimas
em águas bentas de puro ardor
e plena felicidade.

olhai-nos, Senhor
através de nossos olhos
mostrando-nos o verdadeiro caminho
nunca deixando-nos sozinhos
nos áridos caminhos a serem percorridos
ajudando-nos com a cruz por nós assumidos
na glória do teu nome
até o fim dos nossos dias.

Enviado em 28 de fevereiro de 2001.


Quem dera ser

quem dera ser
o canto agrade aos teus ouvidos
as lembranças dos teus idos
os ventos que alisam teus cabelos.

quem dera ser
as palavras que te aliciam
as mãos que te corrediam
os suores que te banham os trevos.

quem dera ser
os mantos que te cobrem
as emoções que te descobrem
o fluir a flor da pele em relevos.

quem dera ser
a fantasia que mais te enlouquece
a transa que domina-te em prece
os olhares sutis indescrevos.

quem dera ser
o sol da tua vida
o pergaminho das tuas curvas inlidas
a lua que bolina teus acervos.

quem dera ser
o desejo que te faz amante
o teu único sem semelhante
o que te aplaca os anseios enlevos.

quem dera ser...

Enviado em 28 de fevereiro de 2001.


Lado pornô

peca meu universo
obcecado num mundo disperso
em orgias mais que sonhos...

Enviado em 28 de fevereiro de 2001.


Mais que necessidade

o impecado morre-nos
porquanto alimenta-se a alma
de proibidas seduções.

Enviado em 28 de fevereiro de 2001.


Frisson

em olhos regalos
cantam abalos
coração alcantilado.

Enviado em 28 de fevereiro de 2001.


Fixação

entre pernas
olhos...
desejos.

Jurandir Argôlo
Enviado em 28 de fevereiro de 2001.


Multiplicando mães

em entras e sais
eleitas mais mais
sambarão daqui a nove meses.

Enviado em 28 de fevereiro de 2001.


Perdido na perdição

vez por outra
vejo-me em labirintos
abrindo portas loucas.

Enviado em 28 de fevereiro de 2001.


Se bastasse uma canção

se bastasse uma canção
refletir-te-ia os acordes
luz da minha sedução.

Enviado em 28 de fevereiro de 2001.


Verdadeiramente verdadeiro

não há ilusão em querer-se bem
não há tripudiar em amar sem razão
pois, aquele que mais entende mantém-se calado.

Enviado em 23 de fevereiro de 2001


Alimento

nutre-se d'amor
os temores que balançam as estruturas
mesmo inquerendo acontece...

Enviado em 23 de fevereiro de 2001


Com amor

com amor
se cria amizades
por isso mesmo amo.

Enviado em 23 de fevereiro de 2001


O som do silêncio (2)

enamora-me ao pé do ouvido
mais que alício
enraizar de vestes de suplício
saudade sucumbe de um ido.

mudo entoando gelido
mostra-se canto fictício
no tempo desfeitício
enfeitiçado no chão sem sentido.

o som do silêncio adormece-me
no acordar sem cores
inexatando a noção dos tons da vida.

o silêncio sem dom desfalece-me
do fragranciar das flores
que exuberam-se noutras validas.

Enviado em 23 de fevereiro de 2001


Som do silêncio

um nada invade-nos vez por outra
bradando nos vãos infinitos
desencadeares aflitos
voz desatinada e louca.

no nada que se espelha, noutra
banda reflete os xiitos
pensares ao coração malditos
com mansidão corrosiva e rouca.

vastos, os horizontes abismos
telam aquarelas de sofismos
locupletadas sem consciência.

e tomando forma sem lirismos
alturam nos próprios egoísmos
silêncios sonoros com veemência.

Enviado em 22 de fevereiro de 2001


Bons tempos

bons tempos
vêm-me a mente
na música que tirou-me do ausente
duma lembrança
e no corpo agora avança
esquentando o sangue nas veias
pelos eus sereias
que um dia fizeram a minha cabeça.

bons tempos
aqueles, onde o amor era mais romântico
onde sentir prazeirava
e por tudo se amava
tudo mais inimportava
quando a sós com a metade esteira
horizontando estradeira
na busca incessante por mais calor.

bons tempos
que no tempo acabaram esquecidos
e com eles sentimentos esvaídos
que sangram hoje sem paixão
enbrenhados ao nada do envolvimento
da entrega a dois...

na música que ainda rola
coração ainda se enrola
e debatendo-se no peito, namora
a saudade mais que presente
reflexo espelho semente
que ainda mantém raízes
por toda uma vida...

bons tempos, aqueles...

Enviado em 21 de fevereiro de 2001


Aprendendo

aureola-nos em bênçãos
os ímpetos surgendos do coração
a medida que na inoção
os sentimentos vanguardam verdades
entranhadas no corpo chão
sem tabus
sem vaidades
onde a beleza do ser sente
na alma consente
o fluir do amor inébrio.

tão bom, o deixar-se permitir
deixar-se levar no arbítrio dos delírios.

o sol brilha para todos
mas, o verdadeiro calor
somente é sentido por aqueles que o desejam
e nele buscam o aquiescer dos desejos
aceitando a simplicidade das coisas.

de dentro, as portas surgem
abrindo-se sem superstições
sem preconceitos
erguendo infinitos e feitos
que só quem ama é capaz
por levar no bojo, sem distinção
o verdadeiro sentido de ser...

Enviado em 21 de fevereiro de 2001


Sem meias palavras

com jeito sexy
engoles-me confisco
sem meias palavras.

Enviado em 10 de fevereiro de 2001


Tesão arretado

deixo-me levar
por tua presença
sob lençóis, gozo teu imaginário.

Enviado em 10 de fevereiro de 2001


Mais q'além

sonho ainda
possuir-te
mesmo que em sonho.

Enviado em 10 de fevereiro de 2001


Ilimite

sussurra-me aos ouvidos teu nome
erguendo-me a natureza em fome
ventos descontroladamente febris.

Enviado em 10 de fevereiro de 2001


Há muito

há muito meu corpo te chama
mesmo distante te ama
penetrando-te nas imaginações.

Enviado em 10 de fevereiro de 2001


Varanda mirante

entre um mato e outro
uma casa
mantos florios
silêncio d'imensidão.

lá adiante, outro mato
um homem
um cachorro
enxada comendo o chão.

da copa das árvores
olhares olham, cantam
prás janelas do mundo
interminável canção.

e assim, a vida passa...

Enviado em 10 de fevereiro de 2001


Abstratando-me

converso com o quadro
que com silêncio me responde
nas cores se esconde
impostando a frigidez dos seus traços.

quatro paredes fazem-se mundo
aquiescendo eterna espera
de dois, o quadro e eu
sem palavras...

Enviado em 09 de fevereiro de 2001


Louquece

louquece um coração
revívere de estripulias
amor selvagem
acontecido sob olhares
voyeurs da noite.

em cada ponto lumibrilho
um rufar sob lençóis destrilha
a infinitos gozos...

Enviado em 08 de fevereiro de 2001


Simplesmente Simples

(Singela homenagem a Maria José Limeira Ferreira)

encontraste-me antes de mim
tu e teus sonhos
e não sabias...

mesmo voando dificuldades
alcançaste liberdades
voando pássara
descompromissada com modismos
maquiados egoísmos
da sociedade que empurra
próprias invontades.

sobre as nuvens
sonhos completaram-se
sensaçando ao universo
palavras intempestivas d’amor.

encontraste-me passageira sim
mas,não anônima
porquanto teus cantos
ecoaram (ecoam ) mantos
desgovernando corações
lotados de paixões encruadas
almas mal amadas
que em ti encontraram
fôlego para novos sonhos.

duras trilhas incalaram-te
no cair por terra de tabus...

nem a fome
nem a sede
nem o frio
impediram-te de continuar
e, no final da linha me achar
descobrindo que não há vazios...

Enviado em 23 de janeiro de 2001


Gritos e Vozes

Revolta, o entreguismo do país
Armações lacaias
Desestruturando sonhos chãos.

Nos braços, os grilhões
Apertam com a força da ditadura disfarçada
Bandeira de democracia escravizada
Pisoteando sem dó o coração
Por interesses acima da nação
Pátria que não mais vê corações
Lodaçados na fome e na miséria
Servindo de pilhéria
Nos ensinamentos doutras bandeiras.

Estreitam-se os direitos
Aumentando o poderio dos eleitos...

Mais e mais, somos muitos
Nas mãos da cegueira de poucos
Escravagistas do próprio berço
Tendo à mão a chibata, as migalhas...

Revolta, o aceite a quietude
Dos que coadjuvam o sofrimento
Não movendo se quer uma palha
No deter do deserto de desgraças que se espalha
Devastando de forma insolente
O plantio da semente
Amanhã que faria-nos mais perante o mundo.

Conspiram forças ocultas
Para a derribada final, e sem dó
Seremos um país de escravos
Sobre terras fortunas
Preenchendo apenas lacunas
Em colos alheios
Vendo nossos filhos no amanhã
Animais usando arreios
E com a privacidade já depravada
A Mãe gentil, mal amada
Despida das vestes, do pavilhão...

Enviado em 23 de janeiro de 2001


Na carne

No olhar disto da escolhida
Cauterizada ferida
Languida nas imagens serenas
Silhueta a bolinar.

Cravado no peito
Espelha o luxuriar no leito
Desejo bandido
No coração a copular.

Cumplicidade vacilante
O gozo inebriante cru
Em nus sussurros
Apalpes tenros de loucura, respiro pulsar.

Enviado em 23 de janeiro de 2001


Apaixonado

Bate sem acordes
Coração
Plugado noutro ritmo.

Enviado em 23 de janeiro de 2001


Acorda Brasil!!!

Tão libertino
Quanto abrir de pernas à revelia
São as ações prostitutas.

Enviado em 23 de janeiro de 2001


Antologia Vida

Nas antologias da vida
Leques, saídas
Desejos, despejos...

Enviado em 23 de janeiro de 2001


Nossa Galeria