Lis Ribeiro

E-mail: jpm@fenixnet.com.br


Última noite

Lágrimas e lágrimas rolaram de
Nossos olhos...
Eu estava tonta, desnorteada
A minha garganta doía
As minhas mãos tremiam
O meu corpo todo suava
A minha boca estava seca
E os meus olhos inchados
Soluços... choros repentinos
Marcados por intervalos
Dolorosos de tempo...
Você tentava de todas as
Maneiras fazer-se presente, me
Ajudar, mas quando não podia
Chorava comigo...
Talvez eu gritasse se ainda
houvesse alguma voz em
Minha garganta
Talvez eu pediria pra você
Segurar minha mão e dizer
Que tudo estava muito bem
Mas eu não tinha forças pra isso,
Não tinha forças pra nada
Ali, naquele quarto escuro,
Perseguidos pela luz da
Lua, você me viu morrer
Não houve palavra alguma...
Não houve tempo de qualquer
Coisa ser dita... nem tempo e
Nem coragem...
Apenas olhares e medo...
Angústias...
A minha cor pálida e meus
Toques gélidos... angústia...
Os teus olhos desesperados...
Angústia...
Nossos toques que buscavam
Encontrar vida em meu corpo...
Angústia...
O céu que se mantinha lindo
E arrombando janelas invadia
Um quarto cheio de morte...
Angústias...
Eu esperava que você me
Deixasse... eu não sei, talvez
Eu esperasse que tivesse
Encontrado alguém melhor...
Eu esperava que todo esse
Nosso amor fosse acabar...
Eu esperava que não tivesse
Que deixa-lo ... eu esperava
Que você me deixasse antes...
Eu não queria vê-lo sofrendo...
Por que você tinha que me
Suportar?! Por que você
Tinha que me ver desmoronar?!
Eu não queria te deixar...
Eu queria viver pra estar sempre
Ao seu lado...
Angústia...
... por favor me perdoe...
Eu juro que tentei...
Amanheceu.

Enviado em 26 de dezembro de 2000.


Saudades

Não importa a quanto tempo nos conhecemos,
Não importa quantas brigas tivemos
Eu sei que cada um já faz parte da minha
Vida e sempre fará...
O que importa a freqüência com que nos
Vemos, se as nossas vidas já foram ligadas?!
Se em nossas memórias existe uma
Amizade verdadeira, que deve continuar...
Quem disse que amizades não são eternas?!
Quem disse que os sonhos não podem ser reais?!
Quando imagino a ausência de vocês, até mesmo
Nossas brigas fazem falta...
O nosso grupo... a nossa casa... parte de nós...
Não somos amigos, não apenas... somos
Mais , muito mais que isso...
E o que importa se o resto do mundo talvez não
Seja capaz de entender o que nos une
Eternamente?! Nós sabemos...
Nossas vidas nos unem...
Não sei como seria minha vida sem vocês,
Mas de uma coisa tenho certeza, não seria
A mesma... não seria tão mágica...
Eu não sei como será o meu, o nosso futuro,
Mas eu sei que temos um passado
Construído por esse nosso grupo torto...
Um passado que ninguém pode nos tirar...
Cheio de alegrias e tristezas que juntos
Suportamos...
E são por essas milhares de pequenas coisas
Que passamos juntos, que não somos capazes
De dizer adeus... porque amigos não conhecem
Essa palavra, eles sempre esperam
Voltar pra casa... e a nossa casa é aqui.

Enviado em 26 de dezembro de 2000.


Você e Eu

Gosto de olhar-te assim, despercebido, desnorteado.
Sorrio sem motivo ao vê-lo enfurecido, não porque
Deixe-me feliz, mas há nisso um pouco de graça, um
Belo contraste entre o amor e prisão. Só isso e mais
Nada.
Você sabe como deixar-me louca...faz com que brote
Em mim sentimentos confusos, pensamentos contrários.
Consegue me acalmar mas , como ninguém, sabe deixar-me
Irada.
Eu sei, você sabe, nós sabemos que me manipula,
As vezes secretamente, as vezes não...mas sabemos.
Olha-me e tudo já não é mais nada.
Quando estamos sós sou humana, quando há
Outros sou estátua de barro, de lama.
As minhas mãos unidas às suas querem
Segurá-lo eternamente ao meu lado, fazê-lo
Estar presente... fazê-lo ser real ...
De repente há silêncio e tudo é consumido...
Abre-se um livro e deste arranca-se uma página
Onde havia o mais belo dos poemas. É assim quando
Você vai embora.
Acredito em você e isto basta-me.
Você me diz que não consegue chorar, mas não
É o que vejo em seus olhos...em seu coração.
A gente discorda, discorda, mas no final
O silêncio torna-nos iguais.
E em tudo isso não há brigas...
Tudo isso parece um jogo...
Não sei jogar.

Enviada em 22 de julho de 2000.


Um clamor por Paz

Sairemos de casa
E veremos os últimos
Rostos fechando os olhos.
Abraçaremos nossas mães pela última
Vez.
Haverá uma imensa vontade de viver em
Nosso coração...mas não haverá mais tempo...
Alguém decidirá que não seremos dignos
Do , então, tão clamado, tempo.
Não teremos escrito um livro, a árvore
Que teremos plantado não germinará...
Não teremos filhos.
Findar-se-a o pranto e as lamúrias...
Não guardaremos em nossa memória
A música de nossa vida, porque, enfim,
Estaremos mortos.
Farão com que deixemos as pessoas
Que amamos, sem que isso lhes seja
Anunciado.
Não haverá tempo de arrependimento...
Nenhum filme será revelado em nossa
Mente minutos antes de nossa morte, porque
Não deixaram que ele existisse.
Veremos que não somos super heróis
E que nossas vidas foram apagadas
Das histórias em quadrinhos, porque
Os leitores não gostavam
Da qualidade das páginas do gibi.
Atônitos...atômicos...átonos....
( Somos criaturas frágeis que acreditam
Ter o poder de matar... triste
Ilusão, somos assassinados a cada gesto
De violência cometido pelo mundo...por
Nós mesmos) .
E então... apertaremos o gatilho da arma
Que está nas mãos de nossos assassinos...
A VIOLÊNCIA...

Enviada em 22 de julho de 2000.


Fim de namoro

A chuva cai assim como as
Lágrimas em seus olhos...
Há esperança de que tudo
Volte ao normal...de que
Seja como antes...
Não é preciso muito para
Que isso aconteça , apenas
Algumas palavras ou sentimentos
Sinceros...apenas isso e nada
Mais.
Os olhos agora perseguem-se
Cansados e ébrios...
Imagens distorcidas, lembranças
Distorcidas e confusas
É tudo o que resta de um
Quase final feliz.
As mãos, nada mais
Podem sentir...não muito
Diferente dos corações que
Agora mais do que nunca só

Escondem sensações gélidas.
Abraços são coisas meramente
Mecânicas...uma tentativa de
Fazer com que os corações
Não parem de bater...uma
Tentativa vã.
As lágrimas estancam-se...
A última chama de esperança
Acaba de ser consumida por uma
Distância invencível...não uma
Distância de corpos, mas sim
Uma distância de alma, de emoções,
De sentimentos...de vida.
Chega-se ao fim de algo
Que poderia ser apenas o
começo.

Enviada em 22 de julho de 2000.( Lis Ribeiro)


Morte em qualquer lugar do mundo

Em algum lugar do mundo
Uma mulher é escrava...
Escrava de uma religião
Que não quer seguir...
Escrava de tradições desumanas.
Em seu coração há
Angústias e repressões...
Em sua memória, violências
E guerras.
Em algum lugar do mundo
Há uma mulher sendo
Sacrificada como oferenda
A um deus que insiste
em prevalecer, a ignorância.
A mulher, as mulheres...
Não são donas de seu
Próprio corpo, de seus
Pensamentos.
Em algum lugar do mundo
Serve-se a um deus que
Não ouve, não fala, não ama...
Um deus de pedra...um deus
Do ódio e do medo.
Uma lágrima escorre nas lindas
Faces daquela mulher, que jamais
Será conhecida, porque amanhã
Ela provará um pouco
Mais do gosto da morte.
A mulher, as mulheres, aquela
Mulher...naquele lugar
Do mundo, nunca soube
O que é vida.

Enviada em 22 de julho de 2000.


A um eclético sonhador

Um sonho... não era preciso muito,
Apenas sonhos...
Ele teima e grita por liberdade...
Sua voz talvez não seja ouvida...talvez não
Haja sons que o mundo posso ouvir,
Mas no coração do homem, daquele
Homem, há um grito de esperança.
O mundo é negro como o ébano
Mas no peito a chama está acesa... há
Ali uma lua de ilusões.
Se há eclipse há também depois
Dele um brilho maior que moverá
Com maior ânsia seus ideais.
E seus ideais são fragmentações
De mundos que talvez sejam
Reais ou então uma mera ilusão, mas
Não importa o importante é que
Haja ideais.
Um instrumento soa na noite escura,
Seu som metálico mistura-se com o
Ritmo das batidas do coração do
Homem, daquele homem.
Em pouco tempo ele se prenderá
Em uma cidade que seja só sua...
Ela será construída, assim como
Ele, de uma maneira totalmente
Eclética...talvez isso realmente
Seja um sonho, que importa , o importante
É que a cidade existirá.
Mas e se o eclético não for tão eclético
Assim? Mas e se o palco da vida
Não puder imitar os sonhos e o
Sonhador também for seu próprio
Sonho ?
Que importa?! O importante
É que haja vida, mesmo que seja em
Sonhos.

Enviada em 22 de julho de 2000.


A rosa e a morte

A janela estava aberta.
Uma rosa cai no jardim...
Alguém tenta resgatá-la, mas
Não é possível, nada pode trazê-la
Novamente a vida...nada
Pode fazer com que a seiva da
Esperança corra novamente em seu
Corpo ( escultural corpo) ...
Talvez longe, muito longe
Desse jardim haja alguém
Feliz...talvez haja vida nesse lugar...
As mãos agora estão cravadas em
Espinhos...o sangue corre e há
Fúria nos gestos, mas a rosa
Não pode viver...a luta é vã...
Lágrimas correm dos
Olhos ... a rosa está morta...
A casa está vazia...
Um beijo... o último beijo...
Gosto de morte...cheiro de morte...
Gritos , sussurros, palavras, nada
Funciona, nada é licito, nada é
Verdadeiramente real pois
Chegou-se ao fim ou ao princípio
De um nada que parece ser eternamente
Vazio...
O imortal tornou-se frágil e vulnerável...
O descanso é tormento e horror porque
A morte insiste em permanecer...
O doce tormento de vê-la tão distante
Ainda é mais deseperador porque
Agora a distância é tudo que há, tudo
Que sobrou de uma agreste vida...
Houve vozes que clamaram por
Sua volta...outras pediram perdão...
Outras nada disseram porque nada
Tinham a dizer...
O adeus coube aos olhares... olhares
Que assim como a rosa morreram...
Fechou-se a janela.

Enviada em 22 de julho de 2000.


Alienação dos sonhos...

O sonho é tudo que procura-se...
Não com uma busca tola e vã
E sim, com uma busca sonhadora
Que sonha sozinha seu sonho
Sonhador de bons sonhos
Que são perseguidos em seu sono
Por cavaleiros, guerreiros, mas
Mesmo assim, permanecem...Sonhos...

Enviado em 20 de junho de 2000.


Silêncio

Alguém morre
E pede silêncio...
Silêncio...
Um poeta morre
E quer ouvir as vozes de suas
Amadas em sua procura...
Silêncio...ele espera pelo
Pelo som funéreo das
Palavras
Calem-se... fechem os olhos...
Ninguém pode ver sua
Despedida...ninguém pode senti-la
Os homens são normais demais...
Terrenos demais... vivos demais,
Não entendem os poetas...
Chega! Não há mais espaço
Para torturas...não há mais tempo...
O confuso poeta ainda morre...
Por que deixaram-no?!
Ele agoniza com suas palavras...
Sua agonia são palavras não conhecidas...
Palavras...Silenciem-se .
Do seu corpo ensangüentado,
De seus olhos,
Da faca que cruelmente fincaram-lhe...
Corria o sangue
Que transformava-se rapidamente
Em dores e alucinações...morte...
Mísero poeta ...não mataram seu
Corpo, mataram suas vidas...mataram
Suas poesias...

Enviado em 20 de junho de 2000.


Surgirão

Hão de surgir entre as muralhas
e calar as vozes
Dos sábios e gritar com os néscios...
E então, ...páginas e mais páginas...
Comoverão os implacáveis corações...
Não estarão sozinhas presas em
meu pensamento, em meus rascunhos
antigos, trancadas nas gavetas...não mais
morrerão em solidão...
Farão lágrimas e risos serem libertos das
Profundezas das almas fleumáticas...
Não serão somente estudadas,
Serão vividas com toda com toda
Intensidade de seus significados...
E não precisarão serem ensinadas, pois
Todos as conhecerão...
Hão de surgir, PALAVRAS, que
Moverão o homem de tal maneira
Que já não haverá como fugir delas,
E a única solução restante será
Entregarem-se ...e desta entrega,
Surgirão a verdadeiras poesias...

Enviado em 20 de junho de 2000.


Cartas de amor

A música toca...
Páginas e mais páginas...
Segredos...
As folhas perseguidas incansavelmente
por letras trêmulas...
Sorrissos e lágrimas escondidos nas dobras
do papel...
Os olhos dos amantes lêem em busca
da voz de seus amados...
Debaixo da porta , são muitas as esperanças...
A janela abre-se e o luar inspira as mãos
aflitas, que covardemente despencam-se
em palavras que jamais poderão dizer...
Um rosto perdido cala-se e escreve...
De qualquer lugar, existe alguém esperando...
Abrem-se os envelopes perfumados cheirando
tempo e saudade...
Dentro de uma caixinha, todas empilhadas, aguardam
as próximas...
Páginas e mais páginas...
E a música do amor não para de tocar ...
Nunca para de tocar...

Enviado em 25 de janeiro de 2000.


Nossa Galeria