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O corpo da mulher é a mais linda poesia
Seios , nalgas , ventre
São palavras de um poema
O corpo de um poema é feminino , é mulher
As palavras engravidam na simplicidade orquestrada
As palavras já nascem moldadas para o belo
Quisera o mundo entender o corpo de um poema
Pudera os insensíveis vestir da feminilidade da palavra um segundo apenas
Um segundo seria o bastante para sentirem a leveza de ser um amante
Pudera o mundo conhecer o ventre
O ventre que nutre a paixão
Pudera o mundo celebrar a sede que purifica o inevitável
O corpo de um poema é explicável
É dança de relâmpagos num céu ativo perceptível
Pudera o mundo celebrar a mulher como astro
Pudera o mundo amadurecer com fertilidade do corpo de um poema
Eu posso dizer que acordo casado com esse poema
Enviado em 08 de julho de 2002
O poeta hoje está calado
Partiu fruta temporã
Temporário inerme vive
O bardo sabe esperar a conclusão do seu poema
O Ajuntador de palavras conhece a espera do amor
O amor sabe chegar e também esperar
O poeta hoje trocou a sua roupa
Vestiu-se de menino para brincar na sua pureza
Para alinhar o sol e a lua
Sem nada saber de astronomia
Menino astronauta
Astro poeta menino
Menino nunca poetastro
Menino trouxe em lábios um beijo guardado para quando a sede chegar
Poder degustar o íntimo desejo e nele saciar
O poeta hoje traz sete velas
O menino sete vidas
O Ajuntador sete palavras
Em sete dias Deus fez o mundo
Sete dias duas vezes vem alimento
Menino veste de sua mais linda emoção para homem ser
E sair da solidão conhecida
Triste é morrer na solidão e não saber o feto do amor em
gestação
Sete dias duas vezes vem alimento
Enviado em 08 de julho de 2002.
Divisamos assim o amor
Eu e você
Divisamos assim a noite e o dia
Cada um vela o seu tempo
Divisamos o nosso amor
Precisamos juntos ser hóstia
Divisamos assim saudades
Somos viola em cantoria
Abro a sagrada fonte de pernoitar delírios
Delírios íntimos que a tua lua sabe visitar
Vem amor ser carta simples da felicidade
Divisamos desejos
Posso escutar em mim o teu perfume campestre do ouro das Gerais
Divisamos letras com dizeres escritos que o nosso amor é nácar
Divisamos esse amor flavo
A cor do nosso amor somente nós conhecemos
É multicor
Enviado em 08 de julho de 2002.
Estou em minha transformação
De poeta e louco
Faço verso no lado esquerdo do coração
Visito a minha lucidez
Compro passagem
Recebo carta que me nomeia rei do aqui presente
Louco fico atravessando o mar que me pertence
Não tenho mar
Tenho caneta para carteiro entregar a carta que escrevo
Minha carta é pesada
Levo tinta
Levo pena
Carrego mundo
Estou inerme
Tenho rio para te ofertar
Tenho lágrimas lascivas
Nunca ouvi falar em eróticas lágrimas
Me disseram que os poetas são loucos
Que amam diferente
Me disseram que os poetas vivem almas
Me disseram
Estou meu amor , poeta sentado
Esperando a tua nudez chegar
Enviado em 08 de julho de 2002.
A porta é aberta
O solo é fértil
O homem no ponto pensa no rastro da fome
Alguém ao seu lado pergunta o seu nome
Parado à procura do seu limite ele chora a noite passada
Lembra de promessas
Confessa para si mesmo que muitas janelas estão fechadas
O homem inerte confunde o mundo
Compra um lote e ali faz a sua lápide
Em suas mãos o lápis o faz poeta de uma difícil missão
Escreve uma missiva detalhando a sua ida
A semana é santa
Homens se vestem de anjos
O impostor se faz presente
Caminha lentamente o indigente
Tropeça nas palavras querendo compor um verso atual
Tenta o suborno e esquece da sua senha digital
Vem o gandavo dizendo que comprou um pedaço do espaço sideral
E com sua gazua duplicada oferece a geena
A porta abre e num manto azul a esperança vence...
Enviado em 08 de julho de 2002.
Um cálice
Uma mistura que depositada fará do cálice vida
Um gesto diferente de pernas
Que anda no prazer oculto
Um jogo do amor
Novamente um cálice de mulher
Cala o homem
Fala o seu prazer
O homem entende pálido que o verso só ler quem tem prazer
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Todo dia notícias
Anjos vestem de amores
Homens vendem horrores
Pergunto ao meu anjo da guarda
Por que a sílaba é cortada
Por que morrem palavras
Sujeitos ocultos lançam o verbo da morte
Vivemos a morte?
Quero lançar um pedido de vida
Quero todos
Quero a possibilidade das cores humanas misturando no caldeirão a
fermentação
Misturando vida
Quero pedi a ambição de ter paz
Quero misturar o nosso sangue
Quero notícias boas
A sílaba será inteira
A palavra será o meio
Nós seremos o louco pedindo o líquido
Pedindo a amálgama
Pedindo a fusão do amor
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Fabrico minutos
Vendo relógios
Adormeço sonhos
Especulo amor
Mato fome
Distancio coração
Permaneço oculto
Rio da solidão
Amasso pão
Cubro paixão
Avanço sinal
Perdôo vontades
Bebo da cor
Diamante da dor
Lapido tesão
Corro da fome
Invisto no chão
Nasce vida
Morre um na imensidão
Algemo monstro
Descubro a limitação
Velo noite
Choro ida
Acampo o seu corpo
Quebro acordo
Acordo junto de ti o meu desejo
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O homem que escreve
Não pergunta ao poeta
Que verso deve declamar
O poeta que declama
Não pergunta ao menino
O que ele escreveu
O menino não pergunta
Ao homem nem mesmo ao poeta
O que eles escreveram ou declamaram
O menino é capaz de um simples olhar
Traduzir o seu poema
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Ao amor ainda que efêmero
Levo nas lâminas cortantes
Ferindo a pele o sabor de um vermelho que existiu
Ao momento que ainda permaneça oculto
Pois somente assim viverá
Existirá o equilíbrio necessário
Para corpos em ardência não cortarem em demasia
Com as cortantes lâminas do amor
Desconheço às vezes as pegadas dos meus passos traçados
Em montanhas ,rios e medos
Báratro é fácil avistar
Difícil em penas desenhar nos papíros
Ilustrando a vontade secreta de esculpir a clareza de nosso desejo
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Descobrir na estrada
A fonte
Descobrir na fonte
A pureza da água
Descobrir na água
A sede do querer
Descobrir no querer
A vontade
Descobrir
Cobrir de emoção a nascente de nossos desejos
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A procura é eterna quando abrimos a janela
E encontramos várias portas
Ser moderno é adquirir o conteúdo de cada vivência
E nela conseguir o reflexo do eterno
Plugar cada história de nossa infância
Informando o futuro a sabedoria de pedaços
Pedaços de emoção
Pedaços de razão
Esperar não somente a pedra ser momento
Não vivenciar a loucura da máquina somente
Pois o beijo cabe em lábios ávidos
Conduzir
Esperar a travessia
É ter o combustível necessário
É acreditar que fronteiras virão
E que a vontade será imbatível
Esperar um novo tempo
E nele mergulhar a esperança
Pois ainda vive dentro de nós
Um ser chamado humano
Que ama
Que chora
Que sabe abrir o coração e ainda dizer: amo.
Enviado em 09 de novembro de 2000.