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Se eu pudesse voltar atrás...
um dia... só, que fosse em minha vida, já não seria tão triste
e talvez me refizesse dos erros e desenganos dessa extensa caminhada.
Se eu pudesse reter o sol nascente
em minhas mãos e guardar a sua luz,
meus dias não seriam tão vazios,
meus olhos não seriam tão tristonhos
e meu semblante seria só de paz.
Se eu pudesse... se eu pudesse...
mas não posso.
A minha vida é uma gaivota mutilada,
minha alegria partiu de madrugada
e o meu sorriso não tem mais a mesma cor.
Se eu pudesse...
restou somente uma saudade caprichosa a lágrima que me afaga e que ansiosa
faz-me lembrar a cada instante o meu amor.
Enviado em 26 de junho de 2001.
Hoje, abro portas e janelas
que dão para o nada.
Nosso girassol murchou
abatido, jogando pétalas
ao vento frio do outono.
Só uma imensa saudade
continua florescendo.
Enviado em 26 de junho de 2001.
Quero fitar os teus olhos benditos
espelhos de minhalma semi-abertos.
Gosto de vê-los claros, tão bonitos
nessas manhãs de sol, sempre despertos.
Estrelas salpicadas de infinitos
em noite escura pelos meus desertos
são esses olhos, sonhos inauditos
a palmilhar os meus passos incertos.
Quando eu me for, retém a minha mágoa.
Não deixes que meus olhos rasos dágua
tenham que enfim dizer-te o meu adeus.
Fiz estes versos presa em teu olhar
trazendo minha dor a soluçar,
fitando com ternura os olhos teus.
Enviado em 07 de fevereiro de 2001.
Eu te amei no entardecer da minha vida.
Um amor sincero e dedicado,
que chegou meio atrasado.
Um amor puro e pagão,
como criança que não nasce no seu tempo,
assim foi nosso amor,
um temporão.
Amor de tantos sobressaltos,
de ausências, de incertezas e de medos;
de tantas esperanças e sonhos altos
onde escondi os meus anseios e segredos.
E quando o sol se põe na minha mocidade,
tingindo esse meu céu interior
eu sinto em te dizer toda a verdade,
tão tarde,...aconteceu o nosso amor.
Enviado em 14 de fevereiro de 2000.
Desesperada esperança
que voa nos labirintos
da minha própria indulgência
e perde-se
nos infinitos corredores
das minhas sombras.
Asas pequenas
para transpor os muros
de um amanhã sem luz.
Procuro o sol nas gotas do orvalho
que a noite esqueceu nas flores.
Encontro-o
através da transparência das luzes,
mas sinto-me exangue e abandonada
como um pássaro afoito
que se choca na vidraça
em busca da liberdade.
Enviado em 14 de fevereiro de 2000.
Minha poeta triste e amargurada,
eu quero em teu sorriso me encontrar.
Mas tu, no entanto, não sorris por nada
e o teu sorriso mora em meu olhar.
Minha flor bela, tão despetalada...
tu foste um dia o meu desabrochar.
Partiste numa fria madrugada
sem adeus, como um pássaro a voar.
Eu renasci te amando em meus poemas
e fiz de ti, motivo dos meus temas,
falei contigo, às noites, desse amor.
Hoje padeço as dores mais extremas
a dividir-te as mágoas mais supremas
Minha Florbela...minha bela flor.
Enviado em 21 de setembro de 1999.
Meus dias são de inverno e de amargura,
cheios de sombras, muitas vezes baços.
Ao meu olhar, o mundo desfigura
e a dor persiste em me envolver de abraços.
O azul do céu por vezes me tortura,
a luz do sol se torna em ameaça.
Desbotam as cores, já não há ternura
e a vida não tem mais a mesma graça.
Procuro me encontrar na voz do vento,
tentando descobrir no sentimento
do seu cantar, a minha inspiração.
Na essência desse triste pensamento
reside minha dor e meu tormento
a caminhar com a minha solidão.
Enviado em 21 de setembro de 1999.