
Cidade: Leiria - Portugal
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No deserto da minha existência
sei um Oásis
onde faço paragem...
depois das minhas longas caminhadas
Mas quando de longe antevejo
a insuficiência dos meus passos,
não sei se sei um Oásis
ou se apenas sei uma miragem !
Enviado em 03 de setembro de 2001.
Sinto-me feliz,porque estou triste.
Sinto-me feliz,por experimentar a dor
desta tristeza!
Sinto-me feliz
porque me sei presente a assistir
ao desfile carnavalesco da vida.
Eis-me aqui...
No pranto que escorre
nesta dor que persiste
e nesta ânsia de amor.
Eis,que me faço pena...
Ah! Se eu fosse outra pessoa
com o meu coração...
Acariciava-se...limpáva-me as lágrimas
e dizia-me baixinho:
-Chora mulher
faz-te bem chorar!
Mas se já descobriste
que ainda sabes sofrer...
Estás a tempo ainda,
vem viver,
vem Amar!
Enviado em 03 de setembro de 2001.
(Dedicada ao meu filho Naldito)
-Quando eu ser grande
e tu seres pequenina,
vou-te pegar ao colo, mãe!
E abraçava-me com força,
talvez para engrandecer
essa promessa, essa esperança,
ou para mostrar-me, feliz,
a força dos seus braços infantis!
E ria...ria contente...
por ter dito uma frase inconsciente,
ou por ter feito uma conversa tão comprida!
Ho! Criança! Quanta eloquência
puseste nessa boca pequenina!
Quanta contingência nessa precoce evolução da vida!
Ouviste, Mãe? Quando eu ser grande
vou-te pegar ao colo.
E tornava a rir.A rir feliz
com as faces, com a boca, com o nariz...
E fitou-me com os olhos engelhados
contraídos pelo riso...e admirados
de não me verem sorrir.
E as mãos! essas mãos tão delicadas,
feitas de rosas franzinas...
caíam...docemente,pequeninas
sobre o seu regaço, abandonadas...
-Ouviste, Mãe?
Ouvi sim, meu amor!
Mas agora faz té-té!...
E virando-lhe o rosto moreninho
contra a luz do candeeiro
e contra a luz da verdade
que deixou no meu olhar...
Adormeço esse menino
que acabou de me acordar!
Enviada em 29 de setembro de 2000.
Amo os espaços, sem limites de horizontes!
Amo o céu sem nuvéns...o infinito eterno!
Amo olhar as aves, que esvoaçam pelos montes!
E o sentir de um poeta assente num caderno.
Amo o ser que é belo, grande, imenso e forte!
Amo o Sol, o mar e a lua carmesim!...
E por ser tão vasta até ropriamente a morte
Eu consideraria bela,
se não fora um termo, um fim!
Não me peça, pois, sílabas contadas
creia, meu amigo, que não sei sentir,.
se me sujeitarem a ideias apertadas
jamais poderei escrever, extravasar, expandir!...
Da minha alma, nunca senti a forma
mas deve ser imensa, sem marcos nem fronteiras...
talvez esguia como a própria fôrma,
mas frondosa e livre, como palmas de palmeiras!...
E embora cabendo em mim
não tem princípio nem fim!...
Enviada em 29 de setembro de 2000.
No deserto da minha existência
sei um oásis
onde faço paragem...
depois das minhas longas caminhadas.
Mas quando de longe antevejo
a insuficiência dos meus passos,
não sei se sei um oásis
ou se apenas sei uma miragem!
Enviado em 20 de junho de 2000.
Oh! Embondeiro de cabelos brancos,
Soba das matas! Rei velho!
Quantas gerações viste nascer
nessas cubatas de barro vermelho ?
Oh! Embondeiro de cabelos brancos!
és o duende das matas,
o colosso das senzalas!...
Eterna pincelada negra e pura
no
sangue das cubatas!
Enviado em 20 de junho de 2000.
...quando volto
alquebrada e triste, por voltar,
trago comigo
uma modesta capa de cartão,
onde se encontram dispersos
os meus versos
fáceis e singelos...
lê-os depois, meu amor,
e sorve de manso aquelas lágrimas
que retive nos dedos, ao escrevê-los!
Enviado em 27 de abril de 2000.
Amo os espaços, sem limites de horizontes!
Amo o céu sem nuvéns...o infinito eterno!
Amo olhar as aves, que esvoaçam pelos montes,
e o sentir dum poeta assente num caderno.
Amo o SER que é belo, grande, imenso e forte!
Amo o Sol, o mar e a lua carmesim...
E, por ser tão vasta, até propriamente a morte
Eu consideraria bela,
se não fora um termo, um fim!
Não me peça, pois silabas contadas
creia, meu amigo, que não sei sentir
se me sugeitarem a ideias apertadas, jamais poderei escrever,
extravasar, expandir!...
Da minha alma, nunca senti a forma
mas deve ser imensa, sem marcos nem fronteiras...
talvez esguia como a própria forma,
mas frondosa e livre, como palmas de palmeiras!...
E embora cabendo em mim
não tem principio nem fim...
Enviado em 27 de abril de 2000.
E só porque me mostra o céu,
esse céu que só acaba
Na raíz do meu jardim!...
...Eu que não sou nada
- a não ser eu,
Vivo um pouco mais
além de mim!
Enviado em 14 de abril de 2000.
Apalpo onde me doi
e não me encontro!
Deixo escorrer o olhar
p´los restos negros, dispersos,
onde passou a queimada...
e olho á roda de mim
e é tudo tela estragada!
Vou-me embora
e vai comigo
apenas a imagem de um amigo.
O imbondeiro moribundo
gemia, fumando...fumando...
qual cachimbo de bailundo!...
Enviado em 14 de abril de 2000.
Noite bela, plena de magia
noite Angolana,
trazes contigo
a voz dos silêncios...purificada
pela morna brisa
que o teu corpo emana
Ao longe, muito ao longe
uma queimada
Junto de mim
a noite!
Angola-tu sempre foste
um imbondeiro e uma cubata
uma rebita ou uma palmeira
ou uma negra batendo no pilão
o dêm-dêm da muamba
ou o maquesso do pirão.
Mas as tuas noites
Que ninguém retrata
por te faltar a luz...
É bem sei
Quando dás asas
ao teu e ao meu coração
e quando as nossas almas
de mãos dadas
ajoelham aos pés da mesma cruz
E no meu andar perdido
pela escuridão de uma rua
Só tu e eu
Na mesma capa de breu
Salpicada de estrelas e de Lua!
Enviado em 05 de março de 2000.
Não.Não estou só!
Vive dentro de mim,
escondido,
Um ser
parecido comigo
Que nunca quis nascer!
Enviado em 14 de janeiro de 2000.
A terra raivosa e quente
morde-te os pés...
O Sol beija-te os ombros e o colo
e o teu sacho, desce indulente
às raízes do sólo
Lavras de mandioqueiras
como tu,
selvagens...livres...trigueiras...
Negra! Oh! Negra
que pelas lavras te perdes!...
Porque não nascestes verde?
Porque não nascestes verde!
Enviado em 14 de janeiro de 2000.
Nasci uma vez mais!
Embala-me o regaço misterioso das trevas.
De longe, trazidas pelo vento
morrem batucadas, ao compasso da chuva
e do pensamento ...
Mas, a alma concebida e apertada
extravaza no leito mole da madrugada
matizes de uma vida.
Sobre as cinzas do cacimbo
a agua cai. Lava os caminhos
e pincela de verde as Africas da Natureza!
Bem vinda sejas, Primavera!...
Que neste cheiro a terra molhada
germinei de novo
entre a minha raíz antiga
e o teu POVO.
Milú Ramos
Enviado em 07 de janeiro de 2000.
Na gente que passa
p'la minha janela
passa a moça sem graça
de saia amarela.
vai muito calada
de olhos no chão
parece assustada
entre a multidão.
Os olhos sem brilho
a boca sem fala,
procurando o trilho
com a sua bengala.
É jovem ainda
a moça sem graça,
mas sonha que é linda
através da vidraça
Eu hoje quis ve-la
de perto...e então,
eu pus-me à janela
frente à multidão.
Esperei por ela
e chegou por fim.
E a saia amarela
sorriu-se p'ra mim.
E naquele sorriso
tão franco e aberto,
acontece improviso
em pleno deserto.
Medi com ternura
toda a extensão
da doce amargura
dessa solidão.
E na tarde calma
tão só como ela...
eu visto à minh'alma
uma saia amarela
Enviado em 02 de outubro de 1999.
A tarde até parece estar esquecida
de morrer nos minutos do momento...
a sorvos miudinhos bebe a vida
p'la taça de cristal do firmamento...
Um bando de andorinhas plana e traça
elípticas de mundos de quimera...
embriagados de luz, de sol e graça,
ressuscitam em mim a Primavera!
E através da tarde assim parada
deixo esvair a alma pelos dedos
em volúpias de paz e de prazer...
Em seu regaço sinto-me embalada
e para além de mim, vivo os segredos,
que ela me conta e que não sei dizer !...
Enviado em 11 de agosto de 1999.