Nathan de Castro Ferreira Júnior

E-mail: nathanjr@digimaster.com.br
Cidade: Divinópolis - MG


Conversa de Felipão

Guardo um trunfo na manga da camisa
e vou trazer a copa sem Romário!
-mando bater... e o Emerson alisa...
e o Lúcio em(Polga) as portas do armário!

Toco um Roque pauleira no atacante,
depois, Roberto Carlos pra sedá-lo
e um cafuné - Cafú meio ofegante...
-na nuca do ponteiro, Silva um galo!

Kaká, Rivaldo, Kléberson e Juninho;
Ronaldos... Ronaldinhos da esperança
dos gols que nos encantem canarinhos!

Mas, se falhar o plano... sou poeta,
e o trunfo assustador ponho na dança...
-Qual time agüentará meus dois capetas?

Enviado em 08 de maio de 2002.


Sentença de um poeta

Quando a noite fria seduz minh` alma triste e a lua
me põe na boca o gosto doce de romã madura;
formosa estrela canta a luz na madrugada escura
cravando um raio de esperança e paz na minha rua.

De manhã, o sol bate solidão feroz no peito e
uma voz rouca vem com o vento despertar meus medos,
me intimida, me sufoca, mas lembra que os meus dedos
somam mais que os obstáculos aos quais estou afeito e

como que pra me livrar de toda culpa e pesadelos,
navego a esmo a vida com paixões, canções e aos poucos
transformo em frases os meus últimos fios de cabelo e

me entrego corpo e alma aos versos de um poema novo
que brotam pensamentos desvairados, quase loucos:
--- Sou meu fiel juiz, dito a sentença e logo me absolvo!

Enviado em 27 de fevereiro de 2001.


Sentença para a amada

Suspeita de nunca ter me amado e de enfeitar meus lábios
com a cor de seu batom e ao som de um belo poema;
me enfeitiçar e me envolver, prendendo-me a seus braços
e à minha revelia, instalar-se nestas linhas como tema.

Suspeita de nunca ter me amado e povoar os meus sentidos
com o brilho dos teus olhos, sua voz e seu perfume;
me levar a julgamento e, como se eu fosse bandido,
me torturar a carne e a alma com o seu olhar de lume.

E por ter caminhado ao meu lado e até na ausência
deixar marcada a essência da noite com a mais amarga bebida. .
__Não me deixaste alternativa e sem mais ventania;

declaro-te culpada e dito a sentença:
__Implacavelmente te condeno a vagar por toda a vida
pela minha mente conturbada e entrelinhas de minhas poesias.

Enviado em 27 de fevereiro de 2001.


Celebração (Fazendo poesia)

Hoje, liberto de sofrer a dor feroz da angústia e
já sem a triste solidão dormindo ao meu lado;
pois que enganado pela minha própria astúcia,
sempre celebrei que o amor vive de passado.

Voei livre pelos sonhos e por belas frases
com a confiança do suco, sumo, sementes;
certo que a lua, mesmo na mais triste fase;
linda, clara e nua no céu (quase indecente),

ouvia a mesma música que eu nas noites frias,
me deleitava ao tom e rimas de um poema novo.
(Qual nada).__Prenunciava a minha agonia.

Hoje quando a dor samba em meu peito e a lua,
batuca em minh` alma ao som oco de um bumbo,
celebro a tristeza com o sofrer quase perfeito.

Enviado em 27 de fevereiro de 2001.


Fragmentos de estrelas

Caminhando apressado sobre cacos de lua e
fragmentos de estrelas que espalhei pela estrada;
não me foi possível vê-la apagada pelas ruas
a chorar a solidão daquelas tristes madrugadas.

O tempo passou, mas nunca esqueci do vento
assanhando seus cabelos, derrubando folhas secas;
me avivando pelo corpo arrepios suaves e sedentos
de seus beijos, seus abraços e sua pele de seda.

Hoje a saudade é redemoinho em meu peito e
espalha poeira em meu coração todo encharcado,
deixando-o escorregadio, mas, como que refeito

das lágrimas e do orvalho que nas noites frias,
derramamos juntos, eu e a madrugada e
nos tornamos íntimos, fortalecidos na poesia.

Enviado em 27 de fevereiro de 2001.


Flamboiãs Floridos (O dia em que eu morri)

O dia em que eu morri amanheceu de céu azul risonho
e os pardais fizeram festa na minha janela,
como querendo celebrar comigo o final de um sonho;
protegidos pela paz que `inda restava naquela aquarela.

Flamboiãs floridos,
estrada asfaltada,
coração vencido
e à tarde, a tristeza de nuvens carregadas.

Chuva de verão,
lágrimas de inverno,
barro e lama pelo chão
e estes rabiscos numa folha de caderno.

O dia em que eu morri, fui dormir mais cedo;
não por medo!. . .
Só pra passar e eu poder sentir depressa
o novo céu da liberdade.

Enviado em 27 de fevereiro de 2001.


Eu, a Lua e a Poesia

Quero acordar com a luz do sol sorrindo na grama orvalhada
e ouvir os pássaros cantando na galhada da mangueira;
seguir a pé pela velha trilha que leva à chapada e
esgotado, afogar o meu cansaço nas águas da cachoeira.

No almoço: arroz branco, angu, quiabo e a tenra carne de frango caipira.
Fogão a lenha, panela de ferro e um bule de café quentinho,
depois, um pito de paia pra esquentar o peito e tragar bem devagarinho
todos os aromas que venham com o vento acalentar os meus sentidos.

E quando a noite chegar quero estrelas salpicando a relva verde,
espalhando a música que um dia me feriu, mas, me deixou a sede
da conquista. . .

E conquistamos juntos: Eu, a lua e a poesia,
o direito de espalhar versos de amor pelas madrugadas
ao som das corujas, grilos, sapos... E toda a bicharada
que solidária à nossa dor, enfeita e encanta a nossa alma.

Enviado em 27 de fevereiro de 2001.


Como quem faz amor

Eu faço poesia como quem faz amor com a mulher amada
e o prazer é tamanho, que morro um pouco a cada verso;
e até quando afinal, a morte chegar e beijar minha face;
vou querer um poema que espalhe amor por todo universo.

E rumo às estrelas, cantando a paixão com novas palavras,
sorrindo lágrimas, chorando pétalas e explodindo emoções;
vou querer um soneto que conte o segredo da lua que nasce
espalhando luares por entre as folhagens dos corações;

e feliz eu serei, quando matar de vez a saudade
que por toda a vida dominou meu peito e roubou-me a alegria;
mas, que por ironia, despertou em mim o som das palavras...
Hoje eu faço poesia como quem faz amor com a mulher amada.

Enviado em 27 de fevereiro de 2001.


Homem do Sertão

No rosto molhado,
o suor escorrendo,
no peito ardendo
um coração oprimido.

As mãos calejadas,
seguram a enxada;
essas mãos que nunca
abriram um livro.

Esse é o retrato do homem do sertão
e que Deus abençoe suas rudes mãos.

Enviado em 27 de fevereiro de 2001.


Quem é Você?

Quem é você, poeta louco; que em versos,
sangra o próprio peito de tristeza e de alegria,
que quando canta, chora as luzes do universo
e quando chora, canta estrelas em poesia?

Quem é você, poeta louco, que em rimas,
traduz em páginas, suas mágoas mais secretas?
E com tanta dor e solidão, ainda afirma que
a poesia é o som e dá o tom d' alma deserta?

Sombra de paixões, canções e amores mortos,
espectro de sonhos, emoções e desejos
que, vaga perdido pela vida em trilhos tortos;

andarilho que de tanto sol e vento,
encosta o corpo magro para descansar seus medos;
e à noite seduzido pela lua, morre de contentamento!

Enviado em 27 de fevereiro de 2001.


Letras de Fôrma

Você sorriu pra mim e disse;em letras de fôrma:
__A forma de você me amar, é que me atordoa;
me trata como musa, me toca só com luvas,
me deixa insegura, me faz andar na chuva;
e eu não quero me molhar, não, não! . . .
Não quero me molhar, não, não! . . .

Você olhou pra mim e disse; com os olhos de drama:
__A chama desse nosso amor, não dura muitos anos;
deixa o tempo cinzento, se apaga com o vento,
polui meus pensamentos, me arrasta mar adentro;
e eu não quero me afogar, não, não! . . .
Não quero me afogar, não, não! . . .

Você chorou e então me disse, com os olhos em prantos:
__O canto desse nosso amor, altera os meus sentidos;
afeta os meus ouvidos, me faz ver inimigos,
me deixa um tanto aflita, ainda mais deprimida;
é que eu não quero amar, com medo! . . .
Com medo de sofrer, tão cedo! . . .

A estrada então, se fez assim, cheia de poesia;
canções e mais canções de amor, loucas melodias;
pois que a vida é só o tempo, e o tempo é tempestade,
faz parte o cinzento, pois canto a liberdade;
e hoje eu vivo pra cantar, a vida!
E, a liberdade pra viver, a vida!

Enviado em 08 de abril de 2000.


Gosto de Sal

Quando me encontro no quarto sozinho,
parto pra longe, alterando o caminho
que há muito trilho cançado, faminto,
opaco e sem o brilho dos poemas que pinto.

Quando volto ä realidade, a luz me comove;
chove lá fora, mas nenhuma folha se move.
E a gente pensa que a vida assim, não pode;
e que nesta Terra, um dia, a canção explode!

Uma lágrima rola fria no rosto e
uma lágrima, não vale o gosto do sal;
posto que uma lágrima, é só uma lágrima
e precisamos urgentemente inundar todo o sol.

Precisamos inundar os mares da Terra;
os rios, lagoas, montanhas, crateras;
de esperança na vida, de fé e felicidade,
de amor, de paixão e de muita vontade.

Enviado em 08 de abril de 2000.


Pedras

Gente não nasce pra viver como párias!
Na contramão da história e sem memória,
trancados entre quatro paredes ou
agonizando como peixes na rede.

Soldados desarmados e sem guerra
morrendo nas frentes sem batalhas,
inúteis penetras a viver na Terra e que
não devem nunca destruir muralhas.

Não nascemos pra viver como pedras.
Pedras, pedras, simplesmente pedras
quebradas, caladas e cumprindo regras,

mas, nascemos pra brilhar como pedras,
Diamantes, Diamantes, Diamantes
indomáveis, fortes e mais:__Pensantes!

Enviado em 08 de abril de 2000.


Delírios do Tempo

Lábios encantados
marcaram a retina,
com gosto de mulher
que fere o olfato com olhar felino.

Qual música ele cantou
e me deixou tão triste?
De que cor eram as pétalas
da rosa vermelha que ele desfolhou?

Íris que atravessa mares,
delírios de raios solares,
vertigens de paisagens
esquecidas na memória.

Tempo, os contratempos,
levam a vida com o vento.
Gempo, os sentimentos,
provocam tempestades de pensamentos.

Enviado em 08 de abril de 2000.


Pé de Vento

A noite é pequena pra tanta estrela
e na penumbra não consigo vê-la.
O maestro sangra a sua batuta e
a música emula com a escuridão.

Tanta solidão parece o infinito,
tortura, um grito, quem sabe, a sorte,
angústia, medo, talvez a morte

como querendo um pé de vento
ou água gelada como alimento;
pra consumar seu torpe intento e
desencadear um novo elemento

com rugas na face, sem fantasia
que dorme de dia e vive de noite
cantando a vida em sua poesia
varrendo a poeira do pensamento.

Enviado em 08 de abril de 2000.


Ossos da Cidade Morta

Numa noite sem clavícula,
a cidade sem mandíbula
equilibra-se nas vértebras
como se fosse a capital.

Central da fome, da miséria,
das costelas à mostra
maxilares famintos de artérias
sedentos de sangue Aorta.

Nas calçadas, praças e sarjetas,
debaixo de enormes viadutos
iluminados por letras em néon
que maquiam o caos absoluto.

Fêmur, tíbia, Fíbula, Úmero,
embrulhados em papéis do lixo.
São tristes os ossos sem ofício
dos mendigos da cidade morta.

Enviado em 25 de janeiro de 2000.


Páginas

Página vazia é espaço perdido
como célula morta ou
como o breu atrás da porta;
e brincar com as palavras,
construir frases, fazer rimas,
corta a tristeza, anima a alma.
Página em branco não tem som,
não tem música, não tem nada. . .
É simplesmente mata derrubada,
sem aquele tom que encanta os olhos.
Brincar de preencher páginas
é como mergulhar num córrego
de águas límpidas e claras que
carregam a vontade de verter lágrimas.
São muitas histórias pra contar,
idéias perdidas no ar;
e a cada página preenchida,
há a esperança de uma nova vida.

Enviado em 25 de janeiro de 2000.


Madeiras de Lei

Madeiras do meu Brasil. . . Pau-brasil!
Qual ave encanta a Peroba do Campo?
Quem mora neste sertão céu de anil,
certo que é "Aroeira", mas chora aos prantos.

Madeiras de lei, sem leis pra salvar.
Angico Vermelha, Acapú, Jatobá,
Maçaranduba, Cedro e Jacarandá, choram!
Choram também, os Pinhos do Paraná.

Mogno, Sucupira, Açoita-cavalo,
o açoite é feroz e o Ipê Roxo, claro,
sangra mais que a bela Seringueira e

A Peroba-rosa mancha o Óleo Vermelho,
o velho machado, já não é o Pau de Ferro,
derrubam Braúnas, morre o verde-amarelo.

Enviado em 25 de janeiro de 2000.


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