
E-mail: rogeriosandoli@ig.com.br
No mundo dos sonhos, existíamos desde o instante primeiro.
No nosso universo, o tempo não tinha sua vez...
Nosso primeiro abraço, nosso primeiro beijo.
Nosso primeiro filho e suas primeiras palavras.
Lembra-se? Nada era ditado pela opressiva lógica do tempo.
Começamos a namorar quando já nos conhecíamos há séculos
E nos casamos sem nunca termos nos conhecido.
Tínhamos nossos filhos e nos encontramos e nos amamos...
Nossos netos nasciam, nossos filhos começavam a engatinhar
E gerações e gerações de nossos descendentes
Puderam contemplar nosso próprio nascimento!
Sem o tempo, a única lógica existente era a do Amor!
A existência era algo perfeito, onde tudo era completo.
Nada deixara de existir e tudo existia desde sempre...
E às almas foi dada, como essência, a eternidade...
Mas algo aconteceu e parte de ti partiu para este mundo...
Sem tua metade, já não éramos perfeitos, já não éramos
eternos...
E o tempo foi criado para que se pudessem contar os dias de tua
ausência.
Parte de mim foi condenada à este degredo que é a vida.
Tive que nascer para vir te procurar... e carreguei o peso de ser
mortal.
Teria de viver meus dias sem que me fosse permitido lembrar.
Iniciava, para mim, a eterna busca de mim mesmo e de minha
história.
Vivi sem saber a quem procurava, mutilado da melhor parte de meu
ser...
E assim, conheci muitas pessoas, muitos lugares, muitas
épocas...
Tudo enterrado no sepulcro da memória.
Amei, fui amado, esqueci e fui esquecido.
Fui amado sem corresponder e amei sem ser correspondido.
Sorri, chorei, fiz sorrir e fiz chorar...
Construí minha história com a sensação de ser tudo apenas uma
ilusão
E com a certeza de que o vazio que me acompanhava era real.
Quando te reencontrei, nosso mundo reconstruiu-se em minhas
esperanças.
Reconheci-te pela luz primordial da Criação que trazias em teus
olhos.
Lembrei-me de nossas almas que nos esperam no mundo dos sonhos...
E compreendi!
Teria minha busca terminado? Estaria livre deste vazio que pesa
tanto?
Mas, mais uma vez, tive minhas esperanças apartadas de meu ser
Ao perceber que tu não me reconheceste...
E assim, ao te reencontrar, novamente te perdi...
Os beijos que sempre foram meus, davas a outro.
Teu corpo não era ao meu que enlaçava.
Dos teus sonhos, não me foi permitido compartilhar...
Mas sou eu quem os habita! Procura-os e verás!
Dê-me a oportunidade de o provar!
Deixes que a lógica do Amor nos devolva a eternidade perdida!
Do nosso mundo de sonhos, rogamos nossas almas e a de
nossos filhos ,
Que venhas nos buscar, transformando-nos em Realidade...
Arealva, 11-10-1999
Enviado em 27 de março de 2000.