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Tenho em mim toda a sede
que um homem tem por um teto
e todas as vontades em meu verso
Meu presente é um prazer sem nexo
Quanto mais estou longe
mais eu estou perto
Tenho em mim todos os rumos
todos os seres e prazeres
Tenho em mim todos os deuses do mundo
Em mim tenho todos os saberes
todos os conheceres
E nada em mim é profundo
Tenho em mim todos os mundos
Mas meu prazer não é meu
é do mundo
E é por isso que canto
essas canções sem verso
Que é pra ver seu eu alcanço
A cauda do universo!...
Enviado em 21 de junho de 1999.
Eu acho que as coisas mudaram.
Mudaram pra valer.
O vento girou no rumo contrário,
as folhas caíram. Cresci.
Fiquei grávida de mim!
Colhi a semente
que eu mesma fecundei.
Deitei no leito das rosas,
cresci da espuma do mar.
Sonhei que estava entre feras,
e caí no abismo do mar!
Matei a sede de mim.
Enviado em 21 de junho de 1999.
Eu esqueço o que fiz ontem
Assim como não sei
o que farei amanhã
Meu tempo é agora
e vivo durante
enquanto dura minha estação
Se as flores me abrem
e me nascem os frutos
sou semente pensando no futuro
Meu tempo não é meu
e não o domino
meu tempo é do mundo
Eu apenas navego
num espaço-tempo imaginário
e sonho com uma vida mestiça
Enviado em 21 de junho de 1999.