Sidnei Brasil

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Poeta

Que capacidade incrível tem o poeta de respirar bem fundo o dia a dia,
Que habilidade fascinante, de fazer do sentimento a estrela guia,
Que arrasta o coração marcado pelas emoções constantes;

Seu poder de perceber tantos detalhes que nos traz o cotidiano,
E o dom de misturar num verso o céu e o oceano,
Faz o poeta viver bem mais que qualquer outro mortal;

E ele vive muitos anos mais do que qualquer outro ser vivente,
Percebe tudo o que acontece à sua volta, pois, não só vive, ele sente;
Aos vinte, já viveu cem anos.

E chora a amada que jamais amou;
E agride o rival que só imaginou;
Sente saudades de quem nunca existiu.

Ama, odeia e quase mata, sensibilidade bem mais forte.
Cria, sorri, brinca, desdenhando a própria morte.
Vive catando pela vida pedacinhos de amor.

Enviado em 21 de janeiro de 2001.


Quanto

O quanto é grande o meu amor tão louco,
Enquanto a vida chora em qualquer canto.
Causa-me imensa dor e faz-se rouco,
Em todo adeus, este meu triste pranto

E quanto sofro ao me sentir distante;
Me falta o manto que acoberta a alma,
Na calma doce de teu corpo santo,
Porquanto é isso que meu peito acalma.

O quanto choro quando vais embora.
O quanto alegre fico em tua volta.
Solta o meu peito o seu sonhar mais puro;
Queda-se o muro que fazia escolta.

E quanto sonho em viver contigo!
O quanto vivo a sonhar desperto!
Bem perto sinto teu beijar tão doce,
Como se fosse a luz de céu aberto.

E quanto range a cama em noites quentes,
Pois sente os corpos a chamar carinhos;
Tantos caminhos que não têm destino,
Inebriantes quanto faz o vinho.

Quanto me mata o sentir perder-te!
Quanto vazio há na tua ausência!
É tanto quanto me perder sem vida;
Secam meus lábios a pedir clemência.

Tudo é tanto e ao mesmo tempo nada.
Cada dia é busca de acalanto.
Busco sempre não perder-te nunca;
Busco tanto amar-te e nem sei quanto.

Enviado em 12 de novembro de 2000.


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