| COMEX | Nascido do idealismo de um grupo
de linguistas e professores da área de Letras, funcionários do Banco do Brasil, o curso
Comunicação e Expressão à Distância representou um marco na utilização de técnicas
alternativas na educação empresarial. MÉTODO O ensino presencial sempre foi (e continua sendo) dominante em todos os níveis. Há 12 anos atrás tratava-se, pois, de obra pioneira na empresa. Pois bem, esse grupo criou vários módulos ilustrados que continham noções de gramática, sintaxe e técnicas redacionais, estabeleceu critérios de cores para avaliação dos trabalhos produzidos pelos alunos e, mais do que isso, recheou tudo isso com uma boa dose de instigação para desafiar os participantes a desvendar o mundo através da palavra. Os módulos impressos compunham a parte mais tradicional da técnica educacional mas o diferencial estava numa linha direta de comunicação telefônica, um "tira-dúvidas" que funcionava durante os vários meses de realização de cada curso. Apesar da clareza com que eram fornecidas explicações e fundamentos redacionais, o objetivo era maior do que a simples formação de "bons redatores": tratava-se de auscultar suas expectativas profissionais e pessoais através da crítica incessante. INTERAÇÃO O elo de ligação entre mestre e aluno ainda existia mas fora deslocado do eixo tradicional (eu sei, você aprende) para a interação estimulada pelo material didático oferecido e pela possibilidade de solução de dúvidas ao vivo, através do telefone convencional. O telefone hoje é um recurso banal de comunicação. Mas imagine, naquela época, a possibilidade de interagir com monitores totalmente disponíveis para a solução de problemas. Não era mais o mestre que ditava as regras, os mandamentos para os alunos, mas os alunos que se dirigiam espontaneamente a monitores que se dispunham com entusiasmo a participar desse processo de criação de conhecimento. Os educadores mais tradicionais poderiam argumentar, genericamente, que "a presença do professor é indispensável no processo ensino-aprendizagem". Mais importante do que a presença física de um "iluminado", o que existia no COMEX, era algo bem mais participativo: os alunos passavam 2 horas diárias, durante aproximadamente 4 meses, lendo os módulos e redigindo dissertações e outros textos na companhia de companheiros de trabalho. Residia nesse convívio o contato pessoal com personagens das mais diversas formações. Ao contrário da tendência natural de render-se a explicações pré-formatadas de professores em aulas expositivas, os treinandos encontravam ambiente propício ao debate e troca de experiências que superavam os assuntos do dia-a-dia de trabalho. ALGO MAIS... Motivados pela intensa discussão diária, os assuntos encaminhados via telefone, em sua maioria, iam além da simples resolução de dúvidas de sintaxe e gramática, da colocação pronominal e regras de pontuação. Eram levadas ao plantão de atendimento desde discussões literárias até apaixonadas questões filosóficas que não somente eram importantes para os treinandos, mas também incentivavam o grupo de monitores ao aperfeiçoamento de suas competências. Apesar de hoje parecer um modesto uso de tecnologia, o emprego do telefone nesses debates criou a consciência, entre os educadores do Banco, de que o cliente interno desejava bem mais do que "adestramento". Pela primeira vez, podia-se ouvir esse imenso público. A partir desse curso, uma verdadeira revolução ocorreu na área de recurso humanos. Mesmo nos cursos em sala de aula foram-se incorporando novas técnicas e, principalmente, uma nova perspectiva nas relações didáticas. |
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