Por quê?

Colonialismo    Independência    República     Getulismo    Redemocratização    Golpe de 1964    Diretas Já     Metodologia    Público-Alvo    Objetivos     Plano de Trabalho

A história política e social do Brasil é caracterizada pela existência de regimes políticos autoritários. Passamos parte de nossa história sob tutela desses governos, comprometendo o exercício da cidadania e democracia no país.

COLONIALISMO

No período colonial o ideal de liberdade e igualdade foi completamente sufocado, (para citar as mais conhecidas: Inconfidência Mineira e Conjuração Baiana), com Portugal exercendo um forte controle administrativo e social. Segundo o jurista e historiador Raimundo Faoro, o português não fundou na América uma nação, mas um prolongamento do Estado. Para o colonizador: "Tudo volta às origens, dentro de uma estrutura secular: os navios que trouxeram os donatários e os colonos não trouxeram um povo que transmigra, mas funcionários que comandam e guerreiam, obreiros de uma empresa comercial, cuja cabeça ficou nas praias de Lisboa." Estávamos, desta forma, sujeitos à opressão e as leis impostas pelo estado português, cuja palavra liberdade tinha o sentido de inconfidência e traição.

INDEPENDÊNCIA

Quando finalmente conquistamos a Independência (1822), nossa primeira Assembléia Constituinte de 1823 é dissolvida arbitrariamente. Em 1824 é outorgada por D. Pedro I uma constituição autoritária e conservadora, na qual prevalecia o poder Moderador sobre os outros poderes. Sinalizava-se que o poder, de fato e de direito, estava nas mãos do Imperador.

REPÚBLICA

Com a proclamação da República por um grupo de militares e uma oligarquia insatisfeita com o Império, um novo regime é instaurado. Porém, pouca coisa mudou em relação à participação popular na vida política do país. O historiador José Murilo de Carvalho nos conta como, Aristides Lobo, o propagandista da República, "manifestou seu desapontamento com a maneira pela qual foi proclamado o novo regime. Segundo ele, o povo, que pelo ideário republicano deveria ser protagonista dos acontecimentos, assistira a tudo bestializado, sem compreender o que se passava, julgando ver uma parada militar". Apesar de alguns avanços em relação aos direitos políticos e sociais, novamente a população fica à margem da participação em decisões políticas do novo governo, que se diz do povo e para o povo. Rapidamente surge uma oligarquia controladora do sistema político, econômico e social, que mantém o poder através da força dos coronéis e do voto de cabresto, até a Revolução de 1930.

GETULISMO

Liderada por Getúlio Vargas e apoiada por um grupo de jovens militares participantes do movimento tenentista, os ideais urbanos começam a prevalecer sobre o domínio rural dos coronéis. O país ingressa definitivamente no processo de industrialização. Por outro lado, nos deparamos com problemas de ordem política e social. Novamente a democracia e os direitos do cidadão são relegados a um segundo plano. Getúlio Vargas, deixando transparecer sua face caudilhesca e autoritária, não convoca eleições constitucionais e, desta forma, estoura em São Paulo a Revolução Constitucionalista de 1932, resultante, segundo o historiador Boris Fausto, não só da insatisfação da oligarquia paulista pela perda da hegemonia econômica e política, mas também de uma luta pela retorno da vida constitucional e democrática do país.

O governo de Getúlio Vargas vence a guerra contra São Paulo Em 1935 esmaga a tentativa de tomada de poder pelos comunistas, comandada por Luiz Carlos Prestes, líder da famosa Coluna Prestes, capitão do Exercito e um dos poucos tenentes que não apoia Vargas em 1930. Em 1937, através de um golpe de estado, institui o Estado Novo, governo de modelo fascista, controlado por uma constituição corporativa e manipuladora das grandes massas. O período é marcado pela repressão dos direitos civis, do cidadão, pelo controle da censura em todos os níveis, de prisões e torturas contra os opositores do regime.

Em 1945, com o final da Segunda Guerra Mundial, Vargas não se sustenta no poder, pressionado pelos aliados vencedores na guerra contra o fascismo europeu e o militarismo japonês. Além disso, a partir do Manifesto dos Mineiros em 1942, o ditador sofre uma grande oposição no plano interno, pois a população não mais suportava viver sob um regime autoritário que cerceava a liberdade e os direitos humanos.

REDEMOCRATIZAÇÃO

Com a redemocratização do país, vivemos um período democrático de quase 20 anos (1945 a 1964). Novos partidos políticos são formados e eleições gerais são realizadas dentro da normalidade democrática. Apesar disso, assistimos algumas sinalizações de golpe militar e civil (principalmente pela União Democrática Nacional - UDN,) como a tentativa de impedir a posse do eleito Presidente da Republica, Juscelino Kubitschek, em 1955, e do Vice-Presidente, João Goulart, em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros.

GOLPE MILITAR

Em 1964 estoura o golpe militar eliminando por um longo tempo a democracia brasileira. Instala-se um período de grande repressão e, novamente, os direitos do cidadão são complemente desrespeitados. Ocorrem prisões, torturas, censura, ,armas da ditadura contra a democracia e os direitos do cidadão. Endurecendo finalmente, em 1968, o AI 5 cassa deputados e políticos, prende estudantes e operários, qualquer pessoa que reivindique participação na vida pública da nação.

DIRETAS JÁ

No final da década de 1970 e início de 1980, o país está de novo em campanha pela redemocratização. A população se levanta pelas "Diretas Já". Assistimos o surgimento do Partidos dos Trabalhadores; a eleição de Tancredo Neves, ainda no Colégio Eleitoral e sua morte; a posse democrática do Vice-Presidente José Sarney, inflação e pacotes econômicos; o surgimento do Movimento dos trabalhadores sem-terra (MST); a primeira eleição direta para Presidente desde 1964, vencida por Fernando Collor, confisco da poupança e a participação popular em seu impeachment; o governo Itamar Franco e o plano real; a eleição de Fernando Henrique Cardoso para Presidente, em 1994, e a campanha pela reeleição nos dias atuais.

PÚBLICO-ALVO

Nossa escolha por um projeto cujo o público situa-se na faixa etária de 13 a 16 anos, vem em função desses adolescentes estarem vivendo um momento de muitos questionamentos em suas vidas, e também, ingressando no mundo adulto, com direito e deveres inerentes à vida pública.

A frágil democracia brasileira ainda está em construção. É fundamental que os princípios dessa democracia e o exercício da cidadania façam parte da vida dos nossos jovens. A participação política; o respeito ao ser humano, na diversidade e com solidariedade; a igualdade de oportunidades e a liberdade constituem em um aprendizado permanente, porém, cada vez mais distantes dos nossos adolescentes. No dizer de José Bernardo Toro, " A democracia é como o Amor; não se pode comprar, não se pode decretar, não se pode propor. A democracia só se pode viver e construir. Por isso ninguém pode nos dar a democracia. A democracia, que toma toda uma sociedade, de construir e viver uma ordem social onde os Direitos Humanos e a vida digna sejam possíveis para todos." [1997, p.20].

Precisamos envolver e sensibilizar os jovens na discussão de temas tão importantes, pois, em última instância, vão influenciar os destinos de suas vidas, e porque não, das nossas.Em recente artigo, publicado no jornal Folha de S. Paulo, no caderno Cotidiano, de 31/05/98, o jornalista Gilberto Dimenstein, divulgou o resultado parcial de uma pesquisa em fase de conclusão realizada com os "futuros donos do poder" entrevistando 5.000 adolescentes O resultado desta pesquisa é assustador e preocupante. Segundo o jornalista, "expostos à frase 'quanto mias grana melhor', concordaram quase com unanimidade".

Dimenstein aponta um grave contradição: enquanto consideram o cartão de crédito tão importante quanto a carteira de identidade, condena e desconfia da atual geração de poder, "justamente a geração que, ao destruir a ilusão da igualdade, estimulou a ideologia do cartão de crédito." A conclusão geral do grupo multidisciplinar envolvido na pesquisa, formado por psicanalista, produtores de programas tipo MTV e cultura, professores, jornalistas e publicitários, foi a seguinte: "os futuros donos do poder não se sentem respeitados, imaginam-se distantes, sem porta-vozes". Alguns dados estatísticos são reveladores: 44% não querem votar; 58% não se sentem preparados para votar; numa escala de 1 a 10, a frase "político brasileiro é safado" ganhou 8 pontos; perguntados sobre quantos políticos prestam em todo país, nenhum conseguiu pensar mais de 10 políticos.

Gilberto Dimenstein nos alerta para três questões fundamentais: a primeira, os jovens não podem se sentirem representados, pois, consideram "safados" os detentores do poder e da vida pública do país; a segunda, nossa juventude pede a reinvenção das diversas formas de poder, quer seja no mundo da escola, da família ou da política; e o terceira, podemos considerar resultante da "pobreza de experiência", como diria Walter Benjamin, da nossa política: "Estamos diante dos rebeldes apáticos, para os quais o cartão de crédito se transformou em ingrediente indispensável de cidadania."

Acreditamos na responsabilidade de estimularmos o adolescente para a criação de hábitos e ações em seu quotidiano, provocando o exercício da cidadania, a partir, de pequenas ações que, aos poucos, envolvem o jovem na da vida pública de sua cidade , tornando-o sensível aos problemas da comunidade.

Ações como a iniciativa do sociólogo Herbet de Souza, o Betinho, em sua campanha "Ação cidadania" mobilizou o Brasil em torno da solidariedade, acabando com o mito, segundo o qual, as pessoas não estão dispostas a se ajudarem e construir algo novo. O próprio Betinho diz: "Esse movimento ganhou a sociedade, corações e mentes e virou realidade. Ë que democracia não vive sem solidariedade, sem amor à igualdade, sem participação de todas as pessoas nas mudanças que vêm através da ação, que não é puro discurso nem vive das promessas do amanhã, esse amanhã estrutural que nunca acontece na conjuntura." [1996, p.73/74].

O exercício da cidadania pode vir por diversos caminhos. Buscando utilizar a linguagem dos jovens, pretendemos atingí-los em suas mentes e corações. A importância da democracia, da cidadania e da política estará permeando todo o projeto Poderíamos, finalmente dizer, como Hanna Arendt, "O sentido da política é a liberdade."

OBJETIVO GERAL

Despertar e estimular uma reflexão crítica no adolescente enfatizando, fundamentalmente, a importância do exercício quotidiano da cidadania como forma de intervenção na vida política, econômica e social do país.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  1. Destacar a importância da participação política como forma de intervenção e consolidação da democracia no país.
  2. Discutir os princípios fundamentais da democracia, destacando a importância das conquistas sociais e dos direitos do homem através do exercício da cidadania.
  3. Relacionar "liberdade e responsabilidade" como princípios fundamentais no exercício da cidadania.
  4. Despertar o adolescente para hábitos e ações quotidianas como, economia de energia elétrica e água; limpeza da cidade; participação em associações comunitárias de bairro; preservação ambiental urbana e rural; e outras questões do dia a dia que constituem direitos e deveres de cada cidadão.

METODOLOGIA

Passar a mensagem da importância do exercício da cidadania, a partir de uma linguagem própria do adolescente, crítica e descontraída.
Técnicas como: videoclipe; um folder bastante atraente, com mensagens curtas e bem direcionadas ao nosso público-alvo; programetes de rádio; e, como não poderia deixar de ser, um site com atividades interativas.

PLANO DE TRABALHO

  1. Videoclipe com imagens de desrespeito à cidadania, em contraponto à letra de uma música adequadamente escolhida. Imagens rápidas, recortes, transições, inclusive relativas ao desenvolvimento do projeto de cidadania com turmas do Ensino Fundamental.
  2. Folder contendo breves frases alusivas ao conceito de cidadania. Utilização de charges e glossário de termos relativos ao tema cidadania.
  3. Série de programetes de rádio Minuto da Cidadania, com utilização de diálogos, gags e sugestões levando conceitos relativos ao tema.
  4. Site para jovens - Brasil Cidadão - veiculando os conteúdos trabalhados na outras mídias do projeto. Teste Cidadômetro (identificador instantâneo do grau de cidadania do adolescente).

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