DIA DE CÃO

Passeava tranqüilamente pela praça. Naquela cidade ainda se podia caminhar e sentar calmamente num dos bancos da praça central. De repente, passou um cachorrinho, desses que fogem de casa e, às vezes, nunca mais voltam. Examinou bem atentamente o animal e percebeu que tinha machucado uma das patas e, por isso, mancava vez ou outra. Ficou com pena, pensou na quantidade de cachorrinhos que ficam assim, desamparados, perambulando pelas ruas da cidade, passando fome e sendo chutados e maltratados por todos. Pensou, também, na falta que lhe fazia um cãozinho. É... morava sozinho numa casa. A cidade não tinha muito problema de ladrão, mas nunca se sabe...

Foi, assim, considerando a conveniência de, quem sabe, levar o bichinho para casa, cuidar de sua patinha machucada e adotá-lo.

Chegou finalmente à decisão após notar que o pobre animalzinho revirava umas latas de lixo. "Coitado, vai comer comida estragada". Ofereceu-lhe umas pipocas e foi fazendo amizade, guiando-o para sua casa.

Ao chegar, amarrou-lhe a pata com bandagem, uma ripinha para firmá-la. Comida, improvisou uma casinha confortável, água.

E foram se afeiçoando um ao outro, de tal maneira que quando ia trabalhar, sentia saudade do cachorrinho, pensava no que ele poderia estar fazendo. A pata logo ficou nova e o animal já corria e fazia festa com muita vitalidade, sempre que via seu dono chegar.

Um belo dia, notou algo estranho. O rabo estava assumindo uma forma esquisita, meio pontudo. As orelhas cresciam, também pontudas. Mais alguns dias se passaram e os dentes - é, também os dentes - estavam se modificando, estavam mais afiados. "Ele está crescendo. Na rua, ia ficar um cachorro raquítico.

Numa sexta-feira à noite, foi tomar chope com uns amigos. Divertiram-se, cantaram. Até arrumou uma namorada e combinou sair com ela no sábado. Lá pelas duas da madrugada, foi embora.

Ao chegar, reparou que o cão não veio fazer festa ao portão. Entrou. Um silêncio total havia no quintal. Foi até a casinha, ao quartinho de despejo. Nada. Pegou a chave e começou a virar a fechadura. Um urro forte ouviu. Um urro muito grave. Olhou para trás e lá estava uma criatura medonha, de mais de dois metros de altura, com quatro patas, de cor vermelha e preta. O pêlo era eriçado e parecia ter saído de uma fogueira. Foi tudo o que conseguiu ver. Logo foi devorado de uma só vez e nunca mais foi encontrado.

Redação a partir de trabalho coletivo de alunos da OCA - Oficina de Comunicação Administrativa

   Voltar ao início

LuisInfo Educação Informática Escolares Autor

Copyright Ó 1998-2004 Luis Antonio de Morais - Belo Horizonte - Brasil