| MACHUPICCHU
A CIDADE PERDIDA DOS INCAS
Com um passado ainda envolto em mistério, Machupicchu é, hoje, uma cidadela conhecida em
todo o mundo, a par das pirâmides do Egito, da grande muralha da China ou das ruínas de
Pompéia.
Texto e fotos: Alexandre Coutinho


País: Peru (República del
Perú 1821)
Área: 1285215 km2
População: 20 milhões
Capital: Lima
Moeda: Intis e dólares norte-americanos
Idiomas: Castelhano e quechua
Vacinas: Nenhuma obrigatória; febre amarela recomendada nos Andes
Documentos: Passaporte e seguro de viagem
Hora: GMT menos 5 horas
Destino: Machupicchu, nos Andes peruanos (entre as cordilheiras de Vilcabamba e
Urubamba).
Mapas: Mapa Vial del Peru
|

Edificada num penhasco situado a mais de
2350 metros de altitude, a antiga cidade inca de Machupicchu (em língua quíchua, velha
montanha) encerra ainda muitos dos seus segredos. Desde a sua descoberta, em 1911, pelo
historiador americano Hiram Bingham, que se multiplicam as mais variadas teorias em torno
do seu valor estratégico, religioso e social.
Cidade das mulheres eleitas para servir os soberanos Incas (80 por cento do esqueletos
encontrados eram de indivíduos do sexo feminino)? Local de retirada estratégica durante
as guerras fratricidas dos Incas? Certo é, que os conquistadores espanhóis do Século
XVI não tiveram conhecimento da sua existência, mas este fato poderá encontrar
explicação no abandono da cidade por parte dos próprios Incas, anos antes da sua
chegada.
Para outros arqueólogos foi, sobretudo, um lugar de culto religioso ao Deus Sol, no
culminar de longas romarias pelo famoso «trilho inca», uma via empedrada com 33
quilômetros, por encostas escarpadas onde predomina a vegetação sub-tropical da
região.
Na verdade, este passado que permanece envolvido em mistério, constitui um dos principais
atrativos para as centenas de turistas que visitam a cidadela anualmente. Machupicchu é,
hoje, conhecida em todo o mundo, a par das pirâmides do Egito, da grande muralha da China
ou das ruínas de Pompeia.
Os edifícios da cidade, depois de alguns trabalhos de recuperação, apresentam-se em
excelente estado de conservação, distribuindo-se de acordo com as funções a que eram
destinados ou a classe social dos seus habitantes. O «bairro alto» era ocupado pelas
castas religiosas e pelas famílias mais abastadas, enquanto os operários e escravos se
alojavam nas pequenas casas situadas mais abaixo, mais encostadas à falésia.
No meio da praça central («plaza principal»), os Incas procediam às suas
manifestações religiosas e, no topo de uma elevação vizinha, o templo do Sol e a pedra
sagrada («roca sagrada») onde os sacerdotes cumpriam os rituais e os sacrifícios de
lamas e outros animais domésticos para satisfação do Deus Sol. «Templo de las Três
Ventanas», «Las Puertas», «La Calle de las Fuentes», são alguns dos muitos pontos de
interesse, mas o melhor é perder-se no labirinto de ruas e ruelas, vasculhar os becos
mais recônditos e imaginar como era vida quotidiana dos habitantes de Machupicchu.
A cidade ocupa cerca de cinco quilômetros quadrados e, na encosta, os Incas construiram
plataformas ou socalcos agrícolas que, ainda hoje, conservam os seus sistemas de
irrigação e os celeiros onde eram guardados os produtos das colheitas. Desaparecida a
civilização inca, o seu testemunho permanece para sempre gravado naquelas pedras de
granito, cuja técnica de corte e encaixe dominaram como ninguém.
Bem cedo, pela manhã (7H30), quando as brumas da aurora começam a dissipar-se, é a
melhor hora para visitar e fotografar Machu Picchu, longe das hordas de turistas que
invadirão a cidade durante o resto do dia. De Junho a Setembro, Machupicchu recebe uma
média de mil visitantes por dia! Para tal, terá de sair de Cusco no primeiro comboio da
manhã (4H00) ou pernoitar na pousada construída junto à entrada da cidade inca.
Para desfrutar plenamente da visita a Machupicchu, convém observar dois ou três dias de
adaptação à altitude em Cusco. |