TENHO A SÍNDROME DO PÂNICO,

MAS ELA NÃO ME TEM!

TRANSTORNO DO PÂNICO

É A NOVA DENOMINAÇÃO DA  SÍNDROME DO PÂNICO OU  DISTÚRBIO DO PÂNICO POR DETERMINAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE

 

BRASIL - INICIADO EM  20/09/99 - ATUALIZADO EM  20/12/2008     

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MITOLOGIA

 

O nome Pânico foi adaptado do grego  Panikon e derivado do deus , figura  mitológica  Grega, Filho do deus Zeus e da ninfa Calisto ou de Hermes e da ninfa Dríope, de acordo com alguns autores. Este ser  habitava os bosques junto às fontes, mas  tendo predileção pela Arcádia, local em que nasceu. Era um ser horrendo; da cintura para baixo como um bode peludo e da cintura para cima como homem, porém com chifres. Era uma divindade travessa e galanteadora, mas sempre rejeitado por sua feiúra. Portava sempre uma flauta feita de caniços do brejo. Infundia  terror entre  os camponeses e pastores com a sua aparição repentina, de onde surgiu a denominação  Pânico,  o terror repentino.

 

Protetor dos pastores e  camponeses, teve um templo erguido na cidade de Atenas, ao lado de uma praça do mercado denominada Ágora. Neste local se reuniam um grande número de pessoas, daí se originando a palavra  Agorafobia: -  termo que enquadra as pessoas portadoras do TP, as quais sentem medo de ter uma nova crise nos mesmos locais de uma anterior ou em locais de grande concentração de pessoas. Isso faz com que elas evitem esses locais ou deixem de sair de casa.

 

O MEDO ALIMENTA O MEDO

 

ÍNDICE

 

AUTOR

 

Fernando Mineiro

 

Tenho 63 anos e dois filhos. Sou casado há 40 anos com a Rúbia, minha eterna namorada. Sou fundador e coordenador  do GruPan - Grupo de Apoio aos Portadores do Transtorno do Pânico de Belo Horizonte - MG. Quando o tempo me permite, dedico-me à Astronomia como astrônomo amador. Sou ex-industrial na área de saúde. Sou autor do livro que leva o mesmo título dessa página, porém mais abrangente.  Sou portador do TP há 48 anos, 35 sem diagnóstico, 8 na fase de controle, sem crises e sem medicamentos e sem fobias, porém com sintomas isolados. Consegui controlá-los com exercícios de relaxamento, de respiração e de exposição que sempre faço. Esses exercícios constam em meu livro. Estou há mais de 4 anos sem nenhum sintoma isolado e 100% livre desse distúrbio. Guardo na memória as tão sofridas crises que enfrentei, o que me dá incentivos para continuar  com o trabalho voluntário no GruPan.

 

Dedico esta Home Page à minha esposa Rúbia,

pois sem o seu apoio incondicional, nada disso seria possível.

 

MINHA EXPERIÊNCIA COM  O TRANSTORNO DO PÂNICO

 

Eu tinha 14 anos e  trabalhava no setor de administração de um Banco, durante 6 horas diárias. O ambiente  era  agradável, nada estressante.  Eu estava tranqüilo e executava a minha tarefa, como o fazia todos os dias.

 

Alguns minutos após o início do expediente, sem nenhum motivo aparente, meu coração disparou. Uma onda de calafrios percorreu todo o meu corpo. Comecei a suar frio e a ter uma sensação de que ia desfalecer. Meu peito doía, sugerindo que eu estivesse  tendo um ataque cardíaco. Em seguida, veio a falta de ar; parecia que algo estava fechando a minha garganta. Faltava-me o chão, parecia-me que o meu fim chegara.

 

Tudo isso aconteceu na frente de meus colegas de trabalho, os quais atônitos, ficaram sem saber o que fazer. Achavam que eu estava tendo um ataque do coração. Levaram-me imediatamente ao setor médico do Banco, mas, quando lá cheguei, tudo havia passado; não havia nenhum vestígio do quadro horripilante. Nem o médico sabia o que me acontecera.

 

O episódio voltou a acontecer várias vezes e em locais diferentes. A minha peregrinação aos consultórios médicos havia começado. Realizei todo tipo de exames possíveis, pois os sintomas eram precursores de várias doenças. Estava com a saúde perfeita, nada que justificasse todos aqueles sintomas. O médico diagnosticou estresse sem causa aparente, eu teria de continuar na minha peregrinação para saber o que estava causando aquele estresse. Pediu-me para não me preocupar com os sintomas. Caso o fizesse, iria aumentá-los. Recomendou-me que procurasse me distrair, praticar esportes e que não desse muita importância ao fato.

 

A peregrinação continuava e os diagnósticos se modificavam. Um diagnóstico de disritmia me levou ao consumo de remédios fortes, por vários meses. Um dia, joguei todo o vidro pela janela. Fiz novo eletroencefalograma e deu em nada, eu nunca havia tido disritmia. A partir daí, a situação piorou; achavam que talvez fosse problema mental. Dessa data em diante, abandonei a minha peregrinação aos consultórios e assumi a minha situação de portador de "não sei de que".

 

Convivi com esse sofrimento,  que evoluiu  até aos 18 anos. Achava que, talvez, com o passar dos anos, já tivessem uma tecnologia para saber o que eu tinha. Fui  a um  cardiologista de renome e, após vários exames, outro diagnóstico:  extra-sístole ventricular, provocada por uma possível comunicação dentro do coração, que normalmente existe na vida intra-uterina.  Não sendo corrigido, acarretaria danos irreversíveis. Após vários exames, veio a solução: cirurgia.

 

A data para a intervenção cirúrgica já estava marcada. Com meu peito aberto,  eles fechariam essa comunicação. Havia, porém, 5% de chances do diagnóstico estar errado; eu deveria fazer  o cateterismo. Tinha que decidir se faria ou não este exame, pois era de grande risco e sua tecnologia era recente.  Hoje em dia é um exame corriqueiro. Introduzem um tubo fino (cateter) através de uma veia do braço até o interior do coração, para coleta de amostras de sangue. Se houvesse mistura de sangue venoso com arterial, a comunicação  existiria. Decidi pelos 5% de chances. Houve, porém, uma complicação: o  cateter que hoje é descartável, naquela época era reutilizável, o que resultou em contaminação. Meu organismo entrou em choque e por pouco estaria deixando de dar este testemunho.

 

O resultado foi patético, eu não tinha nada no coração e correra um risco de vida em vão.  Não sabiam  o motivo das extra-sístoles, da taquicardia e dos vários sintomas que me ocorriam.  O jeito foi continuar convivendo com a "coisa".

 

Aos 22 anos, casei-me e tive a felicidade de fazê-lo com um anjo, a Rúbia. Foi o que de bom acontecera comigo desde então. Já não estava sozinho, tinha uma pessoa que me entendia, sabia o que eu sentia e me apoiava - é o de que mais precisamos.

 

Somente em 1992, já com  46 anos, surgia uma luz no fim do túnel... e não era uma locomotiva em sentido contrário. Lendo o jornal pela manhã, deparei-me com uma manchete que me chamou a atenção:  Síndrome do Pânico, o pavor repentino. Relacionavam dez sintomas e  se a pessoa tivesse pelo  menos quatro deles, e com alguma freqüência,  seria um  candidato a portador da Síndrome. Fui lendo, um a um. Praticamente todos aqueles sintomas eu já havia sentido, não  todos juntos, mas sempre com variações, em grupos. Senti alegria ao me ver enquadrado naquele quadro horripilante.  Provavelmente, a minha peregrinação estaria terminada. Enfim, eu iria saber o que realmente tinha, ou, na pior das hipóteses, saberia contra quem lutar.

 

Uma clínica de Psiquiatria estava selecionando  voluntários para teste de um medicamento novo. Não  pensei duas vezes, liguei  e marquei uma  entrevista. Depois de vários questionamentos, fui enquadrado como possível portador,  mas havia necessidade de exames complementares para se ter uma certeza. Fui encaminhado a um Cardiologista e fiz um Check-up completo.  Foi constatado  que eu estava gozando de perfeita saúde.  Confirmado, eu era um portador clássico da Síndrome do Pânico.  Foi como um atestado de sinceridade que eu queria passar para todos aqueles, que, de alguma forma, duvidaram de mim. Realmente eu tinha algo, não estava ficando louco.

 

Após ler um longo documento que eximia a clínica e o laboratório de riscos com o teste do medicamento, assinei um termo de responsabilidade para ser voluntário. A pesquisa era "duplo cego", nem eu nem a clínica sabíamos do teor do medicamento, da quantidade do sal e se era ou não placebo. A pesquisa era de uma multinacional Suíça e o medicamento um antidepressivo inibidor da Monoaminaoxidase, de 2ª geração.

 

A pesquisa teve uma duração de oito meses. Durante esse período, meus exames de sangue e urina eram remetidos diretamente para a Suíça, sem que eu conhecesse os resultados. Esses exames mediam o teor dos neurotransmissores e da substância em teste em meu organismo. Não obtive nenhum resultado com o medicamento, mas havia outras pessoas  que  reagiram positivamente, o que me levou a crer que, no meu caso, o medicamento era um placebo. Fui muito bem tratado pela clínica e tive um acompanhamento psiquiátrico de primeira.

 

Durante o período da pesquisa, como eu estava tomando placebo, as crises continuavam, só que agora eu sabia o que tinha e o que era, Síndrome do Pânico, hoje Transtorno do Pânico. Nesses oito meses, minhas crises chegaram ao máximo e eu não podia mudar de medicamento.  Naquela época, transfigurado com as crises, deprimido e cansado,  fiz o acróstico abaixo:

 

POESIA E DOR

               PENSEI CORRER, FUGIR E GRITAR.

       ÂNSIA  POR ALGUÉM A ME ABRIGAR.

       NINGUÉM ESTOU SÓ, MAS VOU RESISTIR!

      IMERSO EM SUOR ME SINTO PARTIR.

       CANSADO, EXAUSTO MEU CORPO IMPLORA...

       OH!  CRISE FÓBICA  ME DEIXE AGORA!

  

 

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Desligado da pesquisa, mas ainda com o acompanhamento da clínica, tentei utilizar o medicamento testado, já que desconfiávamos que eu utilizara um placebo. Não me dei bem com ele, sentia uns lampejos na cabeça. Mudei para outros  antidepressivos, porém, cada um apresentava um efeito desagradável. Um era antiorgástico, outro dava alteração da libido. Tentei vários medicamentos por orientação de minha Psiquiatra na tentativa de encontrar um com que me desse bem. É importante frisar que um medicamento pode ser muito bom para uma pessoa e ser desastroso para outra. Os sintomas também  podem variar  para cada indivíduo e  geralmente diminuem após algum tempo de uso. No meu caso, não estava me adaptando a nenhum deles.

 

Permaneci algum tempo  com uma variação similar de um antidepressivo, o que reduziu bastante o preço do produto em relação à marca de referência. Minhas crises desapareceram, em seu lugar só ficaram alguns sintomas, um pouco desagradáveis, mas muito aquém daquelas horríveis crises. Li em reportagens de jornais e revistas que esse  medicamento era também utilizado para quem queria emagrecer e que vários médicos, mesmo de outras especialidades a estavam receitando para esse fim. Eu estava emagrecendo muito, por isso desisti também desse medicamento.

 

O último medicamento que tomei por alguns meses,  e  a que mais me adaptei, foi um ansiolítico. Ressalto que todos os medicamentos eram receitados pela minha Psiquiatra, pois até hoje acredito que não devemos nos automedicar.

 

Paralelamente ao acompanhamento psiquiátrico, continuei com minhas pesquisas sobre o TP e sobre os medicamentos. Na ânsia  de querer conhecer o máximo possível sobre o TP,  passei a pesquisar  em livros médicos, assistir a entrevistas,  palestras e a conversar com vários psiquiatras sobre o assunto. Formei uma fonte de consulta em vídeos, fitas, recortes de jornais e livros  de autores portadores da TP. Cheguei à conclusão de que, apesar dos horríveis e indescritíveis sintomas, desse mal eu não morreria; pois  em toda minha pesquisa não encontrara nenhum óbito motivado diretamente pelo TP.

 

Eu sabia que tinha  que enfrentar  a situação - me recolher em casa de nada adiantaria, eu tinha que enfrentar as crises. Lembrei-me de que quando tive minha primeira crise aos 14 anos, o médico havia diagnosticado estresse e aconselhou-me que eu procurasse me distrair, passear e que não ficasse em casa curtindo o mal estar. Talvez, sem saber, o médico havia me passado o que hoje conhecemos como exercício de exposição. O certo é que desde os 14 anos não desenvolvi nenhuma fobia e nunca as crises me seguraram em casa. Passei a levar minha vida com normalidade, sem necessitar de levar nenhum acompanhante  em minhas atividades. Quando estava dirigindo o carro e a crise surgia, eu estacionava, fazia um relaxamento e esperava a "coisa" horrível passar. É horrível, mas sabendo que não se  vai morrer daquilo, eu não alimentava a crise e  dava para agüentar.

 

Apesar de saber que o ansiolítico que eu estava tomando poderia resultar em dependência a longo prazo, não conseguia me livrar dele.  Graças a um episódio curioso que me aconteceu, consegui também me livrar desse último medicamento.

 

Estava de férias em  uma cidade praiana, totalmente relaxado e sem nenhum compromisso. Ainda tomava o ansiolítico, pois ele era a minha tábua de salvação. Passeava com minha esposa pela praia, sentindo aquela gostosa brisa que vinha do mar e aquele  afundar macio de meus pés na areia. De repente, um mal estar, uma dor no peito e a taquicardia. O TP se apossou de mim, tive uma tremenda crise.

 

Rapidamente fomos ao pronto socorro local, que por sorte ficava perto dali. Fui atendido pelo médico de plantão. Narrei o que me sucedera. O médico pediu-me que eu me  deitasse, diminuiu a intensidade da luz e  colocou uma música suave.  Dizia  ter poderes paranormais e  de vez em quando pronunciava palavras que eu não entendia. Dizia que era muito requisitado no hospital e que consertava os aparelhos de eletrocardiograma com um simples passar de mãos sobre eles. Pensei em me levantar e sair rápido dali, porém me contive; estava muito mal. O médico continuou pronunciando as tais palavras, só que agora invocava a presença do sobrenatural.

 

Sou astrônomo amador. Sei que tudo é possível e que mesmo o inexplicável tem razão de ser, mesmo que não o entendamos,  pois a explicação poderia estar aquém de nossa compreensão. Lido com ciências, mas respeito  a liberdade de religião, de pensamento e a forma pela qual cada um encara e aceita a vida.

 

O Médico pediu-me que fechasse os olhos, que inspirasse o ar pausadamente e expirasse bem devagar, que fizesse isso dez vezes. Deveria relaxar todo o meu corpo, começando pelos pés, pernas, abdome, tórax, rosto e assim por diante, mas que fosse passo a passo, sentindo cada parte do corpo relaxando. Quando totalmente relaxado, pediu-me para imaginar-me em um local  bem tranqüilo: praia, bosque, montanha, campo ou em um lugar em que  eu gostaria de  estar.          

 

Realmente me relaxei, cheguei até quase  adormecer. Algum tempo depois eu não sentia nem vestígios da crise. Finalizado a consulta, lembrei-me de já ter lido sobre algo assim. Agradeci ao Médico pelo que fez por mim. Pediu-me que voltasse outro dia para repetir  o relaxamento, achei melhor não fazê-lo.

 

Regressando à minha cidade, procurei pesquisar sobre o que me acontecera. Consultando alguns livros em que já lera sobre o assunto, tirando a parte paranormal do episódio, concluí que eu havia feito um relaxamento autógeno, muito empregado para o tratamento do TP. Tenho utilizado essa técnica assim que percebo que a crise está para surgir, ou simplesmente para me relaxar.

 

Hoje consigo conviver com  o TP sem os medicamentos e sem desenvolver nenhuma fobia, digo conviver, porque sei que ele  ainda não tem cura, o que se consegue é o controle das crises e das fobias. Não faço segredo de como consegui isso. Foi pela minha força de vontade, pelas orientações de minha Psiquiatra, por querer conhecer mais sobre o mal que me afligia,  pelo apoio irrestrito de minha esposa e da minha família, que tiveram muita paciência para comigo e acreditaram em mim.

 

Procuro fazer exames periódicos, principalmente na área cardiológica, primeiro  porque  as crises se assemelham  a essa área  e por outro lado, as crises nos levam a um constante   estresse,  que somados a outros, poderia, segundo pesquisas, acarretar problemas cardíacos futuros.

 

ÍNDICE

 

O QUE É TRANSTORNO DO PÂNICO?

 

PERIGO REAL

 

Um indivíduo passeia tranqüilamente por uma praia gozando suas merecidas férias. De repente, surge uma situação de perigo real. Um cão feroz solto à sua frente! Só há  duas opções,  correr ou enfrentar o perigo.

 

Um gatilho  aciona o mecanismo de alerta e de defesa do cérebro e em poucos segundos seu organismo se transforma. Substâncias químicas são liberadas, os neurotransmissores, dentre eles, a Serotonina e Noradrenalina.  Suas pupilas se dilatam,  o coração dispara para oxigenar mais seus músculos,  sua respiração fica ofegante.  Se  ferido,  não sentirá dor,  pouco sangrará, pois como defesa seu organismo migrará parte do sangue da superfície para o interior dos grandes músculos, por isso ficará pálido.  Sua força aumentará, ou para lutar ou correr. Seu raciocínio é rápido e lógico. Está física e psicologicamente atento para o que está acontecendo. São mente e corpo sintonizados em um só propósito:  sobrevivência. Passado o perigo, tudo voltará ao normal. Este é o mecanismo de alerta e de defesa do cérebro para um perigo real.

 

PERIGO IRREAL

 

Ao contrário do narrado acima, a  sensação de perigo real não existe.  O indivíduo pode estar em uma praia totalmente relaxado e tranqüilo, cercado de amigos e  em segurança, em um cinema, jogando futebol, namorando, se alimentando, dormindo ou  brincando com seus filhos, na mais perfeita harmonia e  tranqüilidade, que mesmo assim, o gatilho do  mecanismo de alerta e defesa do cérebro, que prepara o indivíduo para a fuga ou luta, é indevidamente acionado, só que agora sem nenhum motivo aparente. Também substâncias químicas, os neurotransmissores,  serão liberadas e em quantidades não controladas, só que agora seu corpo não está mais sintonizado com sua mente, ambos estão confusos. A mente não reconhece a situação de perigo e o corpo desse indivíduo se descontrola por completo pela ação dos sintomas e como conseqüência disso, as glândulas supra-renais liberam a adrenalina e o indivíduo desnorteado entra em pânico e o pânico induz a liberação de mais adrenalina. Ele acha que está morrendo e que está ficando louco. Se estiver sozinho, o mundo virá abaixo. Se estiver acompanhado, se agarrará  a esta pessoa como se fosse sua tábua de salvação e não se preocupará com o seu comportamento. A saída para o pronto socorro é rápida e aterrorizante. O indivíduo leva vários minutos para chegar  ao médico, o que parece uma eternidade.  Quando chega, a crise já está no fim. O médico examina e não encontra nada e dá o diagnóstico:  não é nada, é só estresse... Você fica desapontado, confuso e sem saber o que dizer ou fazer.

 

Esse episódio acontecerá por diversas vezes e a pessoa não se  acostumará com  ele. Acreditará que está ficando louco, que tudo aquilo é fruto de sua mente. É comum ficar desacreditado por seus familiares e amigos pelas constantes crises, devido aos médicos nada encontrarem em suas constantes peregrinações aos hospitais. Há casos de separações conjugais devido à falta total de conhecimento sobre o TP pelo casal.  É o caos total. Mas não se desespere, não há registros de óbitos relacionados com o TP. Até o momento não há cura, mas o portador poderá  levar até uma vida normal, basta  querer e  seguir as orientações  e recomendações de seu Psiquiatra.

 

Freud  relatou o TP  em sua obra  - A Neurastenia e a Neurose de Angústia - por volta de 1895. Donald Klein, psiquiatra americano da década de 70, descobriu que certos tipos de ansiedade  respondiam bem a antidepressivos e deu o nome de Panic Disorder. Conhecida até a década de 80 como neurastenia cardiocirculatória ou drama do coração irritável  e, após, como Síndrome do Pânico. Classificada no início dos anos 90 pela Associação de Psiquiatria Americana (APA). Em  1993 foi  reconhecida pela Organização Mundial de Saúde. Recentemente, a  OMS deu-lhe nova denominação, a de TRANSTORNO DO PÂNICO.

 

O mecanismo do TP ainda não foi totalmente  esclarecido. Acredita-se  que  devido a uma falha no "lócus cerúleos", um centro localizado no tronco cerebral, na região do sistema nervoso,  onde se localizam os controles da respiração e da freqüência cardíaca, o mecanismo de defesa e alerta do cérebro, que prepara o indivíduo para a fuga ou luta é acionado por um alarme falso. Isso ocasionaria uma emissão de neurotransmissores, dentre eles: Noradrenalina, Serotonina, Dopamina, Endorfina etc. Não havendo uma situação de real perigo, deixa de haver uma sintonia entre corpo e mente, desencadeando vários sintomas que levam a pessoa ao pânico, pelo acréscimo de adrenalina lançado à circulação pelas glândulas supra-renais.

 

Outra corrente acredita que possa haver uma  doença entre os neurônios. Os neurotransmissores saem do neurônio emissor, atravessam a fenda sináptica e são recebidos pelo neurônio receptor,  podendo haver recaptação pelo neurônio de origem. O neurônio  doente não exerceria a sua função corretamente, provocando uma reação descontrolada em todo o organismo, originando-se  as crises. Há estudos recentes para determinar o neurônio  doente.

 

Um Portador do TP poderá  entrar em Pânico motivado por uma situação de real perigo ou de tensão emocional, sem que isso represente uma crise de TP. Porém, o estresse provocado por essa crise, poderá  funcionar como um agente indutor de uma próxima crise dentro do quadro do TP. Aconselha-se um bom exercício de relaxamento após uma situação de real perigo ou de tensão emocional.

 

VOCÊ PODE TER O TP, MAS SE VOCÊ QUISER, O TP NÃO TERÁ VOCÊ.

 

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SINTOMAS

 

CLÁSSICOS

 

Calafrios.  Confusão mental.  Despersonalização. 
Desconforto abdominal. Distorção da realidade. 

Dor ou desconforto no peito.  Falta de ar.

Fechamento da garganta.  Formigamento.  Medo de morrer.  

Medo de enlouquecer ou de cometer ato descontrolado. 

Náuseas.  Ondas de calor. Palidez.  Palpitações ou  taquicardia.

  Sudorese. Vertigem  ou sensação de desmaio.

 

OUTROS SINTOMAS

 

Acordar sobressaltado.  Atordoamento.  Boca seca. 

Cabeça pesada. Contrações musculares.  Extra-sístoles.  
Flatulência (formação de gases).  Intestino solto.   Irritabilidade. 

Metabolismo acelerado.  Pés e mãos gelados. Rubor facial. 

Sede constante.  Urinar com freqüência.  Zumbido no ouvido.

 

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ESTATÍSTICAS

 

# 50% dos portadores desenvolvem depressão, 90% agorafobia.

# Incidência  de 2 % a 5%  na população mundial, 4% na brasileira.

# A proporção é  maior na  faixa de idade  entre 20 e  35 anos, mas  em menores

proporções, em qualquer idade.

# Atinge três mulheres para cada homem.

# O TP não é psíquico, é um distúrbio químico dos neurotransmissores.

# Filhos e irmãos têm 25% de possibilidades de ter TP.

# O indivíduo urbano está mais propenso do que o rural.

# Não existe prevalência de raça ou condição sócio-econômica.

# Responsável  pelo afastamento do convívio social e abandono de emprego.

# Em média, os portadores têm duas crises por semana, mas há casos de  até três ou

mais, com duração de 5 a 20 minutos, podendo ser superior a esse tempo.

# O TP não invalida os portadores em sua capacidade intelectual ou profissional. 

No início, o rendimento profissional poderá ser abalado temporariamente devido ao desenvolvimento de fobias ou  crises. Após um bom tratamento, retornam às suas atividades. São indicados para atividades que requeiram inteligência, sensibilidade, criatividade e compromisso.

 

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PREDISPOSIÇÃO

 

Dificuldades de se relaxar.  Estresse  constante.  Herança genética.

Incidência é maior nas mulheres.  Perda súbita de suportes sociais.

Perdas abruptas de familiares.  Perfeccionismo.  Pessoas ansiosas.

Portadores de Prolapso da Válvula Mitral. Separação dos pais.

Tensão constante.

 

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DIAGNÓSTICO

 

Geralmente as suspeitas do TP começam nos prontos-socorros ou clínicas cardiológicas e na maioria das vezes, o paciente volta para casa  com o diagnóstico de que  não é nada, é só  estresse. Hoje,  isso está mudando com a grande veiculação na mídia sobre o TP e sua discussão nos Congressos Médicos. Profissionais de outras áreas médicas, tão logo suspeitam da possibilidade do enquadramento de um possível portador ao TP, os encaminham à Psiquiatria.

 

Devido aos sintomas serem comuns a algumas doenças, tais como asma, diabetes, hipoglicemia,  tumores das glândulas supra-renais, cardiopatias,  hipertireoidismo, hipotireoidismo, tensão pré-menstrual (TPM),  labirintite, prolapso da válvula Mitral, Síndrome social e outras, o diagnóstico tem que ser muito criterioso e feito por um profissional de sua confiança.

 

Se você  suspeita que poderá ser  um portador do TP, procure um psiquiatra,  ele solicitará exames clínicos  para descartar outras causas. Em seguida, após avaliação, ele eliminará também as causas psíquicas e dará o diagnóstico e o tratamento. Uma única crise não caracteriza o TP. Somente a freqüência   e o número de sintomas poderão ser avaliados como um possível diagnóstico de TP. Crises isoladas podem ser provocadas por alcoolismo, drogas e estresse.

 

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TEM CURA?

 

Tem controle! Até o momento não se sabe qual o mecanismo inicial que aciona indevidamente o sistema de alerta e de defesa do cérebro, ocasionando as crises do portador do TP, mas há conjecturas sobre as causas prováveis.

 

Segundo foi declarado no Simpósio de Atualização do Tratamento do Transtorno do Pânico, realizado em 12/08/2000, promovido pelo ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP, do qual participei, “a cura do Transtorno do Pânico acontece, em média, após sete anos, em 20% dos casos diagnosticados e tratados, o que significa que a cura poderá ocorrer antes ou após os sete anos. Estar curado é estar livre das crises, dos medicamentos, das terapias e dos sintomas isolados. Os 80% restantes poderão ter o controle desse distúrbio, até que se descubra a cura definitiva, podendo até ficar livre das crises e dos medicamentos, porém terão que conviver com os sintomas isolados, os quais poderão ser de baixa intensidade, se mantida a terapia à base de exercícios de exposição, de relaxamento e de respiração”. A PNL, Programação Neurolingüística  reforça a manutenção desse controle.

 

Fui portador do TP por 44 anos, 35 sem diagnóstico, um ano de tratamento e oito na fase de controle, sem medicamentos e crises. Nessa fase os medicamentos não são necessários, porém, persistem os sintomas isolados, controlados com exercícios de respiração diafragmática, relaxamento autógeno e mudança no estilo de vida. Consegui sair dessa fase de controle. Estou há mais de quatro anos sem nenhum sintoma isolado do TP. Tenho hoje menos ansiedade do que uma pessoa que não seja portadora do TP. Consegui isso com reposição natural do aminoácido triptofano, um precursor natural do neurotransmissor serotonina.

 

È importante lembrar que a reposição natural de triptofano não substitui a medicação receitada. Somente seu médico poderá diminuir  ou suspender a medicação em uso. A reposição não natural de triptofano, já utilizada por alguns psiquiatras,  só deve ser indicada pelo seu médico. Um organismo equilibrado se auto-regula. O texto abaixo (Serotonina) explica a ação do triptofano.

 

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SEROTONINA

 

A Serotonina é um neurotransmissor envolvido na transmissão de mensagens entre os neurônios (sinapse). O baixo nível de Serotonina desencadeia vários distúrbios da área mental, dentre eles, Depressão, Transtorno do Pânico, Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno Bipolar e Transtorno Fóbico Social (fobia social).

 

Os antidepressivos relacionados neste site têm como função normalizar esse nível, porém, geram sintomas desagradáveis, próprios dos mesmos. Esses  sintomas tendem a diminuir e até desaparecem com o uso contínuo desses medicamentos, porém, devem ser utilizados sob prescrição médica e nunca devem ser descontinuados sem autorização médica.

 

Segundo o  "teste de Hamilton" - um teste internacional - uma pessoa com baixa dosagem do aminoácido Triptofano, um precursor da Serotonina, teria altas pontuações, o que a avaliaria como possível portadora de "Transtornos de ansiedade e afetivos, ou ambos". 

 

De acordo com pesquisas recentes, abrem-se a possibilidade de utilizar o aminoácido Triptofano como coadjuvante no tratamento desses distúrbios, porém, sem eliminar ou descontinuar a medicação receitada, fato já seguido por vários psiquiatras.

 

Uma boa fonte do aminoácido Triptofano é a fruta NONI. Originária da Índia, possui registros datados de mais de seis mil anos, porém, se adaptou melhor em regiões vulcânicas sem poluição, em especial na Polinésia Francesa, um arquipélago de 118 ilhas situado no Pacífico sul, onde se localiza uma ilha bem conhecida, o Taiti. Já se encontra nessa região há mais de dois mil anos. É considerada pelos nativos como uma dádiva divina.

 

Ao contrário de outras frutas que só possuem de 5 a 10 nutrientes, o Noni possui 153 nutracêuticos, nutrientes que interagem no organismo produzindo benefícios, dentre eles, o aminoácido Triptofano, um precursor da serotonina.

 

Faço uso do suco do noni há mais de quatro anos. Ele ajudou a equilibrar o nível de  serotonina em meu organismo. Antes do Noni minha dosagem de Serotonina no sangue era de 40 nanog/ml. O normal é de 50 a 200 nanog/ml. Com o uso se elevou para 142,4 nanog/ml.

 

O exame de sangue "Serotonina Total" mostra esse nível, porém, o correto seria a dosagem do "liquor" da coluna, porém, devido aos riscos, o ideal é fazer o do sangue. Esse exame não mostra com exatidão o nível de Serotonina nos neurônios, mas serve como parâmetro. Se está em baixa no sangue, estaria também nos neurônios.

 

O Suco de Noni não é um medicamento e nem se propõe substituir um. Somente seu médico poderá suspender ou diminuir a medicação receitada.

 

"Um organismo bem nutrido se auto-regula não deixando espaço para as doenças".

 

Para mais informações sobre o Suco de Noni, envie e-mail para fmineiro@yahoo.com.br

 

 

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TRATAMENTO

 

Preferencialmente, o tratamento do Transtorno do Pânico deverá ser feito por um Psiquiatra, pois  esse profissional primeiro teve a sua formação acadêmica em medicina, para depois se especializar em Psiquiatria e, portanto, está capacitado a receitar medicamentos e  aplicar a Psicoterapia. Já o Psicólogo não poderá receitar medicamentos, mas poderá promover a Psicoterapia.

 

O tratamento aplicado varia de indivíduo para indivíduo, mas em geral é a combinação de antidepressivos, ansiolíticos e terapias, incluindo os exercícios de exposição e de relaxamento. É recomendável  também a aplicação da Programação Neurolingüística PNL, como forma de terapia sustentável.

 

O Transtorno do Pânico tem sido responsabilizado pelo desmoronamento de vários lares e o responsável por isso acontecer não é o portador do TP. A sustentação da família de um portador depende de seus familiares.  É imprescindível o apoio familiar.  O portador do TP precisa sentir que não está sozinho e que seus familiares acreditam nele.  Os familiares precisam adquirir conhecimentos sobre o TP, para  entenderem  que a limitação de quem está  na fase inicial  é total e que  o sofrimento que acomete um portador  na hora da crise, não tem comparação em escala e em qualquer tipo de doença. É o pavor da morte iminente, que embora não esteja acontecendo e nem vai acontecer,  para ele não é fantasia, é uma horrível e triste realidade.

 

Adquirindo o livro do autor dessa página, você levará esse conhecimento aos seus familiares e amigos e, através dele, será mais fácil lhe darem apoio e você saberá o que fazer nos momentos de suas crises.

 

SÓ QUEM PASSA POR UM SOFRIMENTO DE UMA CRISE DE PÂNICO,

PODE AVALIAR O NÍVEL DE DESESPERO  QUE ACOMETE O PORTADOR

NAQUELE MOMENTO.

 

MEDICAMENTOS

 

NÃO SE AUTOMEDIQUE. SOMENTE SEU MÉDICO TEM CONDIÇÕES DE RECEITAR O MEDICAMENTO QUE MELHOR SE ADAPTE AO SEU ORGANISMO.

 

Até o momento, ainda não existe um medicamento específico para o tratamento do TP. Os medicamentos aqui apresentados têm como finalidade, relatar  o que está sendo mais receitado para o controle do TP, como também as suas classificações e os respectivos laboratórios. Opções: - os de referência, as variações genéricas e os similares. O genérico tem a mesma substância utilizada no medicamento de referência, a mesma dosagem e modo de uso, porém tem uma considerável redução de preço, mantendo a mesma qualidade. Atualmente todo medicamento genérico só poderá ser comercializado após aprovação do Ministério da Saúde e deverá constar a frase:

 

-"Medicamento genérico de acordo com a lei nº 9.787/99"

 

Nota:  Os medicamentos genéricos serão representados, na relação abaixo,

com a letra “G” após o nome comercial.

 

É COMUM QUE UMA PESSOA PORTADORA DO TP  INDIQUE PARA VOCÊ O MEDICAMENTO QUE ELA ESTÁ USANDO, POIS ELA SE ADAPTOU BEM A ELE, MAS ISSO NÃO QUER DIZER QUE SERÁ BOM PARA VOCÊ TAMBÉM.

 

ANTIDEPRESSIVOS TETRACÍCLICOS

 

SUBSTÂNCIA ATIVA

LABORATÓRIO

NOME COMERCIAL

MAPROTILINA

NOVARTIS

LUDIOMIL

 

ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS

 

SUBSTÂNCIA ATIVA

LABORATÓRIO

NOME COMERCIAL

AMITRIPTILINA

CRISTÁLIA

AMYTRIL

AMITRIPTILINA

BASF GeneRiX

AMITRIPTILINA

AMITRIPTILINA

FUNED

AMITRIPTILINA

AMITRIPTILINA

NEO QUÍMICA

AMITRIPTILINA

AMITRIPTILINA CLORDIAZEPÓXIDO

ICN

LIMBITROL

(ASSOCIAÇÃO)

AMITRIPTILINA

PRODOME

TRYPTANOL

CLOMIPRAMINA

NOVARTIS

ANAFRANIL

CLOMIPRAMINA

NOVARTIS

ANAFRANIL SR

IMIPRAMINA

CRISTÁLIA

IMIPRA

IMIPRAMINA

NOVARTIS

TOFRANIL

IMIPRAMINA

NOVARTIS

TOFRANIL POMOATO

NORTRIPTILINA

NOVARTIS

PAMELOR

TIANEPTINA

SERVIER

STABLON

 

ANTIDEPRESSIVOS

INIBIDORES DA MONOAMINAOXIDASE

 

SUBSTÂNCIA ATIVA

LABORATÓRIO

NOME COMERCIAL

TRANILCIPROMINA

SMITHKLINE

PARNATE   1ª GERAÇÃO

TRANILCIPROMINA

TRIFLUOPERAZINA

SMITHKLINE