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MANUAL
DO PORTADOR
Classificado
pelo Ministério da Cultura - Biblioteca Nacional como:
AUTO-AJUDA,
DIDÁTICO E PEDAGÓGICO
3ª EDIÇÃO
REVISTA E AMPLIADA
BRASIL – SITE INICIADO EM 20/09/99 -
ATUALIZADO EM 09/11/2011
O material
deste site está protegido pelo direito do autor.
Registro
no Ministério da Cultura - Fundação Biblioteca Nacional Nº 198.827 Livro 342/486
Copyright 2005 - Todos os direitos
reservados - Desenvolvido por
Fernando Mineiro
Melhor
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O GruPan
pode lhe ajudar a superar de vez o Transtorno do Pânico através de mensagens de
auto-ajuda, técnicas para eliminar a ansiedade e gatilhos que favorecem as
crises. Você terá uma vida totalmente normal. O apoio familiar é muito
importante para a superação do TP, por essa razão, seu primeiro passo é
adquirir o livro "Tenho a Síndrome do Pânico, mas ela não me tem!", o
Manual do Portador – 3ª edição, de autoria do escritor e Presidente do GruPan, Fernando Mineiro, também portador do TP, há mais de
7 anos sem nenhum sintoma.
O livro é prefaciado
pelo Dr. José Ennes Rodrigues Junior.
Psiquiatra, escritor, palestrante, consultor organizacional e ex-integrante da
equipe do Prof. Pierre Weil no desenvolvimento de
Relações Humanas, e apresentado pela Psiquiatra, Dra.
Gislene Valadares Miranda. Médica Psiquiatra – Preceptora
da residência em Psiquiatra do Hospital das Clínicas da UFMG – Núcleo de Saúde
Mental da Mulher.
Além do livro, você receberá, sem custo de correio: 1 CD da palestra de Fernando Mineiro
Vídeo da entrevista com Fernando Mineiro: http://www.youtube.com/watch?v=8cjpFYq_-RI
Posteriormente à aquisição do Kit acima,
você receberá as seguintes mensagens, na média de 7
por dia:
MENSAGENS DE APOIO
01 GruPan - 12
anos em atividade
02 14 passos para o controle
03 Mitologia-Pânico
04 Transtorno
do Pânico
05 Minha entrevista em vídeo
06 Caminhar com técnica
07 Alimentação
do Panicoso
08 Exercício de Respiração Diafragmática
com vídeo explicativo.
09 Como ajudar nas crises
10 Antidepressivos
11 Descontinuação de medicamentos
12 Atividade
Física do Portador do TP
13 Desrealização e despersonalização
14 Hipoglicemia e TP
15 Prolapso da Válvula Mitral
16 Síndrome do Glóbulos
17 Acalme-se
18 Ansiedade-Orientações
Gerais
19 Acordar sobressaltado
20 À noite todos os gatos são pardos
21 Álcool e ansiedade
22 Brancos de memória
23 Zumbido
no ouvido
24 Dor
no peito
25 Extra-sístoles e palpitações
26 E agora, José?
27 Cigarro
e TP
28 Círculo
vicioso
29 Cirurgia e ansiedade
30 Medo
de dentista
31 Medo
de avião
32 Serotonina
33 Agorafobia
34 Fobia
Social
35 Transtorno
Bipolar
36 Transtorno do
Ansiedade Generalizada
37 DEPT - Distúrbio de Estresse pós traumático
38 Exercício
de exposição
39 Exercício
do Balãozinho X
40 Relaxamento
autógeno X
41 Pesquisa
genética do TP
42 Fase
de controle do TP X
43 Como agir no elevador em pane
44 Transtorno do Pânico, ou ataques de pânico
45 TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo.
46
Fique livre da azia e da gastrite
47
Frutas - verdades e mentiras
48
Sua Opinião
MENSAGENS
MOTIVACIONAIS
M01 Fundo do poço
M02 Nossa mente funciona como um
computador
M03 O segredo da vida
M04 Auto estima
M05 Único no universo
M06 Troféu da vida
M07 Envelhecer sim, deixar de viver, jamais
M08 Nunca desista
M09 Problema, ou desafio?
M10 Que tipo de pessoa você é?
M11 Só depende de você
M12 Seja sempre um jovem
Além dessas mensagens, o GruPan,
através de seu Presidente, responderá todos os questionamentos recebidos,
procurando tirar todas suas dúvidas.
Para
aquisição do kit ( para o Brasil), proceda da seguinte
forma:
Faça um depósito no valor de
R$40,00
em nome de Fernando Otávio Mineiro de Oliveira, escolhendo uma das opções
abaixo:
|
BANCO BRADESCO Agência: 465 - 0 Conta Corrente nº: 0321537-7 |
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Agência: 1667 Conta Poupança nº: 024220-0 Operação 013 Pode
utilizar casas lotéricas |
Caso necessite de meu CPF para fazer a transferência bancária, solicite-me: fmineiro@yahoo.com.br
Se for
depósito, nas duas opções, anote em seu recibo o nº da agência de sua cidade
que você utilizou. Se for transferência bancária, anote o número da mesma.
Após efetivar o
depósito, selecione
com o cursor os itens de
1-
Valor enviado:
2-
O banco utilizado:
3-
Depósito - Nº da agência de sua cidade que você utilizou e anotou em seu
recibo:
4- Transferência
- nº da transferência
5-
O dia do depósito, ou da transferência:
6-
Seu nome completo:
7-
Endereço:
8-
Bairro:
9-
Cidade:
10-
Estado:
11-
CEP:
Em seguida, envie uma
mensagem para fmineiro@yahoo.com.br
. Cole os dados copiados
no corpo da mensagem. Selecione o texto colado e altere para cor preta. complete os dados e envie.
O
livro, o CD e os livretos serão remetidos via correio registrado, diretamente
para o local indicado,.
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INSTRUÇÕES
PARA REMESSA PARA OUTROS PAÍSES
(Com
CD da palestra - sem livretos)
Remessa através do "Exporte Fácil",
um sistema seguro e de baixo custo, criado pelo Correio Brasileiro. Solicite
informações de como adquiri-lo. O pagamento poderá ser feito através do Western Union (correio de sua cidade), ou ordem de
pagamento pelo Banco do Brasil. Informe o nome de seu país e remeterei instruções de como proceder.
SOLICITE
INFORMAÇÕES,
fmineiro@yahoo.com.br
ONDE
ENCONTRAR
(sem
CD e livretos) = R$30,00 a unidade.
CENTRO Café Metrópole – Rua da Bahia, 1.017 – esquina com
Rua Goiás fone: (31) 3222-7028 Livraria Big Book – Rua Tamóios,
72 – (31)3222-1515 / 3222-7793 www.livrariabigbook.com.br Livraria São José – Goitacazes, 71 - Fone: (31) 3214-3540 FLORESTA Livraria do Psicólogo – Av.
Contorno, 1.390 - Fone: (31) 3303-1000.
Tem estacionamento. SANTA EFIGÊNIA Livraria COOPMED – Faculdade de Medicina da UFMG Fone: (31) 3273-1955 - Av. Prof. Alfredo Balena, 190 Livraria Interminas – Av. Prof.
Alfredo Balena, nº 181 – Fone: (31) 3201-0584 UNIÃO Via Ápia -
Revistas e Jornais – Sup. Extra do Minas
Shopping Fone: (31)
3426-1221 BANDEIRANTES Star Livraria – papelaria – Av.
Bandeirantes, 1.299 – Loja 26 - Fone: (31) 3281-5420 / 2535-5420
Fernando Mineiro
Tenho 65 anos e dois filhos. Sou casado há 43 anos com Rúbia,
minha eterna namorada. Sou fundador e Presidente do GruPan - Grupo de Apoio aos
Portadores do Transtorno do Pânico de Belo Horizonte – MG, 11 anos em
atividade.
Quando o tempo me permite, dedico-me à astronomia como astrônomo
amador. Fui industrial na área de saúde por 20 anos e, atualmente, escritor e
empreendedor. Sou autor do livro que leva o mesmo título dessa página, porém
mais abrangente e com textos inéditos, já na sua 3ª edição.
Sou portador do TP há 51 anos, 35 sem diagnóstico, 1 de tratamento, 8 na fase de controle, sem crises e sem
medicamentos e sem fobias, porém, com sintomas isolados.
Estou há mais de 6 anos sem nenhum sintoma do TP. Consegui eliminá-los com
exercícios de relaxamento autógeno, de respiração diafragmática e de exposição
que sempre faço. Esses exercícios constam em meu livro. Faço reposição natural do aminoácido triptofano, um
precursor da serotonina, através do suco de Noni, uma fruta originária da
Polinésia Francesa, agora adaptada ao solo brasileiro. As
outras frutas contém de
Na fase
angustiante de minhas crises escrevi o acróstico abaixo:
PENSEI CORRER, FUGIR E GRITAR.
ÂNSIA POR ALGUÉM A ME ABRIGAR.
NINGUÉM ESTOU
SÓ, MAS VOU RESISTIR!
IMERSO
CANSADO, EXAUSTO MEU CORPO
IMPLORA...
OH! CRISE FÓBICA ME DEIXE AGORA!
Dedico O MEU LIVRO
E esta Home Page à minha esposa Rúbia,
pois sem o seu
apoio incondicional, nada disso seria possível.
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GruPan – 12 anos em atividade
Grupo de
Apoio aos Portadores de Transtorno do Pânico
Belo
Horizonte - MG
Criado em 12 de setembro de 1999 - 12 anos em atividade
O GruPan é um
grupo de auto-ajuda. Tem como finalidade dar apoio e esclarecimentos aos
portadores e seus familiares,
sem interferir na relação médico-paciente.
O cadastro é efetivado após a aquisição
do livro “Tenho a Síndrome do Pânico, mas ela não me tem!
PESQUISA GENÉTICA DA UFMG NO GRUPAN
Polimorfismo de genes relacionados a Serotonina
O GruPan participou, através de seus
cadastrados, do Projeto "Transtorno do Pânico e Polimorfismo de Genes
relacionados à função serotoninérgica". O
projeto foi coordenado pelo psiquiatra Prof. Dr. Humberto Correa, co-coordenado
pelo Psiquiatra Prof. Dr. Marco Aurélio, tendo como pesquisadora a Psiquiatra e
Mestranda, Dra. Patrícia Figueira Rodrigues, ambos da UFMG - Universidade
Federal de Minas Gerais.
A participação do
GruPan nesse estudo se deu no encontro mensal do
GruPan do dia 02/08/03, com a presença dos Psiquiatras acima citados. Foi
exibido um filme sobre a característica desse estudo e as explicações de como
será desenvolvido. Houve total adesão dos presentes.
Este estudo visou encontrar mutações genéticas que ajudariam a explicar
o aparecimento do Transtorno do Pânico, envolvendo o neurotransmissor
serotonina, o que resultaria em novas abordagens no tratamento do TP, uma
melhor compreensão de parâmetros clínicos e biológicos que possam estar
associados ao TP, o que poderá, no futuro, ter métodos mais eficientes na
identificação de pessoas com maior risco de apresentarem o TP.
O estudo teve a
duração aproximada de dois anos e envolveu 100
portadores do TP, em fase ativa, sob controle ou mesmo aqueles que conseguiram a
cura. Na primeira fase foi feita uma entrevista para determinar sintomas que
sugiram um diagnóstico do TP. Na segunda fase, foram feitas novas entrevistas
que visavam dar maior clareza no diagnóstico e sobre algumas características de
personalidade. Na terceira fase, foram coletados 5 ml de sangue para estudos de genes relacionados à função da
serotonina.
O estudo
comprovou a questão genética do TP e a baixa concentração do aminoácido triptofano,
um precursor do neurotransmissor serotonina nos portadores do TP.
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Nota:
Alguns dos depoimentos abaixo, no sentido de preservar a identidade do autor, tiveram a sua
publicação autorizada sem constar a sua autoria. Os medicamentos citados nos
mesmos foram eliminados para não induzir a automedicação.
Se você se identificou com algum depoimento e quer entrar em contato com o
autor, escreva-me citando o número do depoimento que lhe chamou a atenção.
Você poderá enviar também o seu depoimento. Com a sua autorização,
após análise, ele fará parte desta Home Page. Sua
identidade será preservada, mas se você quiser e autorizar, seu nome e seus
dados poderão constar.
Envie o seu depoimento ou solicite contato
com alguns dos autores dos depoimentos abaixo
Você que já tem o seu depoimento divulgado
aqui , envie outro depoimento descrevendo como está
sua saúde agora.
1 - Comerciante, 38 anos. Eu voltava de
carro para casa após um dia exaustivo. O trânsito estava engarrafado, de
repente senti um desconforto abdominal seguido de um calafrio por todo o corpo,
meu coração disparou, minha respiração ficou ofegante. Senti que estava tendo
um ataque do coração. Comecei a buzinar e entrei
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2 - Professora 27, anos. Estou presa em
casa, não tenho coragem de passar do portão, já tentei, mas logo começo a suar
frio e meu coração dispara. Tomo medicamentos há 2
anos e também não consigo ficar sem eles. Abandonei minha profissão de
professora. O mundo parece que acabou para mim.
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3 - Recepcionista, 22 anos. Sou portadora
da Síndrome do Pânico. Tenho sensações horríveis e um medo de morrer fora do
normal. Já tive várias crises, mas nunca cheguei a parar no pronto-socorro,
pois achando que tinha algum problema cardiológico, comecei a navegar em sites
sobre cardiologia, foi então que encontrei um site sobre Síndrome do Pânico e
passei a ler e a colher vários depoimentos e relatórios sobre a doença.
Interessei-me muito, pois eram exatamente todos aqueles sintomas que eu estava
sentindo. Foi aí que veio minha desconfiança e o controle sobre as minhas
crises. Procurei um cardiologista, fiz exames de rotina, pois sou portadora do
prolapso de válvula mitral. Ainda não retornei com os resultados, sinto medo do
que possa estar lá. Fui a uma psiquiatra e ela diagnosticou Síndrome do pânico,
pois nenhum medo excessivo sem perigo real é normal. Passou-me antidepressivos,
mais ainda não comecei a tomá-los; falta coragem. Tenho crises horríveis, mais
continuo com a minha vida e consigo enfrentar meus medos. Talvez no meu caso
esteja se gerando uma certa hipocondria; sempre acho
que vou ter alguma coisa; minhas preocupações são sempre com o coração e com a
cabeça. A todo o momento acho que vou ter um infarto ou um derrame cerebral.
Tenho procurado ajuda também na religião. Tem-me feito bem; só que ainda tenho
um forte mal-estar. Às vezes me sinto triste, deprimida e estressada, as crises
me deixam muito cansada. Tenho o medo do medo.
Li a sua página na internet, achei muito legal e serve como uma
auto-ajuda. Descobri até alguns outros sintomas que estou sentindo e que têm a
ver com a Síndrome. Já percebi que as crises vêm quando alguém me fala se não
sei quem teve um infarto ou quando não sei quem teve um aneurisma, mas também
vem sem motivo algum.
Tenho tido muita força por parte de meus familiares e,
principalmente, do meu marido. Tenho um filho de 7
meses, inclusive a médica disse-me que no meu caso pode ter sido uma disfunção
hormonal que gerou as crises. Na hora dos hormônios se reverterem ao normal,
com o fim da gestação, houve uma complicação, tanto que ela me pediu uma série
de exames hormonais, um eletroencefalograma e exames
de sangue para medir a quantidade de serotonina em meu organismo. Foi mais ou
menos isso que entendi. E o porquê desse pensamento fixo em meu coração e
cabeça e qual o perigo que isso representa para minha saúde física? Muito
Obrigada.
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4 - Empresária, 35 anos. Eu fico feliz
em saber que não estou sozinha nesta batalha. Por mais que as pessoas com as
quais convivemos falem que entendem, eu sei que elas se esforçam. Gostei muito
da sua poesia. Ela é totalmente real. Só quem tem que sabe. Tenho 35 anos. Há 7 sofro da Síndrome do Pânico. Tomo medicamentos há 2 anos. Fiz terapias de todos os tipos, até descobrir o que
tinha. Estou com a mesma psicóloga há 2 anos. Comigo,
o início de tudo foram as crises sozinhas. Mas achava
que era por causa do meu trabalho, ao qual não estava acostumada. Perguntava às
pessoas se elas sentiam isso; todos diziam que não, é obvio. Descobri que tinha
TP depois de sofrer 4 anos, mais ou menos. Até então
era frescura, covardia, fraqueza, falta de serviço. Os
meus vizinhos riam de mim. Meu marido me levava a todos
os lugares em que eu achava que me sentiria bem, às vezes com briga, mas a
gente faz qualquer coisa para passar aquele sintoma. Fiquei 1
ano tomando um tipo de antidepressivo que elimina totalmente o prazer sexual.
Temos de ter paciência.
Hoje tomo antidepressivo. Faz tempo que não tenho crises sem motivo
aparente, mas infelizmente tive varias fobias como: elevador, avião, passar de carro em
viadutos e pontes, vigilância permanente com meus filhos, tirar as
crianças da escola em dia de chuva, praia, cinema, supermercado lotado,
trânsito. Mas hoje estou quase boa. Ficou uma fobia aterrorizante, a chuva, que
não quer desaparecer de jeito nenhum. Por isto, continuo com medicamentos e
terapias. Pode-se dizer que sofro menos, mas minha vida ainda é limitada,
porque este medo não dá para evitar, por exemplo, não andar de elevador. Eu
moro em casa térrea. Posso viver sem elevador. Mas chega o verão, e, às vezes,
chove 3 vezes no mesmo dia. É loucura. É muita dor
para mim e minha família, principalmente meus filhos. Só saem de casa se não
for chover. E assim vai. Espero, um dia, te dizer que isto sumiu. Gostei muito
do seu site.
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5 - Farmacêutico, 44 anos. Prezado
Fernando! Estava navegando dia destes e abri sua mensagem sobre Pânico.
Confesso que me identifiquei profundamente com você e seus sintomas. Estou de
recesso do trabalho, escrevendo-lhe este E-mail, mas não consigo relaxar! A
simples aproximação do dia de retornar ao trabalho embrulha o estômago, cobre-me de suor,
reveste-me de um mal estar indescritível. O desejo de morte é eminente! Fique
tranqüilo, jamais atentaria contra minha própria vida. Amo demais minha família
e a simples idéia da separação é repelida com veemência. Como você pode ver,
não tenho medo da morte, de lugares abertos ou fechados, elevadores, violência
das ruas, aglomerações, assaltos, enfim; nada disso me assusta. Tenho pavor das
mudanças, das alterações impostas por um ritmo de vida alucinante, esta
necessidade de produzir mais. Houve mudanças radicais no meu trabalho e o
pessimismo me invade, pois na minha imaginação obsessiva não terei competência
e nem capacidade para dar conta do recado. Quando dou por mim, estou pensando
nestas situações, esgotado, com a testa, principalmente,
marejada de suor. Não consigo desligar! E que sofrimento, meu amigo! No
trabalho, então, a coisa é muito pior. Se alguém precisa falar comigo, já
começo a imaginar o pior; que vou ser advertido ou que uma nova imposição vai
ser colocada. Não consigo esconder minha aflição e nem a testa constantemente
molhada. Já pensei várias vezes em abandonar tudo, mas sei que não posso. Tenho
dois filhos maravilhosos para acabar de criar. Considero-me, muitas vezes, um
covarde por ter tanto medo de viver e enfrentar os percalços que a vida nos
prepara. Tenho recebido muita ajuda de meu terapeuta, apeguei-me à religião.
Minha família tem sido de vital importância, principalmente minha esposa, que é
uma santa e tem segurado uma barra enorme. Sei que é muito difícil conviver com
uma pessoa com TP. Tomei medicamento por algum tempo, mas, em comum acordo com
meu psiquiatra, deixei de usá-lo, em função dos terríveis efeitos colaterais
(antidepressivo). Algumas pessoas têm me ajudado também em meu ambiente de
trabalho, enquanto outras
parecem ser indiferentes ao meu sofrimento. Esta, infelizmente, é a vida; e
cada um tem uma cruz para carregar. A minha está muito pesada.
Estou, neste momento, escrevendo-lhe este E-mail com uma enorme
carga de ansiedade, pois se aproxima a hora de voltar ao trabalho, onde reside
a maior fonte de meu conflito. Esta será uma noite de cão. Normalmente não
consigo dormir nessas ocasiões. Acho que já amolei bastante e sinto-me um pouco
mais aliviado por me abrir com uma pessoa com o mesmo tipo de problema. Em
tempo, tenho 44 anos, TP desde os 18 e diagnóstico fechado há 2.
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6. Jornalista,
32 anos. Pelo menos 10 de Síndrome de Pânico, que
foi detectada por mim mesma, logo no início. Estou sob controle, levo uma vida
muito ativa e normal, mas não ando sem o ansiolítico na bolsa.
Comprei um programa para fazer uma reprogramação mental, mas não
tenho tido tempo. Acho, no entanto, que ele ajuda a equilibrar, pois
proporciona relaxamento.
Quero dizer às pessoas que têm o Transtorno do Pânico, que fiquem
certas de que acabamos encontrando as soluções. Como o amigo Fernando disse, o
apoio da família é fundamental. Meu marido não entende muito, acha que é frescura, que tenho que me controlar. No começo desse ano,
passei maus bocados quando ele confiscou meus remédios. Acho que a gente tem
que se conformar e tomar a medicação. O que não podemos deixar acontecer é a
crise, pois depois de uma, facilmente virão outras. Estou há mais de 2 anos sem crises. Quero mais
informações, atualizações, ajudar outros portadores que ainda não entendam da
doença, porque eu acho que já lido bem com isso, apesar da evidente dependência
química. Infelizmente. Tomo o remédio em situações em que percebo que estou
ficando muito ansiosa. Fora isso, trabalho muito, faço
um jornal quinzenal praticamente sozinha, faço documentários em vídeo, lancei
um CD, em parceria com um amigo, recentemente. Tenho uma filha linda e um
marido que me ama. Isso é fundamental. Não quero divulgação do meu nome. As
pessoas ainda têm muito preconceito por ignorância. Acabam achando que você é
maluco. Se eu puder ajudar alguém, ficarei satisfeita.
Se você tiver alguma informação a mais para me passar, por favor, o
faça. Gostaria de trocar informações,
falar mais sobre o assunto e, principalmente, acalmar os amigos que descobriram
agora a Síndrome e não sabem lidar com ela. Um abraço.
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7 - Empresário, 39 anos. Em 1990, morando em MG, fazendo uma viagem costumeira de carro,
tive minha primeira crise de pânico (hoje sei!). Durante o percurso, tive que
encostar o carro 4 vezes, para ver se passava o mal
estar. E ao tentar a 5ª vez, vi que já não tinha mais condições de conduzir o
veículo. Parei, então, um carro que tinha 4
passageiros e pedi se podiam conduzir meu carro até o meu destino (faltavam
apenas
Chegando à minha cidade, foi aquele batalhão de exames e mais
exames, e nada!
O cardiologista me falou em stress e me medicou. Comecei a me
sentir mal novamente, mas não da forma anterior. Hoje sei que ele estava certo.
O mal que eu sentia era o efeito colateral dos medicamentos. Parei de tomá-los.
Se tivesse sido orientado melhor, e tivesse continuado com os medicamentos,
talvez não me encontrasse onde estou hoje. Aumentei então o medicamento e,
depois, fui para o outro por conta própria.
Eu tinha um restaurante na época. Perdi totalmente o interesse pelo
mesmo. Uma pessoa como eu, aventureira e destemida, precisando agora de
companhia para ir até a próxima esquina, ou para ficar em casa? Meu deus!
Stress? Isto era frescura de psicólogos! Nunca
respeitei estes distúrbios. Sempre achei que um bom amigo substituía um
psicólogo.
E assim fui caminhando na minha vida, sempre com uma muleta
(alguém) do meu lado. Até que o assunto pânico entrou em evidência na mídia e
aí comecei a perceber que o que tinha era aquilo mesmo de que falavam.
Descobri, então, uma psiquiatra
Fechei então o restaurante, e fui procurar novamente a médica
Fui, então, morar em Salvador (1994). Depois de certo tempo, não me
conformando com esta situação, voltei a procurar um psiquiatra de lá que diziam
ser o melhor. Fui ao mesmo e ele trocou de medicamento. Mandou-me andar
sozinho, dirigir sozinho, tentar e tentar! Realmente, o novo medicamento me
animou mais, tanto que o uso até hoje (3 anos e
pouco). Já dirigia com vontade, pegava estrada, entrava
em lugares cheios, engarrafamentos etc., mas sempre com uma muleta ao lado. Fui
chamado a SP, pois meu pai estava muito mal. Fui com a família toda. Ele estava
mesmo. Graças a Deus, ao
bom médico que tem e à família que se empenhou muito, ele se levantou! Mas meu
pai não se dava bem com minha esposa e por isto achei melhor ela e meu filho
irem para a casa de seus pais, em Minas, e eu ficar
mais um pouco com ele, até seu estado clínico ficar estável (isto durou um
ano).
Não gostando de SP, apesar de ser paulista, e estando meu pai num
quadro estável, vim para MG e aluguei uma casa para morar com minha esposa e
filho. Meu ramo de atividade atualmente é de uma pequena gráfica por computador
em casa mesmo! Não poderia ser diferente; fora de casa, para mim, é difícil.
Apesar de gostar e me empenhar em tudo que faço, este ramo está cada vez mais
difícil. Afinal, quase todo mundo tem seu pc e faz seus próprios cartões de visita, envelopes etc. Vendo a
nossa situação financeira ficar cada vez pior, (para não dizer catastrófica), a
vida conjugal com contínuas brigas por motivos financeiros e olhando para o
amanhã em relação ao meu filho. Ano que vem vai ainda ao pré,
mas com certeza, na 1ª série vai precisar de um bom colégio e cursos
suplementares (um garoto inteligente). Fiquei pensando o quanto esta
"doença", por assim dizer, me atrapalha. Poderia, facilmente, arrumar
um emprego e ganhar o suficiente para manter nós três. Poderia...!!! mas não posso!
Por não agüentar mais esta situação de impotência diante da vida, é
que procuro ajuda. Queria um lugar em que eu pudesse ser tratado deste
"medo de ter medo", e ficar neste local, até ser curado totalmente e
poder sair sem muletas e sem medo. Não posso pagar pelo tratamento, pois não
tenho condições financeiras para tal, mas também não gostaria de recebe-lo sem ser útil em alguma coisa. Gostaria de me
tratar, uma cama e um prato de comida! Em troca daria trabalho, no que sei, e,
o que não sei, aprendo, e o farei com competência. Sei que é difícil o de que
gostaria, mas gostaria muito de sair desta e ficaria eternamente grato a quem
me desse uma oportunidade. Sei que o mundo, hoje, gira em torno do dinheiro,
mas acredito também no bom Deus e seus filhos.
É bem difícil para eu estar aqui, escrevendo esta, mas agradeço de
antemão, qualquer ajuda; seja uma indicação de algum lugar ou pessoa. Não quero
ficar perdido como estou agora, sem poder olhar para o futuro e almejar algo
feito com as próprias mãos. São quase 10 anos com isto. Desculpe-me pelos
possíveis erros de português. Por favor, me ajude!
<<<<>>>>
8 - Escriturário, 25 anos. Sempre fui meio hipocondríaco. Num dia
estava voltando de uma viagem, aproximadamente há 4
meses. Nesta viagem, onde eu e amigos bebíamos e saíamos, noite após noite. Não
voltei com meus amigos, pois quis voltar um dia depois deles. Acabei de carona,
com uns conhecidos de longe. Acho que, inclusive, isso também ajudou a piorar
tudo. Chegando
Uma coisa que eu percebi na Síndrome: se você tenta fugir dela,
saindo do ambiente em que você está, é pior. Às
vezes em que fiz isso, minhas mãos começaram a travar de novo. Voltei para o
lugar, não sei nem como tirei forças, mas voltei, acalmei
e a crise passou. Mesmo assim, o único lugar em que me sinto totalmente
seguro é
Se alguém que nunca teve, ler isso, vai
achar que eu sou louco, mas só tendo, para saber como é horrível esse negócio.
Se você puder me dar alguns conselhos e dicas, mande e-mail para mim.
A minha dica é não ficar com medo e tentar enfrentar, de frente, por mais
difícil que seja.
<<<<>>>>
9 - Programador de computador, 28 anos. Eu sou casado há 6 anos, nenhum filho.
Nasci no mês de março, no dia 17, logo se nota o signo peixes. Nasci, segundo
minha amada mãe, às 22:00, portanto signo Peixe com
ascendente Libra. Na verdade, não me amarro muito nesses lances astrais. Estou
só tentando me apresentar por completo, se é que isso completa alguma coisa.
Sou programador de computador e trabalho em projetos e
desenvolvimento de sistemas específicos de informática. Moro no interior do
Estado de São Paulo.
A minha primeira experiência com "a coisa", chamada
cientificamente de "Distúrbio
do Pânico", ou "Síndrome do Pânico", ou ainda "Transtorno
do Pânico", foi há 10 anos atrás. Na verdade, eu tinha 18 anos e estava
calmamente jogando xadrez com minha irmã. De repente, "a coisa" veio.
Veio bem maneira; não foi aquela crise braba, foi maneira, porém totalmente
anômala a qualquer outra crise que, possivelmente, já houvesse tido.
Depois dessa ocorrência, é lógico, que trilhei o caminho óbvio: pululando de
especialista em especialista, na ordem:
cardiologista, neurologista, clínicos gerais de quase todo o arquivo de
cadastro do CRM. A resposta (graças a DEUS): você não tem nenhuma doença, nada.
A única coisa que acharam pra mim foi o tal prolapso na válvula mitral (outra
forma de dizer que você tem um coração "perfeito", salvo alguma
imperfeição).
A primeira crise brava mesmo veio há 3
anos. Em meados de novembro de 1997. Portanto, mais ou menos sete anos depois
daquela breve apresentação da
"coisa" em minha vida. Em meados de 1996, perdi duas
cunhadas com câncer. Uma com 37 anos e outra com 27 anos. Acompanhei toda a
via-crúcis, e, até hoje, não me acertei com estas perdas e outras mais. Na
verdade, eu não consigo lidar com a idéia da partida, da ida sem volta. Talvez
seja por eu ser muito encanado com as coisas humanas. Gostaria que fosse como
diz a bíblia: - "E você descerá para o túmulo em avançada idade, como
feixe de trigo colhido em tempo certo..." (segundo Jó).
Logo fui ao especialista da "coisa". O psiquiatra! Porém,
antes de ir ao psiquiatra, eu já havia feito uma pesquisa sobre o assunto e já
tinha o meu diagnóstico por mim mesmo:
"Síndrome do pânico". Foi batata. O psiquiatra atestou
minha auto-rotulação e iniciamos o tratamento. Ufa!
Alívio imediato para as crises quase nunca constantes, embora presentes.
Estou há três anos
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10 - Funcionária Pública, 35 anos. Foi muito bom ter lido seu depoimento. Foi como se tudo que está
escrito aí fosse escrito por mim. Tenho 35 anos, e desde os 15 (que me lembre) tenho
o desconforto de passar por momentos de crise, de TP. Nem preciso descrever
tudo que senti, mas é um alívio saber que deixei de fazer pouquíssimas coisas por me sentir impotente. Sempre enfrentei o TP (se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, se encarar o bicho some...). Não, não some. Mas, que diminui,
isso é real. Hoje, tomo um ansiolítico quando sinto que as "coisas"
estão começando, e sei que vai passar rápido. Tenho apoio de profissionais que
se tornaram mais meus amigos. Só não acertei no parceiro, que sempre achou que
fosse "piti" e nunca me apoiou. Tenho duas
filhas lindas, e, infelizmente, acho que o TP já se apresenta em uma delas. Mas
sei como lidar e posso ajudá-la muito mais sabendo o que ela sente (ela diz que
está pensando coisa ruim...).
Fiz 2 cursos superiores, Pós-Graduação, e
trabalho em um órgão público estadual. Muitas vezes me revoltei por me sentir
como se fosse morrer e, em questão de minutos, me definirem como maluca, já que
tudo havia passado. Hoje, quase ninguém percebe quando estou indisposta e
consigo me controlar com respiração, ou tento me concentrar em outras coisas,
como movimentos repetidos, tentar lembrar uma música ou poesia. Ou mesmo,
brincar com as crianças. Quero dizer que dá pra conviver com a TP, de igual pra
igual. Ninguém deve desistir. Devemos sempre ser felizes, mesmo com nossas
limitações.
Parabéns pelo seu estudo e dedicação, e um beijo à sua esposa que
te entende quando você precisa.
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11- Estudante, 26 anos. Antes de revelar como o Pânico entrou em minha vida, voltarei
um pouco no tempo para fazer algumas observações.
Na minha infância, fui uma criança tímida e medrosa;
conseqüentemente me tornei um adolescente muito inseguro. Fui muito pressionado
pela minha família em relação ao trabalho e estudos. Minha família me cobrava
muito e, com isso, passei
a me cobrar também. Daí, então, tomei uma decisão: -
decidi que superaria todos os obstáculos para ser "o melhor dentre os
melhores", como aluno e profissional. Infelizmente não cheguei a realizar
isso, pois "algo" me impediu. Vou contar-lhe como isso aconteceu:
Na época, eu estava com 19 anos e cursava o 2º ano científico. Certo dia, na sala de aula, comecei a sentir um enjôo muito
forte. Mas esse sintoma não veio sozinho, senti também um mal estar abdominal.
Aquilo me assustou. Tive medo de passar mal na frente de todos. Juntamente com
os sintomas descritos anteriormente, vieram a
sudorese, tremor e uma tonteira. Quando o sinal tocou para o intervalo, fui
para o banheiro imediatamente e fiquei lá até que o mal estar passasse. Devido
ao constrangimento, não deixei que ninguém percebesse. Lembro-me que, ainda no
banheiro, chorava por achar que era gravíssimo e poderia morrer. Depois do mal-estar passar, voltei ao normal e nem dei importância.
Mais calmo, pensei que fora algo passageiro. Enganei-me, o mal estar se repetiu
em vários lugares. Tinha crises no ônibus, festas, casas de amigos, etc. Devido
à associação que fiz com todos os lugares em que tinha as crises, praticamente
deixei de sair de casa. Fiz exames médicos e nada acusaram. Após vários
diagnósticos equivocados, os médicos consideraram-me portador do Transtorno do
Pânico.
Algumas vezes cheguei a fazer terapia, mas sem grandes resultados.
Tomei antidepressivos
e ansiolíticos. Porém, os efeitos colaterais dos
antidepressivos me fizeram desistir.
Atualmente não estou fazendo nenhum tipo de tratamento, o que só
piorou a minha situação. Hoje passo por uma tristeza muito grande, tenho muita
dificuldade de sair de casa. Tomei conhecimento do trabalho que vem sendo
realizado pelo GruPan,
Grupo de Apoio aos Portadores do Transtorno do Pânico; vou procurá-lo para
tirar algumas dúvidas e obter esclarecimentos.
Não poderia deixar de falar sobre uma grande vontade que tenho: a de conhecer
pessoas próximas a minha idade que não conseguem sair de casa ou, como eu, saem
raramente, para nos ajudarmos mutuamente. Coloco-me à disposição para troca de
experiências com quem se identificar com esse meu depoimento.
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12 . Publicitário, 35 anos. Há 10 anos convivo com o
"pânico". Em 1990, com 25 anos, eu trabalhava no jornal da minha
cidade. Trabalhava muitas horas por dia, me alimentava mal, dormia pouco e
tomava muito café preto. Uma noite, eu e um colega fomos fazer uma matéria
sobre os bares da cidade. Em cada um, tomávamos uma cerveja enquanto fazíamos
as perguntas aos proprietários. Quando voltamos a
redação do jornal, estávamos muito cansados e até um pouco bêbados. Deitei em
um sofá para descansar um pouco; foi quando a minha vida começou a mudar para
pior. O coração começou a disparar. Um calafrio me subiu pelo corpo, começou a
me faltar ar, não conseguia me controlar. Levantei apavorado, corri para uma
janela e comecei a gritar para o meu colega: socorro! Estou morrendo, pelo amor de
Deus, estou morrendo! Ele tentava me acalmar. Só comecei a me acalmar quando
lavei os pulsos e a nuca com água fria. Fui para o Hospital "meio
atordoado". Meu Deus! O que era aquilo? Nunca tinha visto nada igual. O
médico me aplicou uma injeção e mandou eu ir para casa
dormir. Por três dias seguidos tive as crises. Alguns meses depois, acordei com
um zumbido no ouvido, e que continua até hoje. Nunca consegui curar.
Com o passar dos anos, algumas vezes eu ficava ruim, mas não chegava
a dar a crise forte. Fui a um psiquiatra e ele me receitou um antidepressivo,
tomei uns 5 ou 6 e parei, achei que era bobagem, nunca
mais tive a crise e achava que poderia me curar sozinho. Sempre conseguia me
controlar. Agora, ou melhor, nos últimos meses, tomei cerveja todos os dias, e
sempre ia dormir quando o sono pegava (bêbado). Até que no dia 4 de março, fui
a um baile de carnaval na cidade onde moram meus pais, tomei mais cerveja
ainda. No outro dia, acordei mal. Mas nada assim exagerado. Quando vinha
voltando para casa com minha esposa e meu filho, comecei a me sentir mal dentro
do carro, sabia que a crise estava voltando. Procurei agüentar até
Achei que nunca iria me curar mais, o meu trabalho estava perdido,
era o meu fim. Então eu e minha esposa achamos sua página na internet. Li tudo,
e quando chegou nos exercícios, comecei a ler,
relaxar, relaxar até que comecei a chorar, chorar e chorar. Chorei muito. Mas
de felicidade em saber que não sou o único, que posso me curar. Voltei a tomar
o antidepressivo. Estou trabalhando normalmente, às vezes, a crise vem, mas
tento esquecê-la. Já consegui dormir (e bem) duas noites sem remédios. Estou
lutando contra ela. Tento trabalhar e parece que ela não deixa, mas mesmo assim
vou em frente, ela nunca me venceu, e nunca me vencerá. Gostaria de receber
algumas dicas suas sobre como combatê-la (a crise). Um abraço.
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13 - Administradora de Empresa . 31 anos. Ola! Chorei hoje ao ler sua página na Internet. É,
as pessoas sabem mesmo pouco sobre pânico. Eu também. Achei que só eu sentia
esse desconforto, esta sensação de desespero. De uns três anos pra cá, venho
sentindo alguns dos sintomas descritos; como angustia,
frio intenso, seguidos de ondas de calor, suor nas mãos, taquicardia e
formigamento pelo corpo. Procurei todo
tipo de especialista possível, mas nada encontraram. Eu tenho uma saúde muito
boa, graças a Deus! Mas, os sintomas, eu continuava sentindo e estava muito
confusa sem saber o que fazer, a ponto de chorar compulsivamente algumas
vezes. Outubro passado (1999), fiz uma viagem com uma amiga à Curitiba. Moro
Obrigada pela ajuda de esclarecimentos. Sua Home Page me ajudou muito hoje!!!!
Ajudem-me o quanto puderem, preciso e aceito
ajuda!!!
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14 - Telefonista, 32 anos. Olá, Fernando
Mineiro! Coisa boa encontrar seu site! Você pode usar meu depoimento se quiser
ou apenas aceitar meus cumprimentos e minha gratidão por sua iniciativa tão
bonita. Eu estava justamente procurando uma lista de discussões ou coisa
parecida para poder dividir e conversar com pessoas que estejam sofrendo de
pânico quando topei com você.
Meu caso é tão "light" que nem
dá gosto. Tive três crises bravas em uma semana, soube já na segunda que era
pânico. Na terceira, uma sexta-feira à noite, sozinha em casa, decidi fazer o
que tinha que fazer. Sábado acordei, peguei a lista telefônica e liguei
pro único psiquiatra -
Mas o que considero relevante aqui, é que o que me 'salvou' de
passar por algo bem pior foi a informação. Saber o que
eu tinha, entender o que estava acontecendo comigo e
procurar a ajuda adequada e imprescindível imediatamente
foram fatores fundamentais para que, hoje, eu possa escrever e
pensar a respeito com o coração e os neurônios tranqüilos. Em paz comigo
mesma, sobretudo. Informação é do que precisamos, em primeiro lugar. E
informação é algo que podemos dividir, doar, dar de
graça a quem precisa! Como você faz...
Se meu depoimento é assim tão "light"
e meu sofrimento foi tão pouco, em comparação às outras pessoas que convivem
com esse trem, é exclusivamente porque tive a grande sorte de ter conhecimento
a respeito. Que todas as pessoas que passaram por esse sofrimento possam
dividir o que sabem. Fica aqui minha admiração e gratidão pela sua iniciativa e
meu desejo intenso, mas muito grande mesmo, de que as pessoas possam ter acesso
à informação e ao conhecimento - e voltarem a viver em paz consigo
mesmas, com força, coragem e controle do TP. Porque, nós a temos, mas ela não nos têm!
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15 - Auxiliar Administrativo, 22 anos. Até que enfim consegui descobrir meu problema.
Aos 15 anos de idade tentei suicidar, achando que a vida não prestava mais.
Tentei cortar meus pulsos para fugir de todos os problemas. Sempre tive muito
medo de conversar com pessoas, pensando que elas não iriam me aceitar ou talvez
pudessem me criticar. Era muito fechada. Até que um dia, aos 17 anos, consegui
um emprego. Só que tinha muito medo das pessoas e vergonha de me expressar.
Comecei, então, a fazer vários cursos de relacionamentos e assim com o passar
do tempo fui perdendo o medo da opinião que poderiam ter de mim. Dentre
esses cursos, o mais importante foi o de inteligência emocional onde eu aprendi
a conter alguns medos e ansiedades. Aos
18 anos tive uma forte crise de falta de ar, mas não fui ao médico, porque eu
me achava uma fraca e uma inútil. Depois com o tempo foi aumentando, então fui
ao médico e o diagnostico foi: "é só depressão". As crises começaram
a aumentar e pioravam cada vez mais. Meus braços ficavam dormentes, minhas
pernas não mexiam e minha face ficava completamente paralisada. Aos 20 anos
tive uma crise terrível no meu trabalho, não conseguia respirar e não mexia um
músculo do corpo. Entrei em PÂNICO!!! Meu patrão me
levou carregada para o hospital. Tive que entrar de cadeira de rodas. A maior
vergonha da minha vida. Os médicos falaram que eu não tinha nada. A partir dai
resolvi fazer exames, nunca deu resultado de doença alguma, tudo normal. Por que? Eu sempre me perguntava. Será que sou louca? Tomei
vários remédios que me causavam mais depressão do que eu já tinha, aumentavam
meus hormônios e me dava sonolência. Fiquei completamente dependente deles. Um
dia dei um basta e resolvi parar com os exames e remédios, mas as crises só
pioravam. Nunca consegui entender o que eu tinha e acho que nem os médicos
porque nunca fui a um psiquiatra.
Sou uma pessoa insegura, deprimida, choro sem saber o motivo, tenho medo de
elevadores e tubarões, mas não tenho medo de morrer. Sinto enormes calafrios e
dores no peito. Tenho dores de cabeça todos os dias. Tenho tonteiras,
fraquezas. As vezes acho que sou incapaz de fazer
alguma coisa. Desmaios constantes e uma enorme preguiça.
Ainda tenho medo de encontrar pessoas novas e me relacionar, mas a
segurança perante a isso melhorou muito depois de alguns cursos e muitas
leituras. Sou extremamente ansiosa e sofro antes da hora. Minha vida não tem
sido fácil... Tenho muita sorte de poder contar com a ajuda de um dos meus
patrões, que sempre me ajudou nos momentos ruins e me deu força para não
desanimar. Minha família achava que era apenas uma crise passageira, mas com o
tempo viram que era sério e ficaram do meu lado.
Hoje, cinco messes depois de largar todos os medicamentos por
conta própria, estou bem e ainda não tive crises muito fortes. Quando
sinto que vou começar a entrar nesse "buraco", eu respiro fundo e
conto até dez.
O último diagnóstico do médico: "você tem problemas de fundo emocional e
não pode se irritar com facilidade, tem que tomar sempre um remédio"
Quero agradecê-lo por criar esse site e por ajudar pessoas iguais a mim. Quero
manter contato e entrar para um grupo de auto-ajuda.
Ajude-me por favor! Tenho pavor do medo! Tenho medo da
solidão! Tenho a solidão dentro de mim! Tenho o TP na minha vida...
Mais uma vez obrigado por me ajudar a me descobrir.
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16 . Bancária, 34 anos. Minha primeira experiência foi aos 23 anos. Tinha acabado de
sair da igreja, onde fui marcar a data do casamento. Na volta para casa,
simplesmente parei de respirar. Minha garganta fechou e eu atravessei o túnel
Rebouças com a mão na buzina (meu noivo estava ao meu lado, de carona).
Quando cheguei em casa, sem nem estacionar o carro, me
joguei na cama e minha mãe chamou um médico amigo da família. Disse-me que eu
tinha tido um edema de glote e me aplicou adrenalina na veia. A partir desse
dia minha vida mudou. Passei a ter medo de sair sozinha. Fui a diversos
médicos a fim de diagnosticar o meu mal, mas nunca soube o que era. Passei
a andar com remédio injetável na bolsa para, em crise, pedir para me aplicarem
(o que cheguei a fazer dentro de um ônibus, num engarrafamento). Na época
eu trabalhava bem longe de casa e a ansiedade da volta, tendo que fazer
baldeação, me deixava ansiosa. Eu tinha pavor de morrer. Eu não
conseguia mais andar sozinha, mas tinha de fazê-lo, afinal de contas, o que eu achava que
sentia, era"frescura".
Minha pior crise aconteceu numa dessas
voltas para casa. Tinha descido do primeiro ônibus e o segundo não chegava.
Comecei a ficar ansiosa e antes que a crise viesse, resolvi pegar um
táxi. Entrei no táxi e alguns metros depois ficamos
parados no meio de um engarrafamento sem saída. A essa altura eu já
estava em pânico, pedindo ao motorista que fizesse alguma coisa, pois eu estava
passando muito mal. Como ele nada podia fazer para me ajudar, comecei a
olhar para os lados, até que vi uma moto passando bem pertinho do táxi, e
devagar. Abri a porta correndo, pulei na garupa da moto e pedi (?) para
ele me levar em casa porque estava morrendo. Não sei como cheguei em
casa, não sei quem me trouxe e nunca agradeci. Na porta de casa, uma vizinha me
levou até a minha casa e só quando estava na segurança do meu lar, com minha
mãe é que consegui sair da crise.
Só quem já teve uma crise assim sabe do que somos capazes. A sensação da
morte nos faz perder qualquer timidez. Perdemos o senso do ridículo.
Passei uma fase braba e até para lua de mel estava com medo de ir e não ter
médico por perto. Tive outras crises, mas fui aprendendo a me comportar e
me convencer que era tudo imaginação minha.
Hoje tenho certeza de que o que tive foi Síndrome do Pânico, apesar de nunca
ter sido diagnosticada como tal. Aprendi a conviver com as crises. Tenho dois
filhos e só depois do nascimento do primeiro é que as crises diminuíram.
Agora, quando ela começa, eu já conheço. Vou para o meu quarto, deito
para relaxar e se dormir, agradeço a Deus, pois sei que quando acordar não terei mais nenhum sintoma.
Fiz muita terapia para perder o medo, mas não perdi,
só tento controlá-lo e até hoje tem vezes que não consigo...
Você não sabe como foi bom conhecer pessoas que passaram pelo que já
passei. Teve horas em que pensei que eu estava maluca.
Parabéns pela sua página. Você está
ajudando muitas pessoas. Obrigada!
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17 - Técnico em eletrônica, 35 anos. Em primeiro lugar gostaria de parabenizá-lo pelo site, pela
quantidade de informações tão importantes contidas nele e pelo assunto tão
complicado de lidar com ele, como o TP. Graças ao nosso bondoso DEUS, ele na
sua imensa sabedoria, ilumina pessoas como você para servir de apoio para
nós, que tanto sofremos
com este mal. Tenho TP desde 1995. Julgava estar com minhas
crises sob controle até dois meses atrás, quando voltei a ter
"recaídas". Contarei tudo desde o inicio.
Sempre fui uma pessoa muito agitada, talvez por crescer sob muita pressão
por parte de meu pai e das coisas que me cercavam. Sempre fui uma pessoa
medrosa, insegura, mas não imaginava ficar tão medroso quanto agora.
Tudo começou em março de 1995. Estava passando por uma fase financeira difícil, muito apreensivo. Foi numa festa de
aniversário da empresa para a qual trabalho que tudo começou. Bebi muito neste
dia, além do comum para quem não estava acostumado à festa. Estava bom, deixei
rolar. Não me sentia muito tonto ao ir embora, mas devia estar, pois minha
esposa nem sequer me deixou levar o carro. Tudo ia bem, parecia um simples
porrezinho. Mais tarde comecei a sentir uma falta de ar estranha, comecei a
ficar nervoso. A coisa foi piorando e foi como se o chão saísse dos meus pés.
Pensei que fosse morrer ali mesmo. Corri para a casa do meu sogro que morava
perto e, com ajuda de um calmante, consegui passar o resto da noite. No
outro dia, amanheci melhor, mas nos dias seguintes, a simples lembrança do fato
ocorrido fazia tudo voltar de novo.
Fui a todos os médicos imagináveis. Fiz exames de todos os tipos.
Todos diziam a mesma coisa - deve ser uma crise de ansiedade. Fiquei
desesperado, para quem era tão saudável. Até então, não compreendia o que
estava acontecendo comigo. Como você menciona no seu comentário, só quem já
passou por isso sabe o que passei.
Com muito custo, resolvi procurar um psicólogo, que falou que eu
deveria procurar um psiquiatra. Relutei muito, mas a situação desesperadora em
que me encontrava, não me dava opções. Fui
"diagnosticado como portador da "Síndrome do Pânico". Tomei
uma série de medicamentos que me deprimiam muito e me deixavam angustiado. Se
não fosse por uma coisa que temos em comum, uma esposa maravilhosa, não
sei o que teria sido de mim. Ela era como um porto seguro, somente ao seu lado
eu me sentia tranqüilo.
Troquei de medicamentos umas dez vezes. Foram dois anos de
tormento. Depois, comecei a me sentir melhor, a perder o medo de sair sozinho e
abandonei o tratamento. Fiquei uns seis meses razoavelmente bem, até que minha
irmã sofreu um acidente de carro horrível. Ia visitá-los no hospital,
parei no sinal vermelho e um ônibus destruiu a traseira do meu carro. Meu
cunhado faleceu e voltei a estaca zero. O medo voltou
dobrado.
Nesta época, há 2 anos atrás, tinha
nascido o meu outro tesouro, o meu filho. Fiquei péssimo! O medo de me
acontecer algo e deixar desamparado o meu filho, me alucinava.
Voltei a um outro psiquiatra que me tratou com antidepressivo, cujo resultado
foi muito melhor.Não sei se por já ter aprendido algo
com a TP ou se pelo remédio, me sentia muito melhor. Mais dois anos de
tratamento, eu já estava 90% bem e achei que estava curado.
A conselho médico, parei de tomar o remédio há seis
meses atrás. Estava levando uma vida quase normal. Digo quase, porque nunca
mais se é o mesmo. Um resquício de insegurança sempre ficou, mas conseguia
conviver bem com ele. Como trabalho com manutenção de equipamentos médicos, às
vezes viajo muito e há um mês atrás, precisei viajar para Ituiutaba,
há 600km de Belo Horizonte. A simples distancia já me
incomodava um pouco. Lá, depois de ficar muito tempo só esperando a hora de
voltar, vieram umas bobagens em minha mente e desde então, sinto chispasses de
crises. Não são muito fortes, consigo controlar, mas fiquei inseguro para
viajar de novo, com medo que as crises voltem a acontecer. Se me conheço,
apesar de já ter aprendido conviver mais com o TP, daqui a pouco estarei
novamente tomando medicamento.
Gostaria que o amigo me falasse mais sobre o seu grupo de apoio
e o que sugeriria para mim. Gostaria de maiores
informações, qualquer uma que possa vir me ajudar neste momento. Desde já
agradeço. Gostaria de receber breves notícias suas.
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18 - Universitário, 21 anos. Olá amigo!
Parabéns pela tremenda experiência de melhora! Parabéns pelo site! Espero em
breve seu livro.
Tenho uma experiência com o pânico. Apesar de não ter sido tão tremenda como a de
muitos, foi muito horrível. Também resolvi relatar.
Tudo começou quando comecei a usar drogas há alguns anos, mais precisamente seis anos atrás.
Agora estou com 21 e não uso droga alguma. Bom, resumindo: a primeira crise foi desencadeada ao
usar a tão conhecida maconha. Primeiro veio uma confusão mental e logo o pânico
começou a invadir meu ser. Eu não acreditava no que estava acontecendo. Tudo
mudou. Toda realidade se alterou. Tudo o que eu tinha como verdade se
transformou. Parecia que só eu tinha "aquilo". As pessoas que fumaram
comigo, pareciam não ter aquilo. Era como se ninguém pudesse compreender o que
eu estava tendo, como se ninguém tivesse o que eu estava tendo.Tudo
ficou muito confuso. Milhares de sons dentro da minha cabeça. Parecia um furação dentro da minha cabeça. Deus, amizade, amor...
Tudo deixou de fazer sentido. O pensamento racional fugiu de mim. Não havia
jeito de pensar normalmente. Apesar de acreditar muito em Deus, parecia o
inferno. A palavra que escolhi para designar tal sensação foi "CAOS". O pavor era tanto,
que foi uma sensação de gelar até os ossos! Parecia que estava perdido numa
eternidade de sofrimento, numa dimensão de puro caos, sem sentido algum. Também
tive um pouco de taquicardia e pressão baixa, já que fiquei todo gelado.Tive que ir para casa tentando me controlar, com medo
de perder o controle e enlouquecer ou me despersonalizar! Isso tudo durou quase
uma hora. Tive que dormir para passar tudo aquilo
e, até conseguir dormir, foi difícil.
Agora que estou lhe relatando isso, estou com as mãos geladas e me
sentindo um pouco mal, só de lembrar dessa sensação. No outro dia, acordei
normal e muito feliz por tudo aquilo ter passado. Parecia mais um pesadelo do
que a realidade. Parecia que fora só um sonho ruim.
Um tempo mais tarde, levado pelos amigos, novamente usei essa droga
e, momentos depois, lá estava eu de novo, tendo tudo
aquilo novamente! Que horror! Não acreditei que tudo estava acontecendo
novamente! Dessa vez fumei pouco e não foi tão terrível, apesar de sempre
ser terrível. Tudo parecia um filme, um sonho acordado, um sonho seguido de
sensações horríveis, de algo monstruosamente ruim! Dessa vez era de tarde e não
consegui dormir! Quando passou o pavor, ficou uma sensação de distância,
parecia que eu continuava dopado, parecia estar num filme! Essa sensação, por
mais incrível que pareça, continuou comigo. Eu não conseguia voltar ao
"normal". Isso ficou por um mês, até eu voltar das férias e retomar a
rotina do ano.
Me preocupei com minha ex-namorada, pois estávamos
acabando o relacionamento. Isso me fez esquecer tudo aquilo e voltar ao
"normal". Novamente, tudo pareceu ter sido um sonho ruim, e as
sensações que senti não foram tão terríveis. Mas adivinha! De novo usei a
droga! E novamente lá estava eu... Dessa vez com uma terrível taquicardia.
Prometi que, se tudo "aquilo" não passasse quando acordasse, eu me mataria,
pois era tudo tão terrível! Depois que dormi e acordei, o pavor havia passado,
mas continuava um pouco abalado, tonto e me sentindo um pouco distante, como
num filme.
Durante o dia, às vezes chego a ter um início de pânico,
principalmente se começo a ter receio acerca daquela sensação, mas nunca é tão
forte como quando usei a droga. Hoje, adquiri algumas fobias, como em contatos
sociais. Também parece que, tudo o que era simples, como a realidade e o mundo,
adquiriram um teor complexo. Parece que o que era simples, agora ficou difícil,
agora causa um receio. Fiquei muito mais quieto no meu canto, conformado. Não
tenho mais tanta energia. Acho que quem passa por essa situação, nunca mais
volta ser a mesma pessoa. Não digo que fique mal a vida inteira, mas que mude
para melhor. Estou lutando contra tudo isso e acredito no futuro!
Esse foi mais um desabafo com alguém que acho que pode me entender! Poucas
pessoas conhecem isso que passei e passo, como minha família e meu psiquiatra.
Talvez você entenda, espero que sim. Uma coisa é imaginar o que é isso tudo,
outra é passar na carne. Entre os relatos que encontrei na sua página e em
páginas sobre pânico, pela primeira vez na minha vida, descobri que existem
pessoas que sentiram o que eu senti. Foi um grande alívio, pois até uns
dias atrás, achava que só eu, no mundo inteiro, tinha aquilo. Sei que isso não
é nada racional, mas é o que parecia. Desculpe se escrevi muito, mas eu
precisava compartilhar isso!
Quero que fique muito à vontade para escrever para mim. Espero sua opinião
sobre isso tudo. Acredito que me aliviarei ainda mais ao ler suas palavras!
Aguardo ansiosamente seu contato!
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19 - Coordenadora de telemarketing, 29
anos. Tive minha 1ª crise aos vinte anos, dentro
de um cinema. Senti uma coisa estranha e achei que iria morrer. Fiquei com os sintomas mais ou menos uns 2 meses, então melhorei.
Em 1993, nasceu meu filho. No dia em que tive alta do hospital, tive uma crise
de pânico ainda no quarto. Daí, começou todo o meu
sofrimento. Tive crises atrás de crises. Tinha medo de ir ao médico, tomar
remédio e morrer. Quando estava na fila do supermercado e a crise surgia,
largava tudo e ia embora. À noite, acordava apavorada e fazia meu marido pegar
meu filho para colocá-lo em minha cama, para eu me acalmasse. As crises
foram se tornando insustentáveis e nem na minha casa, que era meu refugio, eu
não conseguia ficar. Não podia ir o até o portão. Não conseguia sair de
casa. Tinha muita palpitação, taquicardia, tontura e uma falta de ar absurda.
Comprei um livro sobre "Síndrome do pânico". Tudo que passava no
rádio ou tv sobre o assunto
eu gravava. Liguei diversas vezes ao C.V.V. , principalmente a noite. Fiquei sabendo de um neurologista
que tratava de pessoas com esses distúrbios. Era a minha última alternativa, já
não agüentava mais. Marquei uma consulta e ele me receitou um antidepressivo e
tarefas diárias. Eu tinha um caderninho onde anotava tudo o que eu fazia e com horários. Para que
eu tomasse o remédio, o médico quase veio à minha casa. A 1ª tarefa foi
atravessar a rua da minha casa sozinha. Foi um dilema. Cada dia eu tinha uma tarefa . Todas as sextas- feiras eu
fazia terapia com esse médico, apresentava as tarefas e recebia mais para a
semana. Quando saí com meu filho sozinha pela 1ª vez,
ele disse: mãe, nós vamos sair sozinhos? Até chorei. Meu marido ficava nervoso
comigo e perdia a paciência. Então fui melhorando e o médico achou melhor eu
voltar a trabalhar. Voltei com a graça de Deus e estou na empresa até hoje.
Estava querendo engravidar, só que eu tinha medo que
me desse alguma crise, pois abandonei o tratamento. Apesar de estar me sentindo
bem, por quase um ano não li a bula do remédio. Quando resolvi, vi que poderia provocar
convulsões. Não quis tomá-lo mais. Fiquei grávida e não tive nenhuma crise. A
minha médica foi super bacana comigo. Eu tinha medo
de morrer no parto e deixar as crianças. Ela me animava bastante e sempre tinha
uma resposta otimista. Estava realizada. Hoje tenho o prazer em curtir meus
filhos, coisas que tempos atrás não o fazia. Estou sem o medicamento. Tenho que
ficar supervisionando
meus pensamentos.
Se meu depoimento ajudar alguém, ficarei feliz. Um abraço.
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20 - Auxiliar Administrativo (fem),
25 anos. Através de minhas amigas e colegas de trabalho,
acessei sua página na Internet para buscar a ajuda de que preciso. Descobri há
pouco tempo, que meu "estresse" - assim era o que me diziam - se
transformou em sensações que até então já havia sentido, mas não com muita intensidade.Tudo começou numa segunda feira à noite,
enquanto calmamente lia o jornal, acompanhada de meus pais que assistiam
televisão. De repente, uma sensação horrenda tomou conta de mim. Minha garganta
trancou, meu peito parecia que ia estourar e meu coração - nossa!!! - disparou de uma maneira como nunca havia acontecido. O
medo de morrer tomou conta de mim. Só conseguia pensar como a vida é boa, como
deixaria meus pais e meu namorado que tanto amo.... E
aquela sensação se tornava cada vez mais apavorante e ao mesmo tempo, queria me
controlar para não assustar meus pais mais uma vez. Achei que dessa vez, como
tantas outras, iria conseguir me controlar e mostrar para meus pais que sou
forte e iria conseguir. Em vão! A coisa tomou uma proporção tão grande que meus
pais me pegaram e me levaram ao pronto atendimento de minha cidade. Durante o
trajeto até lá, coisa de nem 5 minutos, o que pareceu uma eternidade, só
conseguia pensar em coisas ruins e que tinha muito, mas muito medo de morrer.
Lá fui prontamente atendida e veio uma crise muito forte de choro, onde comecei
a me sentir mais aliviada, mas a sensação de medo, pavor continuava. Queria ver
meu namorado, que um pouco antes de minha crise, estava em casa comigo onde
tudo parecia normal. Clinicamente não foi constatado nada, estava 100%, não
fosse meu lado psicológico totalmente abalado. Tomei um calmante, muito forte
por sinal, que foi me derrubando aos poucos, até que a sensação horrenda sumiu.
Minha médica, muito carinhosamente, conversou comigo e me aconselhou a procurar
um psiquiatra, onde com auxílio e alguns remédios, poderia controlar essas
"crises". No momento fiquei chocada, a palavra psiquiatra soou muito
forte para mim, me achei uma louca. Após tudo isso, já em casa, comecei sentir muita vergonha do que tinha acontecido,
do que as pessoas poderiam pensar.... Queria provar que não era louca e que não
sabia explicar o que acontecia. Sinto muito medo de coisas normais: andar de
carro (principalmente quando não sou eu que estou dirigindo), sair na rua e
pensar que posso ser atropelada. Sonho com acidentes horríveis, e
principalmente morte. Tenho pavor e medo quando meu namorado sai para viajar, e
por incrível que pareça, ele vive viajando, vive na estrada. Agora sei que não
sou louca, mas tenho muita vergonha do que os outros possam pensar. Talvez o
que estou sentindo agora seja fruto de períodos muito difíceis da minha vida.
Era noiva de um rapaz há 08 anos, e infelizmente, ele era usuário de drogas. O
meu sofrimento durante todos esses anos me marcou muito. Sei que agüentei por
que quis, mas não conseguia me libertar em função de suas ameaças, o que me
provocava muito medo, principalmente por que sabia como ele era. Apanhei muito
e fui maltratada várias vezes. Fui ao último grau de humilhação que uma pessoa
possa atingir. Agüentava calada, pois meu medo era maior que minha coragem para
me libertar. Até que um certo dia, ele conseguiu
acabar com sua vida e me causar o último grande trauma em minha vida: matou-se
dentro de minha própria casa com um tiro na cabeça, disparado de uma arma de
propriedade de meu pai e, para agravar ainda mais a situação, quem o encontrou
morto fui eu. Sei que, ao mesmo tempo em que o susto e o trauma foram grandes,
comecei a viver uma nova etapa de minha vida, consegui encontrar a felicidade,
ver como a vida é bela e bonita, encontrei uma pessoa
realmente maravilhosa para mim, meu atual namorado. Talvez seja por isso que está sendo um
pouco difícil para mim, aceitar essas sensações novas e incomodas, que vem
surgindo na minha vida. Quero um auxílio, uma palavra de conforto. Sei que
tenho forças, para mais uma vez, superar tudo o que está acontecendo comigo.
Aguardo seu contato.
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21 - Comerciante, 27 anos. Caro Fernando,
antes de tudo, gostaria de parabenizá-lo por esta home page
e pela sua iniciativa de se ajudar e ajudar os outros. Exatamente, há 45 dias atrás, comecei a
sentir esses sintomas que você descreve na sua página. Estava sentado no sofá
na casa de uns amigos, conversando, quando de repente, comecei a sentir uma
taquicardia e dor no peito. A vista oscilava, ora escurecendo ora clareando. Suava muito
e só queria saber de ir para o pronto-socorro. Chegando lá, minha pressão
arterial estava 19 x11. Medicaram-me e fiquei lá umas duas horas e voltei para
casa, mas com sensações estranhas no estômago, com gases e empanzinado.
Deitei-me e quando achava que ia adormecer, sentia uns sobressaltos. Tomei 2 ansiolíticos e mesmo assim, só
consegui dormir quase pela manhã. Passei assim alguns dias, um pouco
confuso e com medo do que pudesse me acontecer. Isso ocorreu de sexta para
sábado. Na segunda-feira, fui ao cardiologista e ele de cara disse-me que eu
estava estressado, mesmo assim, fizemos uma bateria de exames e nada, tudo
jóia. Crise mesmo da pressão subir, ter taquicardias,
só tive três vezes, mas sempre tenho sintomas esquisitos: tonteira,
vista embaçada, dores nas costas, impressão que a garganta vai fechar,
dormência no corpo e pés gelados. Algumas vezes, me dá uma angústia, fico
desesperado para sair de algum lugar que eu esteja no momento e, assim que eu
saio, melhoro. Agora, graças a Deus, não tenho os sintomas do medo de
sair de casa, de ir para certos lugares, entende? Fico só um pouco
deprimido por querer entender, porque eu, com 27 anos, ter que passar por tudo isso.
Fico um pouco revoltado. Ainda não tenho a certeza se estou ou não com TP. O
médico já me aconselhou uma psicóloga, disse que preciso conversar. No momento
estou tomando um ansiolítico, já faz uma semana, mas cada dia tem um
sintoma diferente, e isso me incomoda muito. Pela sua experiência, mesmo sem eu
estar com medo de sair de casa ou ir a certos lugares, você acha que eu possa
estar com TP? Desculpe estar te alugando, mas um amigo meu me enviou um
e-mail com o endereço da sua home page. Eu li e
fiquei muito feliz por saber que talvez estivesse descobrindo a doença, por
isso resolvi escrever-te. Um grande abraço e muito obrigado por tudo. Por
favor, responda-me.
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22 - Engenheira, 27 anos. Tive Síndrome do Pânico por cinco anos, do início de 1992 ao fim de
1996. Descobri que mudou de nome, agora é Transtorno do pânico. Desde então,
não tive mais crises, sei como domar a fera. Acredito que nunca mais terei
problemas, entendi como essa tal de TP funciona, pelo menos
O TP foi uma escola e acredite, foi uma das melhores coisas que aconteceram na
minha vida - não, não pense que sou louca, não tomei antidepressivo demais, - o
TP me ensinou muito coisa e hoje sou muito mais feliz
do que seria se não a tivesse conhecido.
Depois que me livrei dos sintomas do terror - é como eu chamava algumas das
minhas crises - e você sabe tão bem quanto eu que as crises variam conforme a
situação, através do tempo e pela intensidade. Quando eu tinha as crises,
queria conhecer pessoas com TP para dividir a dor. Desde que me livrei do TP,
procuro pessoas para que elas dividam a dor comigo. Há três anos sinto uma
vontade, uma necessidade até de ajudar pessoas que estão passando pelo que
passei. Tenho certeza que você sabe do que eu estou falando, pois acredito que
sinta o mesmo. Mas quem tem TP, raramente se abre por medo de preconceito ou de
não ser
entendida. Como os outros vão descobrir que eu quero ajudar? Cada dia que
passa, quero mais e mais ajudar outras pessoas. Esta manhã me deu uma luz -
CLARO! A INTERNET! Caí no seu maravilhoso site PARABÉNS! Quem me dera
esse site existisse há
oito anos atrás... O que mais me impressionou foi o seu
sofrimento! E a quase operação no coração! Quando minhas crises
começaram, já se falava em Síndrome do Pânico, e mesmo assim foi terrível.
Imagino quando você tinha 14 anos e ninguém sabia que isto existia!
Bem, agora gostaria de falar-lhe sobre algumas de minhas teorias - não as tenho
como verdade absoluta, mas gostaria que pensasse sobre elas, sem preconceitos e
paradigmas.
1 - Que eu saiba, não existe nada comprovado se a causa da TP é física ou
psíquica. Seu site a cita como física.
Há quem defenda que, a grande maioria das doenças tem as duas partes
conectadas, ou seja, o psíquico não está legal e trás uma doença física num
órgão em que a pessoa já tenha uma predisposição que pode ser genética ou não.
O físico adoece e o psíquico piora, ou seja, fica mais deprimido, ou ansioso,
etc. Os dois vão piorando cada vez mais num círculo
vicioso.
Todos nós passamos por terapia e remédios. Você se "curou com
relaxamento - não estou considerando relaxamento como terapia. Terapia pra mim,
é você e um médico sentados numa sala onde cada minuto vale $.
Então, será que longos anos de terapia e um certo rombo na conta bancaria
seriam a solução? Acho o preço absurdo que a maioria dos psiquiatras cobram
pelas consultas semanais, chega a ser antiético!
2 - Não sou contra médicos e psiquiatras, muito pelo contrario,
existem excelentes profissionais. Ninguém sabe tudo, principalmente quando se
fala em TP, onde ninguém sabe nada. Não se sabe a causa, não se sabe a cura, só
se sabe o conjunto de sintomas e que alguns remédios ajudam depois de muita
tentativa e erro. Existe um paradigma de que terapia tem que ser longa. QUEM
DISSE? Se estou com dor de dente, vou no dentista ele
conserta, eu pago e fim. Quebrou a perna? Vou ao Pronto-Socorro , o médico
engessa, espero um tempo, tiro o gesso, volto lá para ver se curou mesmo, pago
e fim. O objetivo do medico é me curar e fim.
Que estória é essa que eu tenho que ficar indo ao psiquiatra por sei lá
quantos anos? Se o tratamento não tem fim é porque não cura. Um dia meu pai me
mandou num psiquiatra conceituado no Rio e logo na primeira consulta me disse
na lata: se todo paciente fosse igual a você, os psiquiatras morreriam de fome.
Vários psiquiatras e psicólogos me cozinhariam em banho-maria por alguns anos.
3 - "crises repentinas sem causa aparente" - depois de
pensar e pensar, vi tudo muito claro: TODAS,
exatamente todas, sem exceção de nenhuma das minhas crises tinham uma causa. Em
todas elas eu estava passando ou ia passar por uma situação que me contrariava,
ou me dava algum desconforto, ou me pressionavam. Só que eram coisas que eu
considerava que não oferecem desconforto, mas que no fundo, eu não estava nem
um pouco "afim" de passar por aquilo. Às vezes, eu tinha crises
porque na outra semana eu teria que visitar uma tia que eu detestava, mas nem
imaginava que isso poderia trazer uma crise.
4 - A crise surge porque eu me vejo em perigo e quero me defender ou fugir
deste perigo, certo? Então pensei, se eu mesma faço que as crises aconteçam em
mim, então não possa vê-las como inimigas, mas sim como uma ferramenta que eu
mesma uso para me ajudar. O TP não é uma inimiga a ser combatida e sim uma
aliada. Foi a partir do momento que tudo se resolveu. Parei de lutar contra e
sim APRENDER A CONVIVER com essa ferramenta que meu corpo me deu, para me
ajudar a viver melhor. Aprendi a sentir quando uma crise estava chegando e a
conversar comigo mesma. Por que vou ter essa crise? Eu descobria a causa da
crise, ou seja, a situação desagradável que eu estava querendo fugir e
eliminava a situação desagradável. Não tinha crise e, como conseqüência, fui
eliminando as coisas desagradáveis, desconfortantes e preocupantes de
minha vida. Além de acabar com as crises, aprendi a viver muito melhor!
Não sei se consegui explicar direito o que eu penso. Também não tenho a
pretensão de achar que o que funcionou para mim, irá funcionar para todo mundo,
mas acho que pode ajudar muita gente. Temos que tomar muito cuidado com o que
falam por aí. Cansei de ver médicos arrogantes, principalmente em programas de
televisão, falando besteiras sem nenhum embasamento no que dizem. Também já vi
muitos médicos bons.
Desculpe por um depoimento
tão longo. Quero muito ajudar e acho que as pessoas que já
passaram por isso, são as mais indicadas para ajudar quem esta sofrendo.
Gostaria muito de discutir sobre TP com você e outros que também se
interessam pelo assunto. E principalmente, QUERO AJUDAR quem está sofrendo.
Aguardo ansiosamente sua resposta, com uma ansiedade sadia e sem crises.
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23 – Informática – 27 anos. Tudo começou
com uma aparente dor de estomago. Ficava o dia todo como se minha barriga
ficasse contraída o tempo todo. Dias depois, após almoçar em um restaurante,
minha garganta simplesmente "fechou", não conseguia engolir e nem
respirar, fiquei pálido com o coração a mil por hora. Fui levado para o pronto
socorro, aonde recebi a informação que eu não tinha nada, apenas uma pequena
inflamação na garganta.
Procurei um otorrinolaringologista, e fiz alguns exames, aonde foi constatado
que eu estava com uma esofagite forte, resultado de "refluxos"
gástricos. Procurei então um gastro. Tomei milhões de
remédios e a garganta continuava fechando e as dores abdominais me incomodavam
muito.
Bom, a partir desse ponto comecei a apresentar outros muitos sintomas, como
dores de cabeça, irritação, medo de morrer, falta de ar, acordava assustado
durante as noites, dores nas costas muito fortes, entre outras coisas. Procurei
uma segunda opinião médica, aonde foi me dito que eu havia tido uma crise do
pânico. Ao ouvir aquilo não dei muita importância e ainda brinquei
"Imagina só, é o que me faltava".
Com o tempo percebi que poderia realmente estar sofrendo de TP, pois os
sintomas eram freqüentes. Comecei a pesquisar na Internet e ler um pouco mais
sobre casos como o meu, foi então que me dei conta de quanto isso é sério. Foi
difícil até admitir que realmente precisaria de ajuda
de um psiquiatra. Ainda não fiz nenhum tipo de tratamento, continuo com os
sintomas e cada vez mais forte. Tento controlar e procuro não deixar isso tomar
conta da minha vida, o que está cada vez mais difícil. Não consigo ter uma vida
normal, não consigo me desligar do trabalho e ultimamente me apresento muito
ansioso. Estou a cada dia que passa mais irritado, tudo me incomoda, às vezes
chego a discutir com os familiares, noiva e amigos, sem motivo algum. Acredito
que a maior dificuldade que encontro é o apoio de outras pessoas, quando falo
para os familiares mais próximos que estou novamente com aquelas dores e a
garganta fechando, todos olham como se eu quisesse chamar atenção, não dão
muita importância. Tento explicar o quanto é horrível para eu passar por essas crises,se é que posso chamar assim.
Minha noiva tem sido uma pessoa muito importante, não para que me cure, mais
sim por ser paciente e entender o que sinto. Não desejo isso nem para meu pior
inimigo, as dores que sinto são suportáveis, talvez o que não possa suportar é
a sensação de abandono.
Tento levar uma vida normal, apesar do desconforto físico e dos muitos
sintomas, tento me distrair com atividades diversas, mais na maioria das vezes
não consigo. Tenho ficado muito em casa, não gosto muito de sair, na verdade
tenho medo de que algo aconteça.
Não procurei ajuda medica especializada ainda, tenho receio de ter de tomar uma
serie de medicamentos para controlar a TP, tenho medo de ficar dependente dos
medicamentos e não levar uma vida normal, porém a cada dia que passa vejo que
não tenho muita escolha.
Gostaria de finalizar esse depoimento, agradecendo a oportunidade de relatar o
meu caso, e melhor de tudo de poder compartilhar com pessoas que sofrem a mesma
coisa. Fiquem com Deus e espero que todos nós um dia possamos olhar para traz e
dizer: "Finalmente estou curado".
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24 – Professora de Inglês, 22 anos. Oi!! Sempre fui uma pessoa muito tímida,
fechada, tensa e ansiosa. Um dia à noite, estava dando uma volta de carro com
uma amiga e de repente me senti muito mal. Era uma coisa estranhíssima! Eu
pensei que minha pressão tinha caído porque comecei a suar frio e sentir enjôo.
Isso aconteceu em 98. Um ano depois, fui a um seminário de autoconhecimento
e fiquei muito triste com a situação de algumas pessoas que falavam sobre suas
vidas e chorei muito. Nesse dia, senti a mesma coisa que havia sentido um ano
atrás. Tive a sensação de desmaio. Pensei que estava doente, com hipoglicemia.
Depois disso, como sempre fui preocupada com minha saúde (acho até que sou
hipocondríaca) ficava com medo de sentir isso novamente. Comecei a sentir medos
estranhos e sensações de desmaios. Mas nunca deixei de sair ou de fazer
algo, porque sabia e pensava que era psicológico e que podia controlar. Demorei
um ano para procurar um psiquiatra. Conseqüência: tive forte depressão e ainda
sinto angústia de vez em quando, tenho despersonalização- que
é simplesmente tão horrível quanto uma crise de pânico!!
Quando tenho que viajar, sinto muito medo, parece que o mundo não é
real... Estou fazendo terapia há um mês, mas não tenho coragem de tomar o
antidepressivo receitado. Tomei uma caixinha, mas quando o médico aumentou a
dose, não tive coragem de tomar, sinto muito medo de ficar louca e de que o
remédio me dê algum surto psicótico! Procuro ajuda!!!
Isso parece não ter fim, parece que estou presa num pesadelo...Toda
vez que saio de casa, converso comigo mesma : não vai acontecer nada, Deus está
comigo. por que vou passar mal ? nada
de mal vai acontecer, estou protegida pela divindade! Isso me acalma muito.
Gostaria de saber se o TP pode desencadear um quadro de loucura.
Muito obrigada pela atenção e pelo site. SORTE A TODOS.
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25 - Estudante de Administração de Empresas, 23 anos. Acredito que também tenho Síndrome do
Pânico. O que mais me dá medo é não encontrar respostas para minhas dúvidas.
Durante muitos anos eu precisava de alguém para me dizer que nada ia me
acontecer. Eu tinha falta de ar, minhas mãos suam, tenho dúvidas sobre minha
personalidade e etc. Como você diz, tenho medo de ter medo. Muitas das
desgraças que vejo, pego para mim achando que podem
acontecer comigo. Minha primeira crise me levou ao hospital com uma falta de ar
enorme. Mas meu medo mesmo começou quando fumei maconha. De certa forma, a
droga despertou em mim coisas que nunca me
atormentaram. Neste dia meu coração disparou e tive um grande medo de morrer.
Logo depois, só de sentir o cheiro da droga ficava com medo.
Não concordo que o TP não seja um problema psíquico. Sempre fui
muito neurótico e estressado, eu era daqueles meninos que não gostava de me
expor por sentir vergonha. Minha convivência com minha família sempre foi difícil
apesar de todo amor. Isto de certo modo me deixou vulnerável e sem entender o
mundo. Já tomei antidepressivos, ansiolíticos e fiz 6 anos de terapia. Hoje eu aprendi que a única solução para
parar as minhas crises é ter coragem para viver. Minha vida se resumia a minhas
pre-ocupações, ou seja antes das coisas acontecerem eu já dava muita atenção a elas e na
hora H não aconteciam ou não eram tão grandes assim. O espaço que elas
ocupavam, muitas vezes não eram proporcionais a sua
importância. E acontecia o contrário também, eu dava pouco
importância a certas coisas (muitas vezes por já estar estressado com
minhas "grandes imaginações") que podiam ter maior impacto sobre mim.
Hoje vivo bem melhor, principalmente porque não tenho mais medo de
enfrentar a vida e deixar as coisas acontecerem. O aprendizado da vida é a
melhor cura. Sei que tudo é um tormento mental, e sabendo disso sei que não
tenho problema de saúde e que posso fazer qualquer coisa. Como você, na hora que começo sentir as crises, paro e me controlo.
O segredo não é tentar se convencer que aquela crise não tem sentido, porque
uma hora este sentido pode se perder, uma vez que pessoas como eu vivem dando diferentes sentidos às coisas, principalmente
deixando-as agirem sobre nós de forma agressiva e maléfica. O que penso nessas
horas é que meu tormento passará, porque a vida me ensinará que não há motivo
para eu ficar deste jeito. A cura passa inicialmente por um desejo muito grande
de viver, de não aceitar que a "crise o tenha", e sim que você "tem
a crise". Eu sei que vai haver horas que não teremos respostas para o que
sentimos, mas quem não tem problemas... O que eu acho é que as pessoas que não
possuem a TP, simplesmente conseguem viver melhor com suas dúvidas, sem serem
tão ansiosas em achar respostas para tudo e tentar resolver tudo naquela hora.
Quanto mais tento encontrar explicações para o meu medo, mais angústia eu tenho
e, conseqüentemente, mais ansioso e com mais medo eu fico.
Não sei se me entendeu direito, mas eu acredito que a cura passa
pelo simples fato de conseguir viver melhor com suas dúvidas, sem deixa-las te prenderem dentro de casa.
Seu texto me emocionou, principalmente ao ler os depoimentos. Acho
que quando encontramos semelhanças nas outras pessoas, sabemos que é possível
viver. Um abraço.
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26 – Funcionária Pública Federal, 54 anos. Sou casada há 28 anos e tenho 3 filhos
homens. Encontrei sua página navegando na Internet à procura de outra coisa.
Tenho ou tive Transtorno do Pânico. Tive a primeira crise com 22 ou 23 anos.
Estava atravessando a rua quando senti uma tonteira seguida de um medo
irracional, não sei como cheguei do outro lado. O resto da história você e
outros como eu devem conhecer bem. Peregrinações intermináveis a todos os tipos
de médicos, sempre com o diagnóstico de que "estava tudo bem".
Naquela época, 1967 ou 68, ninguém sabia o que era "Síndrome ou Transtorno
de Pânico". Fiquei um ano sem sair de casa, toda vez que botava o pé na
rua tinha uma crise. Até que fui parar num psiquiatra que me deu o diagnóstico
de "depressão atípica". Mas pelo menos me tratou e me ajudou. Tomei antidepressivos e tranqüilizantes durante um tempo até
que as crises passaram. Fiquei durante muitos anos sem ter crise alguma,
cheguei até a esquecer ou bloquear que "aquilo" existia. Mas um belo
dia, sem mais nem menos, tudo voltou. Dessa vez já sabia o que era, procurei
logo um psiquiatra (o mesmo), ele me tratou com medicamentos mais
modernos e as crises foram logo embora.
Não tenho mais crises há muitos anos, levo uma vida normal, trabalho, me
divirto, viajo etc. mas sei que posso, de repente, sem
mais nem menos, ter uma crise novamente. Mas essa "coisa" não me tem
porque sei como ela é e como age. Fiz várias terapias alternativas,
relaxamento, meditação. Faço terapia corporal e me exercito. Foram essas coisas
que realmente me ajudaram. Não tomo antidepressivos nem
tranqüilizantes porque tomei horror desses medicamentos. Como você, também tive um companheiro compreensivo, o que é muito
importante, mesmo assim, fiquei com algumas "seqüelas". Tenho
claustrofobia (por incrível que pareça, meu medo é de espaços fechados e não
abertos como outros como eu), não consigo dirigir um carro, detesto elevador (não
deixo de andar de elevador, mas é sempre estressante), viajar de avião é um
problema sério. Viajo, porque a vontade de viajar é maior que o medo. Tenho
outras pequenas fobias e sensações estranhas que não se explicam. Chego até a
me descuidar de minha saúde às vezes, porque quando sinto alguma coisa
diferente, penso logo que é "aquilo" e não dou importância.
Espero que minha experiência possa dar esperanças a outros como eu, que eles
vejam que podem superar essas crises, sair do inferno. Existe luz no final do
túnel, mas para isso é preciso procurar ajuda. Um abraço !
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27 - Jeane Claudia Araujo
Lobo, 53 anos, terapeuta somática existencial e psicodramatista.
MEDO. "Este intruso indesejável chega de mansinho e vai se
instalando dentro de nós, como se não se importasse com o mal que traz!".
Vem devagarzinho e os invigilantes não se dão conta
(porque não prestam atenção) de sua nefasta intromissão. De repente, notamos
sua presença, agora realmente instalado dentro de nós. Ele começa a ditar
normas de conduta, grita mais alto, domina toda a nossa estrutura corpórea. O
medo desencadeia reações físicas como o suor, tremedeira, falta o oxigênio e
conseqüentemente dificulta o raciocínio, ficando a cabeça como se fosse
separada do corpo.
O desespero, que é o irmão do medo, toma as rédeas da situação. Quer controlar
o medo e é impotente e deixa-o se instalar porque não tem forças para lutar
contra ele!
Mas quem é esse que tanta violência causa? Quem é esse que intrusamente chega e
não vai embora enquanto não satisfaz seus instintos cruéis? Por que se tem este
inimigo tão potente? Será que todos já tiveram medo? Como será que cada um
sente o intruso?
Para ele se aproximar, antes de se instalar, ele deve ficar observando quais
entradas pode usar. Ele não deve entrar sem observar, não, não, não acredito!
Ele deve observar muito bem, como se fora um ladrão espreitando o movimento de
uma casa ou qualquer outro lugar almejado. Deve averiguar se entra pela porta
da insegurança, pela porta da fragilidade, pela janela do cansaço e do desgaste
ou pelo portão imenso da impotência e da falta de reflexão.
Acredito que deva ser por alguma dessas portas, ou talvez, por outras mais
escondidas que eu não conheço. Este intruso deve ficar espreitando quando e
como se instalará, quero crer que até entre para ver como é a casa, disfarçado
de qualquer coisa. Se perceber que pode ficar, aí na primeira oportunidade ele
se apossa definitivamente, fixando residência. Quando o dono da casa constata
sua presença, ele se apavora! Primeiro deixa-se dominar pelo intruso,
intimidado. O dono da casa não sabe quem é ele e como entrou. Sente-se fraco e
oprimido frente a tanta violência declarada. Depois, num segundo momento, fica
como em alerta para os desvarios causados pelo intruso. Fica esperando o
intruso atacar e muitas vezes esconde-se dele, não
fazendo nenhum movimento que o faça acordar, fica defendendo-se cautelosamente,
evita qualquer ato que o acorde!
Cansado pela situação desgastante, cria uma força enorme e o desafia em altos
brados, mas para sua surpresa o intruso grita mais alto e volta todo o seu
domínio. O dono da casa intimida-se novamente, tentando seu esconderijo: nenhum
movimento, nenhum barulho, anda nas pontas dos pés e restringe-se apenas a
sobreviver!
O medo vai se apossando de seus bens, suas conquistas, seus sonhos, sua ilusão
e como um possante extraterreno, vai acabando com tudo, derrubando tudo com
tanta força que o dono chora impotente, por ver tanto desastre, tanta perda,
tanta desolação!
Paz Profunda. Jeane Lobo
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28 - Solange, contadora, 33 anos. solavit@hotmail.com
Olá Fernando! Acredito que há mais de dez anos sofro da tal
Síndrome do Pânico, mas somente há uns dois anos descobri que sou portadora
desse mal. Desde criança nunca consegui dormir num quarto e nem mesmo numa cama
sozinha. Cresci e continuei assim. Quando vi meus irmãos casando, entrei
Comecei a namorar novamente há sete anos e no próximo mês irei me
casar. O meu noivo é uma pessoa ótima e tem me dado todo o apoio possível
para que eu me "cure". Esse ano fiz diversos exames, mais
precisamente um check-up e não deu
Há três meses atrás, resolvi consultar-me com uma psiquiatra e ela diagnosticou
a Síndrome do Pânico. Estou tomando antidepressivo e ansiolítico. O
antidepressivo interferiu na minha vida sexual, mas a minha psiquiatra explicou
ao meu noivo que todos os antidepressivos podem causar isso e que ele deveria
ter paciência comigo. Por enquanto ele está tendo essa paciência. Hoje
trabalho, mas não saio de casa. Tenho medo de tudo, mas o medo de morrer é o maior e o que mais me apavora. Minha filha tem 11 anos e
me pede que eu realmente me trate, pois o medo acaba prejudicando-a, pois não a
deixo sair sozinha ou somente com as amigas. Tenho muito medo que ela venha
também a sofrer desse mal. Sinto que tenho passado meus medos a ela. Gostaria
de fazer psicoterapia para me livrar desse mal, mas o custo é muito alto. Acho
que seria bom fazer parte desse grupo de apoio, onde todos que participam tem
ou já tiveram esse mal, entendem esse sofrimento, essa nossa angústia e ansiedade
Um abraço e parabéns pelo seu site!
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29 – Funcionária de lanchonete, 22
anos. aline_arr@bol.com.br
Quando eu tinha 6 anos, iniciei minha vida
escolar. No pré,
eu era uma criança medrosa e não conseguia permanecer na escola sem chorar.
Para mim, era quase impossível ficar até a hora de sair. Relutava todos os
dias para não ir, mas não adiantava, minha mãe me obrigava. Não me lembro bem o que eu sentia, mas era um
desespero, vontade de voltar para casa. Eu chorava desesperadamente. Não tinha coleguinhas, pois era muito rejeitada na escola por todos,
ninguém me aceitava, sempre lanchava sozinha.
O tempo passou. Eu não podia sair de carro e já passava mal, mas
era só de carro. Vomitava e ficava meio alucinada, mesmo assim, minha mãe me
forçava a fazer a viajem. Na adolescência eu melhorei um pouco, fiz varias
amizades. Namorava, saía, era até feliz, dificilmente passava mal. Pensei ser
outra pessoa. Com18 anos, arrumei um namorado. Saíamos muito. Viagens de longas
horas na estrada, dormia fora, enfim, podia fazer
coisas que quando criança eu não conseguia. Uma vez fui tentar sair com outras
pessoas, sem ele. Resultado: tive um desespero horrível no carro. Seriam as
crises de pânico? Eu não sabia o que era. Passei mal a noite toda. Vomitei
muito e pensei que fosse morrer. Só quem passou para saber... Depois desse dia,
nunca mais saí com eles, porque foi muito ruim. Só saía com meu namorado,
viajávamos muito e não voltei a ter crises.
Eu não sabia que tinha TP.
Namoramos 1 ano e 3 meses, foi quando tudo
acabou, ele não me quis mais por causa de outra pessoa. Eu o amava. Tive uma
pequena briga com essa terceira pessoa. Eu nunca briguei com ninguém por MEDO.
Ela me deixou para baixo e ele a preferiu.
Depois do episódio da briga, entrei para casa sentindo enjôos. Vomitei,
fiquei desesperada - a famosa crise de pânico. Até o momento, eu não sabia que
se tratava do velho pânico, eu não tinha consciência dessa doença, pensei que
estava ficando louca, sem nada entender. A partir daí, meu mundo acabou. Nunca mais
fui feliz. Sabe porque?
Porque todas as vezes que tentava sair, começava a passar mal. Tentei até sair
com ele, mas até com ele eu passei mal. Tentei ir naquela festinha das amigas e
deu tudo errado... Lembrei-me que uma vez fui na casa
de uma tia dormir e não consegui, tive crises intermináveis a noite toda...
Hoje cheguei a um ponto terrível, não posso fazer nada,
sinto-me muito só. A partir
daí, comecei a passar mal toda vez que saía de casa. Parei de sair, abandonei as amizades, pois
eles não me entendiam e me julgaram mal. Comecei a levar uma vida
solitária. Hoje, só consigo ir pro
trabalho, não consigo conversar com as pessoas, passo mal. Assim que chego do
trabalho, me isolo
Adorei esta página, nos esclarece
sobre essa doença que é muito pouco falada, mas muito sentida por nós. Obrigado
por tantas informações sobre o pânico. Ainda tenho fé que um dia poderei sair
de casa novamente sem passar mal.
Fico por aqui. Que Deus te ilumine cada vez mais. Você tem ajudado muitas pessoas a compreender certos fatos e esta me ajudando também.
<<<<>>>>
30 - Lúcia,
32 anos, psicóloga.
hpinho@zipmail.com.br
Pesquisando sobre a Síndrome do Pânico, encontrei seu site. Antes de mais nada, gostaria de dar-lhe os parabéns por ter
a iniciativa de divulgar, de forma simples e objetiva, sobre esse transtorno.
Recentemente tive uma crise, achei que fosse
"morrer", foi simplesmente horrível. Depois de perambular por várias
especialidades médicas, fazer diversos exames e obter resultados do tipo - você
não tem nada físico, é apenas um estresse -, imaginava ser a Síndrome por
conhecer um pouco sobre o assunto, mas a princípio, não queria acreditar,
sempre procuramos os especialistas errados, como cardiologista, neurologista,
endocrinologista e etc... Mas o psiquiatra e o próprio
psicólogo, ficam em segundo plano.
Atualmente, com técnicas de relaxamento, de respiração e
compreensão do meu limite, estou melhor, mas durou em torno de duas semanas,
foi horrível. Posso considerar a segunda crise, por que em 97 passei por um
processo semelhante, uma crise sem um fator desencadeante, no auge da minha
carreira profissional. Sem entender o que acontecia comigo, fui diversas vezes
em pronto-atendimentos, procurei diversos médicos e fiz vários exames, nada
significativo foi encontrado, a não ser uma série de
remédios prescritos desnecessariamente. Resolvi doar tudo para um posto de
saúde. Tirei férias, viajei durante um mês e voltei outra. Na época, não
me preocupei muito, imaginava ser apenas um estresse, em função da vida agitada
que levava. Pedi a Deus para "aquilo" nunca mais voltar. Depois tive
sintomas isolados, mas nada que me atrapalhasse
no meu cotidiano. A última crise comprometeu meu trabalho e minha vida
social por alguns dias, até a compreensão, aceitação de meus limites. O que me
ajudou muito foi um pouco de conhecimentos sobre o assunto, por que se
deixasse por conta dos médicos, estaria perdida. A falta de informação entre
eles e a forma como lidam com o paciente, é complicada. Não passam uma
verdadeira realidade da situação. Tentam ver o paciente de forma isolada e não
o ser como um todo. Mas concordo com você: "tenho a Síndrome do Pânico , mas ela não me tem". Lutarei com todas as
armas para não entrar em crise novamente. É simplesmente horrível, não desejo
para o meu pior inimigo, se os tivesse.
Com o relaxamento e aceitação de meus limites e um controle da
rigidez em relação a minha pessoa, tenho estado bem melhor, mas ainda me
assusto um pouco com a situação, apesar de conhecer o processo. Agora não
me deixo invadir pelas crises, saio normalmente, faço minhas atividades
regularmente, estou levando uma vida mais descontraída, como fazer um
esporte (natação, pois ela ajuda a equilibrar a química dos neurotransmissores).
Estou muito interessada em fazer parte do grupo, poder compartilhar
experiências com outras pessoas, poder ajudar outras pessoas a superar as
crises e viver de forma mais tranqüila e digna. A força eminente que existe
dentro de cada um de nós é transformadora e se chama :
DESEJO. Se somos a projeção da nossa mente,
devemos potencializá-la ao máximo para o equilíbrio. Disponibilizo-me a ajudar,
a esclarecer, vencer e superar a S.P,
desmistificar a idéia da impotência. Gostaria muitíssimo de participar do
grupo, se possível me mande informações sobre os encontros e datas a serem realizados
Atenciosamente, Lúcia
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31 – Técnica em Contabilidade – 34 anos. Sou mineira, mas há seis anos moro só
Os anos foram se passando e eu me fechei na mais absoluta solidão.
Por mais que eu tentasse não conseguia me adaptar às diferenças culturais, e,
sinceramente, não conseguia deixar ninguém se aproximar de mim. Como sempre fui
dada a depressões, há um ano resolvi voltar à psicoterapia, uma forma de tentar
me sociabilizar novamente e interromper o processo depressão
-medicamentos. Há mais ou menos oito meses tive uma crise horrível a
qual chamei de hipoglicemia. Já havia tido há anos atrás, por isso não foi
difícil me auto-diagnosticar. Procurei um
endocrinologista, que fez todos os exames e nada! Já fazia tratamento com um
neurologista por causa de uma enxaqueca, ele me disse que era ansiedade
e que se eu sentisse novamente era para tomar um daqueles
"comprimidinhos". Comecei a achar que estava enfartando, tinha
taquicardia e dormências. Fui a um cardiologista, mais exames e nada. As crises
diminuíram. Me esqueci.
Em novembro as "crises" voltaram com força total, comecei
a achar que estava morrendo, fui parar várias vezes em hospitais e
pronto-socorros. Taquicardia, tonturas, vertigens, falta de ar (paradoxalmente
o ar não tem nenhuma resistência para entrar nos pulmões), desconforto
abdominal, dormências.
Moro só. A solidão de minha casa aumentava,
mais ainda o medo de ter uma crise fatal. O medo gerava novas crises. Os
médicos, os meus e principalmente os plantonistas, chegavam a rir de mim,
dizendo que não era nada, "é ansiedade". Achei que pudesse ser
cansaço, ou "estresse", e que com a chegada de dezembro, minha viagem
anual para "casa", rever a família e os amigos, me faria bem e
tudo voltaria ao normal. Passei vinte dias em casa e não tive nada. Minhas
férias foram normais, ri muito, dormi, brinquei com os sobrinhos, saí com
amigos. Achei que era mesmo somente cansaço. Há quinze dias tudo recomeçou. Me dei conta que, por achar que não tinha importância ou por
vergonha, ainda não tinha comentado nada com minha terapeuta. Ela está de
férias. Sexta-feira tive outra crise, e, no
desespero, encontrei tua página na internet. Me vi em
cada depoimento que li. O sofrimento e a angústia de cada palavra descrita
pareciam meus. Uma certa sensação de alívio veio
acompanhada da responsabilidade de saber lidar com tudo isso.
Gostaria de me corresponder com outras pessoas que padecem do mesmo
mal, e se possível, que me informasse se é do teu conhecimento se em Cuiabá/MT
tem algum grupo de apoio como os de BH. Que Deus o abençoe pela iniciativa.
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32 – Secretária - 24 anos - editograf@uol.com.br
Sofro de Síndrome do Pânico desde os dezessete anos. Faz seis anos
e meio. Quando tinha cinco anos, meus pais se separaram me deixando para trás
com minha avó, mãe do meu pai. Minha mãe não fez força de me levar junto com
ela, ela me abandonou levando apenas o meu irmão mais novo. Somos três irmãos.
Minha irmã morava com a avó, mãe da minha mãe. Morávamos com meu pai, eu e meu
irmão. Ao se separarem, por ela ter feito traição ao meu pai, fui a que mais
sofreu. Minha mãe sempre me batia muito. Cheguei a vê-la com um amante. Ela
pediu-me para que não contasse nada ao meu pai, se não ela me arrebentaria os
dentes. Eu morria de medo dela. Fiquei morando com minha avó em uma cidade do
interior do Paraná.
Quando eu tinha uns sete anos, tive a primeira crise. Eu estava na
casa de uma colega onde havia ido brincar, e, quando estava indo embora,
começou a me dar um mal estar. Parecia que eu ia morrer. Medo! Eu gritava
desesperadamente chamando minha avó como se fosse morrer naquele momento. Minha
avó veio ao meu encontro e me abraçou. Logo a crise passou.
Minha avó decidiu me levar ao médico. Fui, fiz um eletrocardiograma. Nada tinha
no coração. Tomei remédios, como era pequena, não me lembro o nome. Por um bom
tempo tudo melhorou. Aos onze anos saí daquela cidade e vim morar com uma tia
na cidade de Salto - SP, para ficar mais perto do meu pai. Meu pai se casou de
novo, fui morar com ele. Estava feliz, estava perto do meu pai, uma pessoa que
se importou muito comigo.
Quando estava com dezessete anos e meio, trabalhava em uma firma. De repente,
parecia estar morrendo. Pedia para que as pessoas me ajudassem, mas ninguém
entendia o que estava acontecendo comigo. Medo, desespero, secura na boca, as
mãos e pés suavam, me sentia como se não estivesse mais ali. Aos poucos tudo
foi passando. Minha amiga me acompanhou até em casa, e fiquei mais segura.
Resolvi ir ao médico psiquiatra. Fiz eletroencefalograma
e eletrocardiograma. Não deram em nada, tudo normal.
Aos dezoito anos, engravidei e larguei o tratamento para trás. Não
andava e nem ficava mais sozinha. Sempre pensando que, quando nascesse o bebê,
eu melhoraria. Felizmente a criança nasceu, uma menina
linda que eu amo muito e dou muito amor a ela. Como fui rejeitada por minha
mãe, dou amor demais a minha filha. Meu marido é um excelente
marido e pai, sofre comigo nas minhas crises da Síndrome do Pânico.
Moramos três anos com minha sogra. Mudamos para nossa casa nova assim que
terminas de construí-la. Que desespero! Teria que ficar pelo menos uma parte do
dia sozinha com minha filha. A primeira semana foi
bem, mas nas outras... Fiquei dois anos indo com meu marido ao escritório. Nós
temos um escritório de Editoração Gráfica. Tinha dia que ficava o dia inteiro
lá sem fazer nada e em casa tudo para fazer e acumulado. As
vezes ia o dia inteiro e a noite para trabalharmos, tudo isso porque eu não
ficava sozinha. Comecei a fazer tratamentos psiquiátricos e psicológicos. Tomo
tranqüilizantes.
Em Julho de 99, decidi enfrentar e comecei a ficar em casa com
minha filha. Não foi fácil, mas não desisti, fui fundo, estou conseguindo. Não
é sempre que me sinto bem. Por enquanto eu ainda não ando sozinha pela rua,
está difícil superar essa parte. Mas, ficar em casa sozinha, estou
conseguindo. Tirei carta e dirijo só se tiver alguém de confiança do meu lado.
Só ando na rua se tiver alguém de confiança também.
Está sendo muito difícil para mim, tenho sempre recaídas.
A Síndrome do Pânico é muito traiçoeira. Quando penso que ela está passando,
ela volta de repente me deixando para baixo. Hoje estou angustiada. Acho que
foi porque reagi ao máximo para não tomar o tranqüilizante, fiquei oito dias
sem tomar, mas caí em tentação e tomei o remédio.
Gostaria de parar de tomar esse medicamento. Faço tratamento
homeopático e tomo remédios naturais. Gostaria de ficar só com a homeopatia e
parar com alopatia, para ter um tratamento natural, uma vida saudável e sem
nada de pensamentos psicológicos. Às vezes acho que nunca vou melhorar e aí me
entrego ao fundo do poço. Algumas vezes tenho forças e vontade de melhorar
muito pela minha família e por mim mesma.
Gostaria que você, Fernando Mineiro, me enviasse um e-mail e me colocasse em
contato com alguém que tenha uma situação parecida com a minha, para podermos
sempre teclar. Um grande abraço e que Deus nos ilumine sempre.
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33 – Fátima, Revisora, 46 anos. Quero parabenizá-lo pelo excelente site e
pelo maravilhoso trabalho voluntário que você vem fazendo. As
informações são claras, simples, precisas e certamente de grande ajuda para as
pessoas que ainda estão perdidas no labirinto horripilante que é o TP.
Há quatro anos atrás, passando por um momento difícil em minha vida, comecei a
ter crises de pânico, que foram aumentando de freqüência e intensidade até se
tornarem diárias, várias vezes por dia!
Eu estava desesperada, sem entender o que se passava comigo...Tudo
bem, eu estava com problemas, mas não associava as crises aos meus problemas
pessoais. Aquilo que eu sentia, se pensasse racionalmente, era
extremamente exagerado em relação à dimensão dos meus problemas. O pavor, o
horror e os sintomas físicos que eu sentia eram extremamente
desproporcionais ao tamanho dos meus conflitos! Lembrei que tivera algo
semelhante sete anos antes e que nas minhas diversas idas a pronto-socorros, o
remédio era sempre o mesmo: calmante e repouso. "Eu nada tinha. Nada
grave, pelo menos". Lembrei também que, na época, fui me
"encorujando" em casa, até chegar ao extremo de não conseguir abrir a
porta e sair à rua sozinha.
Num determinado dia, cansada de me sentir tolhida no meu direito de "Ir e
vir", "bolei" um plano estratégico de "Saída Gradativa à
Rua". Eu nada sabia de "exposição", "dessensibilização",
"terapia comportamental" ou seja lá o que
for. Eu não sabia nem mesmo o que tinha!
Imaginava que era alguma loucura da minha cabeça. Não conhecia ninguém
que tivesse o mesmo problema...Coloquei em prática meu
plano de exposição gradativa, não sem ter diversas crises durante a execução dele.
Para falar a verdade, era a única coisa que eu fazia fora de casa, naqueles
dias. Saía de casa, sozinha, somente para executar meu plano que era bem
simples: andar uma quadra por dia e voltar para casa. No dia seguinte,
aumentava uma quadra e assim sucessivamente, até conseguir ficar a uma
distância bem razoável da minha casa.
Após essa etapa, como já me sentisse um pouco melhor, comecei
a andar de ônibus, apenas uma parada ou ponto por dia e voltava para casa. Fui
aumentando o número de pontos, dia-a-dia, até conseguir atravessar um, dois,
três bairros de ônibus, etc...
A terceira etapa foi associar ônibus e metrô, pois o objetivo era ficar o maior
tempo possível longe de minha casa e o mais longe também. Esse plano durou
meses, claro. Só comecei a sentir melhor
os resultados, no final do primeiro mês. Até então, o pavor era
imenso. Tinha crises durante o meu exercício diário. Sim, o que estava
fazendo era um exercício. Ou melhor, eu estava reaprendendo a sair à rua
naturalmente, como qualquer mortal. Com meu esforço e persistência, obtive
sucesso! Melhorei, mas não fiquei sabendo o que era aquilo.
Voltando há quatro anos atrás. As crises estavam insustentáveis, pois ocorriam
diariamente, diversas vezes por dia...Com a
reincidência das crises diariamente, passei a ter medo de ficar
A situação se tornou tão grave que resolvi pedir socorro aos meus familiares,
num momento de crise. Até então, quando podia, eu “disfarçava” o que
sentia. Naquele dia eu estava tão ruim, que foi chamado um psiquiatra conhecido
da família. Ele conversou comigo, me medicou e me encaminhou a
outro psiquiatra, mas não sem antes recomendar que eu ficasse na casa de
minha mãe, descansando por uns dias. Consultei a psiquiatra indicada e ela
prescreveu, além da medicação, uma "internação domiciliar", de vinte
dias, na casa da minha mãe. Quando eu cheguei no ponto
de ter a "internação domiciliar", já estava incapacitada para tudo:
havia largado o emprego, não saía mais à rua sozinha, não ia à casa de ninguém,
já abandonara os meus amigos, não dirigia mais, enfim, vivia quase que num
completo isolamento, pois nem em casa conseguia ficar
tranqüila. Simplesmente horrível!
Quando me perguntavam de que eu tinha tanto medo eu respondia: não sei... só sei que tenho medo do medo! Racionalmente, ter medo do
medo era algo completamente absurdo pra mim. Como ter medo de algo que não é
palpável? E ainda mais medo do medo? Como ter medo do medo? Só podia estar
ficando maluca mesmo! Eu sabia que as
pessoas têm medo de aranha, barata, andar de elevador (eu mesmo tinha)... Mas esse medo era diferente... Não sabia bem como, mas era isso: Eu tinha
medo do medo! Não preciso dizer que ninguém
entendia! As pessoas queriam que eu dissesse que tinha medo de coisas ou
situações bem concretas! Eu mesma queria isso! Meus familiares se
esforçavam para me entender, procuravam me dar apoio.
Mas era bastante complicado...
Bem... Aos poucos, com terapia, medicação e exposição gradativa para fazer a dessensibilização, fui melhorando. Praticamente passei a
ter uma vida diária normal.
Contudo, ainda não recuperei algumas coisas que fazia antes de ter essa recaída
grave há quatro anos atrás. Continuo na batalha! Continuo fazendo terapia e
tomando medicação.Tenho meus objetivos de vencer os
obstáculos que ainda faltam e estou trabalhando neles, obtendo já algum
sucesso. Minha família tem me apoiado e me ajudado bastante. Mesmo não estando
curada, considero-me uma vencedora!
Deixo uma mensagem de esperança a todos que ainda estão perdidos nos labirintos
do TP: creiam, se há labirintos, há saídas! Desejo que
cada qual encontre a sua o mais breve possível!
Carinhosamente, Fátima
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34 - Estudante de medicina, 21 anos - Sou portadora do TP há 4
meses. O TP tem dificultado bastante a minha vida, visto que, como acadêmica de
medicina, é exigido de mim um grande esforço.
A minha primeira crise aconteceu no corredor do laboratório de
anatomia da minha faculdade. Apesar de estar cercada por estudantes de
medicina, ninguém sabia o que fazer. O desespero era imenso. O meu coração
batia a mil por hora. A minha respiração estava ofegante e meus braços e meu rosto ficaram dormentes. Eu não conseguia parar
Isso aconteceu numa sexta-feira. Na segunda eu já estava no
consultório de um neurologista. Passei a tomar um ansiolítico e um
antidepressivo. Hoje em dia eu vou levando a vida. Tenho algumas crises de
vez em quando, mas não tão horríveis como a primeira ou como as
que tive no final de 2000 e início de 2001. É difícil para eu
conciliar a doença e a faculdade, já cheguei a pensar em desistir, o que mostra
como eu estava mal, porque a medicina é minha vida. Não consigo pensar em ter
uma vida feliz sem ser médica. Como não sou de Curitiba e moro aqui
sozinha, gostaria de ter mais apoio das pessoas que me cercam, já que a
minha família está longe.
Aos poucos vou vencendo a batalha e espero chegar a me formar e ser
uma ótima médica. Às vezes é difícil pensar no futuro, às vezes eu acho que não
vou conseguir. É por isso que peço a ajuda de qualquer pessoa e estou disposta
a ajudar outros portadores de TP, que também precisem de ajuda.
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35 – Secretária, 27 anos. Tenho crises
de pânico desde os 12 anos. Naquela época eu não tinha conhecimento a respeito
de TP, meus familiares também não. Eu passava mal em muitos lugares e tudo o
que os médicos diziam era "hipoglicemia", embora eu nunca tivesse
feito um exame de curva glicêmica. As coisas não eram
tão complicadas para mim, no ponto de vista "fóbico",
naquela idade. Eu tinha uma ou duas crises por ano apenas e não sentia medo de
ter medo. Minhas crises eram rápidas, duravam no máximo de
As crises de paralisia continuaram por um tempo, até se espaçarem
bastante, coisa de uma por ano, com duração máxima de uma hora. A última foi em
1989. Mas o pânico não sumiu. Eu tinha crises rápidas e agudas, com os
sintomas: terror absoluto, suor frio, medo de enlouquecer, pensamento rápido e
confuso. Não importava onde eu estivesse. Quando começava, eu só tinha uma
coisa em mente: "FUGIR!" Eu saía correndo de onde quer que fosse: restaurantes, metrô,
shoppings e, invariavelmente, bastava por o pé para fora do lugar, para me
sentir melhor. Nessa fase, minhas crises continuavam rápidas, 5 minutos no
máximo. Isso durou muitos anos, dos 17 aos 21, quando eu comecei a desenvolver
o medo de ter medo e as tais fobias, pois as crises tornaram-se freqüentes para
mim. Passei a ter uma por mês pelo menos. Isso ajudou a desencadear todo o
processo.
Até 1993, eu não sabia o nome da coisa. Em 1994, li uma matéria a
respeito e me identifiquei de imediato. Eu soube desde o momento que li aquela
revista que era portadora da síndrome do pânico. Resolvi fechar a boca com medo
do preconceito e, admito, porque no fundo eu achava que poderia controlar tudo
aquilo com a minha "força de vontade". Doce ilusão, eu não podia e
ainda não posso.
Daquele tempo para cá, muita coisa aconteceu, mas eu preferi fazer vista
grossa. Mil sintomas se apresentaram: apatia, medo de estar com pessoas, de ir
a lugares cheios, de conhecer gente nova e outros. No entanto, não me dei conta
que não estava vendo nada ou, no mínimo, não estava entendendo nada.
Em 1997, mudei-me da capital de SP, para o litoral, cidade de
Santos. Conheci alguém e resolvemos morar juntos. Tudo
estava bem, até que em 1998 tive uma suposta crise de apêndice e fui parar no
pronto socorro. O médico me examinou e disse que iria me operar. Eu estava apenas com meu marido, meus pais estavam em SP, ambos
doentes, com câncer, não tinha a quem chamar. Meu convênio cobriria apenas
enfermaria e eu ficaria sozinha. Aquilo tudo foi me dando pavor, fui começando
a ficar insegura e ansiosa. Enquanto me preparava para a internação, quando
ainda no OS, as enfermeiras tentaram colocar-me no soro, estouraram duas veias.
A dor foi imensa, acredito que aquilo tenha agravado a situação, porque na hora
eu simplesmente surtei, comecei a gritar, pedir para
sair, para que retirassem o soro, que eu queria ir embora. Elas tentavam me
acalmar, mas qual, não tinha jeito, a crise havia sido deflagrada e, nessa
hora, não tem "acalme-se" que resolva, principalmente vindo de gente
estranha. O médico autorizou a retirada do soro e eu saí pela porta do PS com
todo mundo me olhando, praticamente correndo. Quando cheguei do lado de fora,
tive um acesso de choro. Parecia uma criança. Meu marido, sem entender nada, me
abraçou, nos enfiou num táxi e me levou pra casa. Aquele abraço, naquela hora,
valeu mais que tudo. Algumas horas depois, passada a
crise, eu parei e pensei seriamente no que havia ocorrido. O que eu tinha feito
era loucura pura. Se realmente eu estivesse tendo apendicite, teria que ser
operada imediatamente ou morreria de fato. Parei para pensar mais na
imbecilidade que havia feito, do que no ridículo da situação. Foi ali que me
toquei que precisava seriamente de ajuda, que eu não estava me controlando e
havia chegado a ponto de colocar a minha vida
Voltando àquele episódio, eu não me esqueci de que precisava de
ajuda e procurei uma psicóloga e marquei uma consulta. Chegando lá, foi batata,
ela confirmou o quadro e comecei a fazer consultas quinzenais. Ela me
ensinou exercícios de respiração, relaxamento autógeno e tantas outras coisas,
sobretudo conversávamos bastante e ela insistia muito para que eu procurasse um
psiquiatra, pois somente a terapia não bastava, o que resolvi fazê-lo depois de
algum tempo. Não simpatizei com o primeiro e tentei outro, com quem tive uma
empatia imediata. Ele identificou o problema da minha dor de barriga -síndrome do cólon
irritável- ,ou seja, acontece quando você despeja os seus problemas emocionais
no intestino. Receitou-me um antidepressivo, o qual não deu certo devido a
muitos efeitos colaterais. Depois tentamos outro e, esse sim, deu certo. Eu
tomava diariamente 10 mg dele. Foi-me receitado
também um ansiolítico, o qual só deveria ser tomado em casos de crise. Nunca
tomei, me lembro que o joguei
fora poucos meses atrás por já estar com o prazo de validade
vencido.
O tratamento foi ótimo, dois meses depois, eu já não tinha mais
dores, nem crises e estava começando a identificar todos os sintomas, aqueles que sentia desde criança, e também as fobias. Meu
processo de exposição foi um sucesso, tanto que, meses depois, precisei ficar
no hospital, no soro, por um dia e não tive nada, o que fez
com que meus médicos ficassem felizes dizendo que logo eu encerraria o
tratamento, o tal desmame. Tudo estava bem, eu tinha uma vida normal, saudável,
viajava, pegava elevador, metrô, restaurante, qualquer coisa, sem problema
algum. Aí tive dois problemas familiares sérios, meu pai faleceu em 1999
vitimado por um câncer de estômago e minha mãe em 2000 de câncer de mama. Na
ocasião do falecimento dela, eu estava desempregada e meu marido ganhando
pouco, apenas o suficiente para bancar a casa, era ela quem mantinha o meu
tratamento psicoterápico, o qual
tive que abandonar. Para completar a lista, minha mãe faleceu dia 13/06
e, em 26/06, descobri que estava grávida, o que fez
com que eu também tivesse que abrir mão do medicamento. Misteriosamente, eu
tive forças para abandonar a medicação de supetão. Não tive problemas, não tive
crises durante a gravidez, nem o menor sinal dela, foram 7
meses tranqüilos, até que meu marido perdeu o emprego, a empresa faliu e ele
não recebeu nada, nem fundo de garantia. Para piorar, o meu plano médico me
excluiu e eu não tinha sequer onde fazer o parto (estamos guerreando na justiça
até hoje).
Comecei a ter os sintomas leves da "coisa". Não sei se
feliz ou infelizmente, eu não me apercebi deles, levei tudo como se nada
estivesse acontecendo. No dia do parto, fui para o hospital
tranqüila, fiquei no soro, na sala do pré-operatório, sem problema
algum. Tomei anestesia e deitei na mesa, iria fazer cesárea, pois minha filha
estava enrolada no cordão umbilical. Os médicos conversavam comigo, brincavam,
tudo estava bem, até que, na hora em que a tiraram eu
ouvi o choro e surtei de novo. Do nada, bem no meio
da cirurgia, comecei a gritar por ajuda, me desesperar, queria fugir e não
podia, pois estava anestesiada e amarrada, me deu desespero do soro, dos
médicos, de tudo enfim. Fui sedada na hora pelo anestesista, nem vi o rostinho
da minha filha. Algum tempo depois, acordei saindo da sala e dei com o meu
marido e meus tios no corredor do hospital. Meu marido foi sábio, fez uma
dívida monstro e me colocou num quarto particular, ele sabia que eu não iria
suportar ficar sozinha. Cheguei no quarto e logo me
trouxeram a menina. Foi uma coisa estranha, eu não senti nada, achei que iria
ficar emocionada, que iria chorar, mas nada senti, me preocupei com isso, mas
achei que passaria. Foram dias de horror, minha filha chorava tempo integral,
eu não conseguia dormir, ela não pegava o seio, gritava. Vinha médico, pediatra
e nada, eu estava ficando desesperada, passei a sentir dores de barriga
novamente. Como na ocasião do apêndice, eram tão fortes que me dopavam com
morfina. Comecei a piorar, passei a rejeitar a menina, não queria nem vê-la e ,no dia da alta, dentro do quarto, tive 3 crises seguidas,
violentas e diferentemente das outras vezes, eram longas, duraram horas e não
passavam totalmente. Quase que não tive alta, mas eu precisava sair dali, achei
que melhoraria assim que colocasse os pés na rua, mas não, ao entrar em casa,
tive outra crise, e depois outra, passei minha primeira noite sentada na cama,
agarrada ao travesseiro, dizendo que queria morrer. Meu marido se desesperou,
minha família também. Foi minha tia quem cuidou da menina, pois bastava eu ouvir
o choro para ter uma crise e só conseguia dormir com ansiolítico. Eles
resolveram então chamar a minha médica em casa, ela veio e conversou comigo,
disse que eu havia recaído e que precisava tomar o remédio. Voltei ao
psiquiatra que me receitou o mesmo medicamento, mas me proibiu de amamentar, ai
bateu a culpa, eu só chorava e tinha crises seguidas, não queria parar de dar o
peito à minha filha, afinal era a única coisa que eu, como mãe, estava
conseguindo fazer. Porém, mesmo com toda a culpa, parei. Minha tia me convenceu
disso com um argumento retumbante: "você é tudo que ela tem!" Era
fato, parei de amamentar e passei a tomar o remédio e voltei com as minhas
consultas, desta vez semanais,.É a única coisa para a
qual saio de casa, me tranquei dentro dela, coisa que jamais havia feito na
vida e mesmo assim, não me sinto segura.
Minha tia que mora na capital, está aqui desde que minha filha
nasceu. É só de pensar na
possibilidade dela ir embora e sinto que vou enlouquecer de
pavor. Minhas crises hoje são cheias de dores no peito, meus pés adormecem (mas
eu fico de pé, sem paralisia). A respiração se altera e todos os terrores, medo
de enlouquecer, etc ressurgem,
com uma diferença, antes eles desapareciam em 5 minutos, hoje demoram cerca de
1 hora.
Hoje 15/03/2001, minha filha Janaína tem 32 dias. Meu tratamento tem menos
tempo do que isso. O medicamento demora para fazer
efeito, cerca de um mês em média, mas eu já comecei o trabalho de exposição. Já
cuido do bebê praticamente sozinha, quase que em tempo
integral, apenas à noite minha tia ou meu marido cuidam dela (porque à noite
meus sintomas pioram sensivelmente). Se tenho que sair de casa, começo a sofrer dois dias antes. Outro dia saí de carro, apenas
para ter outra crise, no entanto, estou comemorando o fato de estar há 5 dias sem ter crises dentro de casa e, principalmente, o
fato de estar olhando, pegando e tratando a minha filha com todo o amor que
possuo.
Agradeço o seu site Fernando, porque nunca havia conhecido ninguém, nem visto
depoimentos de pessoas com TP. Identifiquei-me e me emocionei com vários deles.
Senti que posso melhorar muito lendo tudo isso e me correspondendo com pessoas que tenham
o mesmo problema, pois no fundo, eu sei que é só questão de boa vontade e
tempo. Peço desculpas pela extensão do depoimento, mas eu queria de fato contar
"tudo" e olha que eu ainda resumi a primeira fase (risos).
Obrigada!
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36 - Lucilia
Mascheretti, 59 anos, Socióloga
- lmascheretti@hotmail.com - Coordena
Bate-papos sobre o TP. Só agora, quase aos 60 anos, descobri que
minhas crises de pânico estão ligadas única e diretamente a problemas
familiares, problemas bastante graves: separações e doenças incuráveis. Ao
descobrir que estes fatores desencadeiam em mim o pânico -o
qual tenho desde os 21 anos e a claustrofobia - que adquiri aos 26 anos,
já consigo enfrentar quase que muito bem a sensação de que vou morrer sem que
ninguém me socorra. Digo a mim mesma que a tirania do medo não vai me
dominar. Quando sinto que vou ter a crise, olho-me no espelho, me belisco e
digo a mim mesma: será possível que você não consegue dominar este medo? vai entrar em pânico de novo? vai
ficar "panicosa"? Belisco-me várias vezes
para tirar aquela sensação estranha de que eu não sou eu, que estou
amortecendo. Tenho conseguido até rir de mim mesma defronte ao espelho.
Aos poucos acaba aquela sensação de amortecimento geral, aquela sensação de que
vou desmaiar. Tenho conseguido não chamar ninguém para me socorrer. Eu mesma me
socorro diante do espelho. É esquisito, mas é assim mesmo que me domino. Não
tomo remédio algum, porque até medo de tomar remédios eu tenho, acho que eles
vão me matar.
Aproveito a oportunidade, para também me colocar à disposição
de pessoas que lidam com o mal de Alzheimer - cuido de minha mãe há 10 anos com
este mal, é uma das coisas que também interferem no meu TP e que consigo
conviver com ele muito bem, conforme lhe disse.
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37 – Luiz Carlos,
Comerciante, 41 anos - luizdamatta@zipmail.com.br - Parabenizo-o pelo seu site e pela
contribuição que você tem dado aos
portadores da Síndrome.
Esse transtorno do Pânico, eu o tenho há
21 anos. Perdi muitas oportunidades na minha vida, mas procuro lutar para que
ele não me derrote. Não vou me alongar descrevendo como começou e sobre os
sintomas, pois todos já sabem como eles agem. Ainda tenho algumas dificuldades,
como por exemplo, o transito congestionado.
Ainda não me casei. Nesse momento, estou
tendo a oportunidade de viajar para a praia, mas está sendo muito doloroso um
conflito interno: tenho
o desejo de ir, mas alguma força estranha me impede avisando-me que terei as crises na estrada.
Pratico muito esporte. Jogo futebol
quatro vezes por semana. Faço ioga, massagens orientais e terapia.
Não tomo nenhum medicamento, já tomei
antidepressivos por um ano. Existem algumas situações que eu gostaria de me
expor, mas levaria mais tempo. Portanto, estou disposto e desejoso de que não
só você, como as outras pessoas, se quiserem, podem se comunicar comigo. Quanto
ao meu relato você pode usa-lo como quiser. Um abraço
e até....
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38 – Professora, 30 anos. Oi! Parabéns pelo site. Descobri esta página
hoje, e já a mais de três horas que estou aqui lendo os depoimentos.
Identifiquei-me muito com algumas pessoas... Pelas expressões que usam como
"a coisa" ou "uma muleta". E também, é claro, pelas
sensações.
A minha história com o TP começou quando tinha 16 anos. Fumava maconha,
com uma prima, desde os 14. Gostava um pouco até, mas não tinha aquela
"necessidade" que a minha prima demonstrava. Para ela, era importante
fumar muito e todos os dias. Para mim, só de vez em quando, e em pequena
quantidade, estava bom.
Certa vez, minha prima, com sua forte personalidade, foi até a
minha casa convidar-me para sairmos e, óbvio, fumarmos com um amigo dela. Era
uma tarde fria e chuvosa de sábado. Eu não estava muito a fim de ir com ela,
mas a insistência era grande... Mas eu ainda tinha uma alternativa: meus pais
nem sempre me deixavam sair com ela, porém, estranhamente, naquele dia, eles
deixaram sem maiores perguntas.
Fumamos muito... Geralmente, nas outras vezes que eu havia fumado,
sempre tinha hora para voltar para casa, sempre tinha a preocupação com
"se os meus pais descobrirem..." Mas, naquela tarde, tudo era
diferente: era cedo, não me havia comprometido com horário para voltar para
casa. Então, pensei: "hoje vou fumar muito só pra ver qual é".
Foi o que aconteceu... Fumei muito... Estava sentindo-me muito bem:
uma sensação de leveza enorme, parecia que eu estava sonhando, parecia que eu
estava voando... Então pensei: "Está tão bom aqui (naquele vôo
imaginário), vou só dar uma descidinha para ver o que acontece". Foi,
então, que eu tive a pior sensação da minha vida: não conseguia descer! Meu
coração disparou, tudo parecia um pesadelo, não mais
um sonho como antes. Não sentia meu corpo, tinha formigamento, confusão mental,
sentia muito frio, endurecimento do queixo... Achei que estivesse ficando
louca. Minha prima e o tal amigo assustaram-se um pouco.Disseram-me
que eu estava tendo "um teto" e que, se tomasse leite passaria.
Eu pensava que precisava de um psiquiatra urgentemente, mesmo naquela confusão,
sabia que custava muito e não teria dinheiro para pagar, era sábado de tarde,
FOI HORRÍVEL!
Quando cheguei à minha casa, meus pais se preparavam para
sair. Precisava muito contar o que se passava comigo para alguém
de CONFIANÇA, mas não quis incomodá-los. Eles saíram. Eu precisava de uma
companhia... Já havia passado bastante tempo depois de ter fumado, mas a
sensação não passava... Meu irmão estava em casa também, mas não poderia contar
para ele. Fui para minha cama tentar dormir, não conseguia. Tive que ficar com
a luz acesa... Depois tive um pouco de sono, mas era uma sensação aflitiva:
dormia, acordava, sentava na cama, implorava para que meus pais voltassem
logo... De repente, vi que minha mãe veio apagar a luz do meu quarto, dormi.
No dia seguinte, sentia-me como se tivesse estado doente há algum
tempo. Sentia-me frágil, porém aliviada, pois o pesadelo passara. Depois
daquele dia, passei a ter medo de sentir aquilo
novamente. Sentia uma aflição muito grande também quando estava em ambientes
iluminados por luz fluorescente. Queria fugir, mas não sabia de onde, pra onde,
e nem de quê.
Algumas semanas passaram, ainda conseguia
manter aquelas sensações somente sob o meu domínio. Até que, numa certa manhã,
a crise ficou incontrolável: parecia que eu estava dentro de um sonho, mas eu
sabia que era tudo real, meu coração disparava, tinha calafrios, o formigamento
voltou... Então decidi, aproveitando que meu coração estava a mil, falar para
minha mãe que eu estava com problemas cardíacos. Comecei a chorar
compulsivamente. Queria que a minha mãe ficasse perto de mim o tempo todo,
segurando minha mão, me abraçando... Ele resolveu levar-me a um clínico geral,
fiz eletrocardiograma, mas estava tudo bem com o meu coração. O médico disse
que só podia ser psicológico e me receitou um benzodiazepínico.
Então fomos, eu e minha mãe, meu pai estava viajando à
tal psicóloga indicada pelo médico. Não gostei dela, não consegui me abrir,
pois eu sorria, ela não, eu chorava, ela não demonstrava nenhuma reação, ela só
me olhava. Não quis mais voltar lá.
O tempo passou, as sensações continuaram. Eu não saía de casa sem o
tal remédio. Às vezes, sentia-me o ser mais esquisito da face da Terra, tinha
sensações de estranheza. Olhava para as pessoas na rua e imaginava como é que
eu podia estar passando por tudo aquilo se as outras pessoas estavam na maior
normalidade. Às vezes, as crises eram fortes e eu tomava o remédio, chorava
muito, abraçava-me à minha mãe, conversava com meu pai e, aos poucos passava. O
que nunca passou foi o medo de sentir aquele medo novamente.
Eu sabia que precisava de ajuda. Recorri ao Espiritismo, lá me
diziam que eu precisava fazer "desobsessão".
Ia a algum psicólogo que não cobrasse muito e ouvia que eu tinha
problemas emocionais... Ficava cada vez mais confusa, mas mesmo assim levava
uma vida praticamente normal, só com alguns poréns:
na aula precisava ficar em uma cadeira bem próxima da porta, pois de tivesse
alguma crise, poderia sair rápido. Sair de casa sem o remédio? Nem pensar. Quantas vezes voltei quadras, pois tinha esquecido o dito.
Nesse período, surgiu a oportunidade de ir ao RJ, com amigos,
assistir ao show do Stones e depois passar uma semana
Mas um tempo, quando estava quase terminando a faculdade de Letras,
comecei a dar aulas em uma escola particular e a perceber um salário
satisfatório. Então decidi: "Vou fazer terapia com o melhor
psiquiatra da minha cidade".Pesquisei
e fui. Ele não disse que eu tivesse TP. Mas eu questionava sobre as mesmas
sensações descritas pela mídia. Ele disse-me que se eu queria tanto um nome
para o que eu tinha, então seria uma "neurose ansiosa".
Passei a tomar vários medicamentos: antidepressivos, continuei com
a minha "bengala", o tal benzodiazepínico.
Fazia também a terapia. As crises eram raras, mas o medo do medo continuava.
Foi quando conheci um novo namorado. Passado algum tempo fiquei GRÁVIDA. E
assustada! E agora? Não poderei tomar mais a o remédio? O psiquiatra foi
categórico: NÃO. O obstetra disse que, preferencialmente, não, mas caso eu me
sentisse muito mal seria melhor tomar. "Nada em excesso".
Porque não queria causar dano NENHUM à minha filhinha, não
tomei, mas passei bons bocados. Tinha às vezes inícios de crises. Naqueles
momentos, pedia fervorosamente ao meu anjo-da-guarda
que me ajudasse. Ele me ajudava. E a crise não vinha. Foi muito difícil
pra mim, pois antes da gravidez, quando saía, principalmente à noite, por vezes
cheguei a tomar até oito comprimidos.
Minha filha nasceu, graças a Deus, saudável. Sentia vontade de
tomar a "muleta", mas ainda tinha que amamentar...
Tempos depois, me separei do pai da minha filha e fiquei muito mal.
Nessa época já estava de novo tomando o tal benzodiazepínico
e antidepressivos também.
Mesmo com os sintomas, já peguei vôos de até 6 horas. Fiquei longe
de casa (meu porto seguro) e também dou aulas para turmas de até 100 alunos.
Continuo tomando o tal remédio, meu atual marido diz que nem efeito
faz mais. Eu acredito que faça. O problema é que agora quero engravidar
novamente e tenho muito medo de ter uma crise, não conseguir trabalhar e não
poder tomar o tal remédio.
Preciso conversar com alguém que já tenha passado por isso. Li todos
os depoimentos e vi que algumas mulheres tiveram filhos, mesmo atravessando por
esse problema. Será que alguém pode me ajudar? Muito obrigada!
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39 – Célia, 40 anos, Fisioterapeuta - behzad@matrix.com.br
- 02/07/01
Na época em que comecei
a ter essa doença, não sabia da existência dela, nunca tinha ouvido falar sobre
TP. Tinha mais ou menos 17 anos. Tudo começou com uma insatisfação em relação à
escola. Na época, morava em Sampa e estudava no
Colégio Rio Branco (que eu odiava, parecia uma prisão). Comecei a questionar o
sentido de ser obrigada a estudar e depois sobre o sentido da vida. Comecei a
sofrer de fortes angustias e somatizá-las para meu
corpo. Começou com parestesia. Olhava meu braço e não
sentia como meu, justamente quando estava indo para escola ou quando lá estava.
Comecei a relacionar meu mal estar com a escola e passei a evitar ir ao
colégio. Tinha muitos amigos, uma turma e um namorado.
Com o tempo, a angustia aumentava. Passei
a não sentir minhas pernas quando estava na rua. Comecei a sair menos de
casa e, em umas férias de janeiro, fui para o Guarujá e tive meu Primeiro
ataque. Estava junto com minhas irmãs indo a pé para o centrinho, íamos dar
umas paqueradas. No meio do caminho comecei a sentir me angustiada e, de
repente, não me senti, foi como se estivesse me vendo de cima, estava
consciente, porém sentia-me gelada. O coração acelerou e tudo foi perdendo
o sentido. Agachei-me num canto e comecei a gritar que estava morrendo. Foi
horrível! Não preciso dizer que passei o resto das férias dentro do apartamento
com medo de ter aquilo de novo.
Chegando em Sampa, estava apavorada e muito deprimida. Passei a ter
outras vezes aquilo e não saía mais na rua com medo de ter medo. Fiz anos de
terapia. Antes disso, piorei muito, fiquei deprimidíssima
e queria morrer, mas não tinha coragem para me matar, porque amava muito a
vida. Não tinha mais fome
e não tomava banho, só quando minha mãe me dava. Emagreci muito e
passei a tomar um monte de remédios. Meus amigos todos sumiram. Só tinha um que
vinha às vezes em casa para me levar para dar a volta no quarteirão, o que era
uma vitória. Passei o diabo ate descobrir o que tinha. Minha vida parecia um
pesadelo sem fim. Mas, como gosto muito de ler, lia todos os livros de
psicologia que encontrava pela frente. Fui pesquisando. Voltei a estudar e fiz o segundo grau. Tinha
um amigo que me levava para escola e outro que voltava comigo, a pé ou de ônibus,
não conseguia andar sozinha. Fiz faculdade, mudei de estado, casei e trabalhei
10 anos como fisioterapeuta.
Hoje tenho 40 anos,
3 filhos, um adotado e 2 gerados. Estou no meu segundo casamento,
agora desempregada. Por causa de minha doença, abandonei um emprego no governo
federal depois de 10 anos, tudo porque meu marido havia viajado a trabalho e eu
estava com nenê novo. Senti-me desamparada e, quando ele voltou, em vez de pedir
transferência e aguardar na cidade (estava em Macapá), enquanto ele começava o
negocio dele no Paraná, fugi e larguei tudo por medo de ficar só. Não estou
livre da doença, já enfrentei momentos terríveis, mas tive muitas vitórias. Às
vezes passo anos sem tomar medicamento nenhum, outros tenho que tomar
antidepressivos e calmantes para controlar a angustia. Já fiz anos de terapia e
hoje faço acompanhamento com psiquiatra.
Ainda não me conformei com a doença,
porque ela impede um crescimento maior, pelo menos para mim. A
nível profissional, fico muito limitada. Não vejo o dia de ser livre,
sinto-me uma prisioneira. Sei que, ao mesmo tempo, tenho medo de ter sucesso e
ser independente. É uma ironia, já me sabotei varias vezes, mas não desisto,
porque amo muito a vida e meus filhos. Cada um nessa vida tem sua cruz para
carregar e, se algo nos foi dado, é porque temos condições e forcas para
agüentar, pois aprimora
e fortalece nosso espírito.
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40 - Adriana Esteves, 34 anos, Enfermeira – e-mail – drika_go@yahoo.com.br
Eu e a SP: Como tudo começou e terminou. Tudo começou logo que tive
meu filho, dois meses após, no ano de 1984.
Estava dentro de um ônibus com ele, bem pequenino nos braços. De repente, comecei a
imaginar o que aconteceria com meu filho se eu passasse mal. Naquele momento,
começou tudo. Comecei com os sintomas clássicos: sudorese, taquicardia e um
medo enorme de desmaiar. Pedia uma pessoa que me ajudasse a segurar meu
filho. A pessoa desceu do ônibus comigo
e me levou à minha casa.
Alguns dias se passaram e comecei a ter verdadeiro pânico de ficar
sozinha em casa, comecei a ter crises de TP. Quando meu marido ia trabalhar, eu
ficava ruim, mas me segurava até ele voltar do trabalho. Comecei a não sair
sozinha mais, tinha medo de ter medo. As
coisas foram piorando drasticamente a ponto de minha mãe ter que parar de
trabalhar para ficar cuidando de mim. Eu tinha que cuidar do meu filho pequeno,
mas como? Se eu não conseguia cuidar nem mesmo de mim? Foi uma reviravolta na
vida de todos. Eu tinha menos de um ano de casada e fazendo meu marido sofrer
tanto. Na realidade, quem sofria era eu, tudo ia piorando. Para ficar comigo,
só servia meu marido, minha mãe ou minha sogra. Nem com meus irmãos eu tinha
coragem de ficar. Parecia uma ameba, um parasita, mas até aí tudo bem, não
tinha crise de SP quando estava com um deles por perto, mas sempre andando
grudada neles, na casa toda. Tinha medo de perdê-los dentro de casa. Meu
apartamento era bem pequeno. Não ia ao banheiro sozinha,
tinha medo de morrer afogada no chuveiro.
Um belo dia, eu viajando para uma cidade
turística perto de Goiânia, minha cidade, comecei a passar mal. Suava frio, tremor,
taquicardia e asfixia. Pedia para o meu marido voltar
pelo amor de Deus, porque eu estava morrendo. Fiquei sufocada, sem ar. O pior é
que tanto fazia voltar para casa, como seguir em frente; a distância era a
mesma. Daí meu marido disse: calma, vamos seguir adiante. Seguimos. Fui
melhorando aos poucos até que chegamos à cidade. Só que havia um grande
problema, o retorno: como seria? Passei a noite toda angustiada e ansiosa. Fiquei
adiando a volta. Na realidade, se eu tivesse um parente por lá, acho que não
voltaria para minha cidade de tanto medo de ter outra crise daquela. Mas chegou
a grande hora do retorno para casa. Quando fui vendo que a cidade estava
desaparecendo dos meus olhos, comecei a ter uma crise e falei pro meu marido
que queria voltar. Ele, na maior paciência que tinha, parou o carro e começou a
falar-me que aquilo tudo ia passar. Eu havia comprado um litro de álcool para
cheirar no caso de desmaiar. Seguimos a viagem, mas eu estava totalmente ansiosa e tensa.
Desse dia em diante, a SP acabou de degringolar com minha vida. Não
quis mais pensar em estrada nem bairros mais distantes, eu não ia nem com meu
marido. Fiquei frustrada, pois era uma das coisas que mais amava, viajar.
Minha vida se tornava cada vez mais limitada. Pensava: meu Deus, acho que estou ficando louca mesmo! Fui a todos os médicos
e especialidade e nada de errado comigo. Um dizia: você tem que rezar; outro,
que era frescura; outro,
porque me casei nova; outro porque tive filho ainda nova e outro porque perdi
meu pai muito cedo. Eu realmente já estava ficando doida. Foi numa época em que
não existia essa doença na literatura médica. Dá para imaginar o quanto sofri?
Minha mãe começou a perder a paciência comigo e a dizer que eu
tinha que cuidar da minha casa, do meu filho, do meu marido e etc. Gente, eu
mal cuidava de mim. Tornei-me cliente assídua do pronto socorro, pois agora
tinha crises mesmo estando com meu marido ou com minha mãe. Procuramos uma
psicóloga muito famosa aqui
Marcamos o inicio da terapia. Comecei a ter uma crise na ida por
pensar que eu teria que ficar 45 minutos com ela sozinha? E se meu marido fosse
embora? Eu exigia que ele ficasse lá me esperando o tempo todo e ainda pedia a
terapeuta para eu ir lá fora ver se ele estava lá. Isso eu fazia umas três
vezes por sessão. Até que me ajudou um pouco a terapia, fiz por dois anos mais
ou menos, mas as crises não cessaram. O que realmente a terapia me ajudou foi
perder o pânico de desmaiar. Isso sim, acabou. Parei com a terapia, mas meu
sofrimento continuava. Queria saber o que eu realmente tinha.
Em 1996, vi a reportagem de um psiquiatra na tv. Comecei a ouvir o
que ele estava falando. Ele falava sobre pessoas que tinham medo, medo de ter
medo e etc. Que a Universidade Federal de Goiás estava fazendo um estudo sobre
esses medos, com a parceria do laboratório que fabrica o antidepressivo. Daí,
ele disse o nome da doença; Síndrome do Pânico e, que quem tivesse interesse,
era só ligar e marcar um horário para a entrevista com ele. Na mesma hora
peguei o telefone e liguei marcando o horário. Fiquei ansiosa e novamente mais
uma esperança. No outro dia, estava eu lá acompanhada do meu marido. Quando
entrei sozinha, veio a crise. Ele percebeu, claro! Foi
me acalmando e me perguntando o que estava sentindo. Explicou-me tudo sobre a
doença, Já saí com o antidepressivo na mão, doida para achar uma água. Aquela
era minha última esperança. Até o antidepressivo a universidade estava doando.
Tomei o dito cujo e fiquei esperando não ter mais crises. Para minha surpresa,
o antidepressivo para mim não resolveu. Aliás, passei mal pra caramba. Comecei a chorar, havia se esgotado minha última
esperança. Voltei lá uma semana depois e disse tudo que havia sentido com o
remédio. Foi aí que ele me receitou um ansiolítico. Tomei, mas sem ter muita
esperança. Enganei-me. No primeiro comprimido, eu já não tinha mais crises.
Tomei por uns três ou quatro anos. Nem sei, parei de tomá-lo por conta própria.
Ele havia me dito para não parar, mas mesmo assim, como sou teimosa, parei.
Acabaram-se as crises. Fui fazendo exercícios de exposição, como se eu fosse um
bebê engatinhando. Comecei a descer do prédio sozinha, depois ir na esquina e daí alçando vôos cada vez mais longe. Foi um
longo período, até que acabaram-se as crises. O medo
de sair e ficar sozinha, também não existiam mais, mas
ainda tinha um problema; a estrada. Viajar? Nem que me amarrasse eu viajava.
Mas pra mim estava ótimo, não tinha crises, era independente.
Comecei a trabalhar, logo de cara, numa grande empresa e com um
cargo elevado. Voltei a estudar e me formei para enfermagem. Só que comecei a
ficar frustrada, meu marido e meu filho viajavam para a praia e eu ficava.
Minha única irmã morava em Teresópolis - RJ e eu ficava
triste por todos irem visitá-la, menos eu. Daí, as pessoas falavam assim: a
Adriana não viaja não, ela tem problema. Vinha um e perguntava: você tem medo
de quê mesmo? Quem disse
que eu tinha coragem para contar que eu tinha medo de ter medo? Só meu marido
sabia. Eu dizia que tinha medo de acidente, era mais fácil falar isso. Fui me
revoltando com a situação de estar tudo bem, de ter meu carro, meu excelente
emprego, ir sozinha para onde eu queria, porém não ter coragem de viajar. Daí, voltei no meu psiquiatra e ele me receitou novamente o
ansiolítico. Disse-me que era para eu fazer uma terapia que se chamava
"Terapia Cognitiva Comportamental". Que ela iria acabar com a
agorafobia. Por incrível que pareça, estava perto do aniversario da minha irmã.
Comecei a fazer
a tal terapia. Eu estava na quarta sessão e faltavam apenas 24 horas para o
aniversario da minha irmã. O marido dela me liga e me diz que havia perguntado
para ela o que ela queria de presente de aniversario. Ela falou para ele: meu
maior presente seria a Adriana vir passear na minha casa. Comecei a chorar
compulsivamente, me senti impotente, infeliz e, acima de tudo, covarde. Eu
disse para o meu cunhado que não poderia ir por motivo de trabalho. Eu Mentira.
Comecei a falar com Deus para me dar coragem. Daí, eu li na bíblia um versículo
que diz assim: Deus não nos deu espírito de medo e sim de coragem e ousadia.
Pensei comigo: então vou me encher de coragem e ousar. Comecei a fazer as malas, quando meu marido chegou, as coisas estavam todas
dentro do meu carro e, ele assustado,
perguntou-me o que era aquilo. Eu falei: vamos pegar a estrada para o Rio de
janeiro às cinco horas da manhã. Ele não acreditou. Daí, não
falamos para ninguém, seguimos às cinco horas. Aliás, passei a noite toda acordada e
ansiosa.
A viagem foi linda, a melhor viagem da minha vida. Não sabíamos nem
o endereço da casa dela, era surpresa. Eu não poderia perguntar, mas sabia que
era perto do Banco do Brasil e lá só tem um, ficou fácil achar. Quando chegamos
lá, à noite, tocamos o interfone e minha sobrinha atendeu e começou a gritar não acreditando.
Falou para minha irmã que eu estava lá. Minha irmã não acreditou e nem deu
bolas para minha sobrinha. Quando entrei, ela quase desmaiou, começou a chorar
e a dizer que
aquele foi o melhor presente que Deus poderia ter dado a ela. À meia noite,
começamos a comemorar o aniversario dela e, daí por diante, minha vida têm sido
de vitórias e conquistas. Quando vejo alguém dizer que não tem cura, fico
indignada, foram 12 anos de sofrimento e cativeiro. Perdoem-me pelo tamanho do
relato, é porque vocês nem podem imaginar o tamanho da minha vitória. Que isso
sirva de alento para aqueles que estão sofrendo.
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41 – Universitário, 22 anos, Ronald - SP - E-mail: drosophilasp@ig.com.br
Olá, Fernando Mineiro! Talvez você se lembre de mim pelo meu
apelido na lista, PSIDUCK. Você deve receber algumas mensagens minhas via e-mail.
Achei que deveria compartilhar alguns fatos com você, pois, através do seu
site, achei informações importantes para lidar com o TP. Encontrei pessoas fantásticas que me ajudaram
e, hoje, depois de alguns meses, as considero minhas amigas.
Prestei "vestibulares" no fim de 2002, após
seis meses de início do meu tratamento e, no começo desse mês, começaram a sair
os resultados das provas. A superação e a provação que passei ao realizar essas
provas, foram recompensadas no momento que li a lista
de aprovados. Consegui passar em duas faculdades públicas. Na UNESP
(Universidade Estadual Paulista) e na UFSCar (Universidade federal de São
Carlos). Ambas no curso de ciências da computação.
Para mim, isso foi uma superação pessoal, pois hoje faz menos de um
ano que comecei o meu tratamento (fará um ano em maio), depois de quatro anos
sofrendo de TP. Se naquele tempo eu não tinha nenhuma esperança de conseguir
viver, posso te dizer que hoje é tudo diferente.
Minha vida recomeçou da forma mais feliz possível. Um buraco de
quatro anos de TP está sendo fechado. Vejo agora no meu caminho um horizonte
que posso seguir. Depois de tanto sofrimento e medo, descobri que sou muito
mais capaz do que pensava e, a cada dia, cresço na minha vida. De algo que eu
considerava perdido, consegui extrair o máximo de mim. Penso que as pessoas que
sofrem de TP, são na verdade, as pessoas mais fortes do mundo, só que não sabem
disso. Nosso sofrimento nos torna mais fortes e, se aprendermos a lidar com
ele, seremos pessoas muito melhores.
Sinto-me feliz por ter me superado dessa forma. Queria dividir isso
com todos. Eu, como vários de nós, passei por momentos muito difíceis, mas
posso dizer a todos que o TP não é o fim. Podemos a cada dia superá-lo e viver
a nossa vida de forma feliz. Tenho momentos de tensão, mas para ser sincero,
não me lembro deles. Tento fazer a minha memória lembrar apenas de quando me
sinto bem. Espero que assim como eu, todos que passam pelo TP, saibam que ele
tem cura e depende muito de nós.
Obrigado a todos da lista pelo apoio e, a Deus, por ter me dado
mais uma chance de viver com alegria.
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42-
Luciana - 28 anos – E-mail: luciana.rodriso@gmail.com -10/01/08 - Hoje em dia, volto minha mente ao
passado e vejo que tenho sintomas de TP desde criança. Não sabia explicar aos
meus pais a "dor de barriga", mas hoje vejo que era medo, ia para
escola quase sempre "arrastada". Sentia-me mal na sala de aula e
também na hora do intervalo. Nunca fui muito próxima às pessoas, ter amigos que
fazem tudo junto e também não gostava de comer. Sempre fui muito sensível a
aromas.
Com
muito custo em 1996 terminei o segundo grau. Passava muito mal na escola e mais
ainda na volta pra casa de ônibus. Além do mal estar, parece que eu atraia para
ver pessoas passando mal ou vomitando. Tudo aquilo me transtornava muito.
Tentei fazer uma faculdade, mas com muito custo tive que abandonar, pelos
mesmos motivos de sempre. Consegui um trabalho próximo de minha casa aos 18
anos. Era aproximadamente um km a pé, o que mais tarde se tornou um milhão de kms. Alimentava-me com
dificuldade, sentindo aquele "nojo" do alimento. Não conseguia
caminhar muito que passava mal. Meu coração disparava, ficava sem ar,
completamente descontrolada e com ânsia. Tentei ter namorados, mas não durava
muito tempo. Não sentia vontade de sair. Só me restava o trabalho. Comprei uma
moto para facilitar minha locomoção e não precisar mais ficar a pé ou precisar
de ônibus.
No
final de 2002, depois de seis meses turbulentos de namoro, o rapaz morreu
bruscamente. Tentava ser forte mas não percebia que ia
caindo aos poucos. Em 2003 comecei a ter mais crises, mas ainda não sabia o que
eu tinha, tudo era tratado somente como depressão.
Peguei um pavor enorme de andar de moto. Vendi, assumi mais uma dívida, mas
comprei um carro. Por um tempo me senti mais segura.
No
final de 2003 comecei a faltar do trabalho por causa das crises. Acabei vendo
um cabelo na comida e resultou em parar de comer. Somente no inicio de 2004 foi
diagnosticado TP depois de eu achar que estava ficando louca. Não saía mais de
casa, não comia, não deixava ninguém comer e parecia que qualquer momento
alguém me ameaçava, imaginava que iria vomitar. Fui submetida a altas doses de
antidepressivo e ansiolítico.
Mais
tarde, em meados de 2004, o golpe final: fui demitida! A partir dai cai de vez!
Mesmo com os tratamentos nada era suficiente, apenas amenizava um pouco.
Descobri que além do TP tenho agorafobia, claustrofobia, fobia social, fobia
alimentar e emetofobia. Não que eu tivesse intenções
de emagrecer, pois já sou magra demais e me incomoda com isso, mas segundo a
psiquiatra, é um tipo de anorexia essa fobia alimentar, pois rejeito os
alimentos. A emetofobia é um medo incontrolável de
vômito, tanto eu vomitar, como ver, saber, ouvir,
qualquer coisa relacionada ao assunto.
Hoje
em dia, depois de mais duas tentativas de trabalho que duraram alguns meses e
de voltar à faculdade, me encontro sem trabalho, sem conseguir sair da minha
casa, com crises até quando vou tomar banho. Tentei terapia cognitiva
comportamental por
um ano, mas parei por falta de condições financeiras. O mesmo está ocorrendo
com meu tratamento com a Psiquiatra. Não tenho condições de manter nem os
remédios, que pra falar a verdade, estou cansada de tomar e não ter resultado.
Minha família no inicio se assustou, mas hoje em dia se cansou e todos se
afastaram, mas não os julgo,
sei que eles também não têm mais condições emocionais e
financeiras pra me ajudar. Conto com a ajuda de meu namorado atual, comigo há 4 anos. Não pode me ajudar financeiramente e nem o tempo
todo, mas no que pode, procura sempre estar presente. Sinto amizade por ele,
pois sei que o namoro está totalmente voltado a isso, já que tenho crises
simplesmente de ganhar um beijo. Sei que deve ser difícil ter uma pessoa assim
ao lado, pois não vou a casa dele, não o acompanho
E
assim me encontro hoje em dia, sem esperança, vendo o tempo passar, a vida e as
pessoas caminhando e eu ficando na mesma situação. Continuo com a medicação,
agora com 20 mg de antidepressivo e 2 mg de ansiolítico.
Sr. Fernando, acredito que isto vai fazer muitas
pessoas verem que o TP delas é tão pequeno, mas sei também que tem pessoas que
sofrem assim como eu. Não sou covarde, apenas cansei de lutar e não ter
resultados! Não me restam mais forças, nem mesmo me alimento corretamente. As
pessoas dizem para tomar vitamina, mas nem condições do
remédio estou tendo, quem dirá de vitamina. Dou graças ao meu irmão ter
este velho computador, é meu único meio de comunicação com o mundo. O nojo da
comida complica tudo. Uma vez que somos o que comemos, então não sou nada! O
pavor de sair de casa é intenso demais e não tem quem se disponibilize de tempo
e vontade para fazer exercícios de exposição comigo! Já tentei sozinha, mas foi
terrível! Muito obrigada por tudo!
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43- Estudante de Educação Física - 22 anos - Em 2004 eu usei esteróide
anabólico e maconha. Após alguns meses surgiu uma depressão leve e
insuportáveis crises depressivas, as quais me levaram a procurar ajuda
psicológica e psiquiátrica para sanar de imediato os problemas ligados às
causas químicas e orgânicas.
Fiz no total cinco sessões com a psicóloga. Devido
às crises estarem se estabilizando ela pretendia me liberar, porém, como tive
alguns sintomas de depressão, procurei um psiquiatra (ótimo por sinal). Na
minha primeira consulta em março de 2005 ele me receitou um antidepressivo de
última geração.
Eu me dei muito bem com esse medicamento. O
conselho que dou para as pessoas que tomam antidepressivos é não pararem de
forma abrupta; sigam sempre a
orientação médica, pois depressão é uma doença grave, porém, cabe
a cada um ter o devido comprometimento com a doença para que ela se estabilize
e não evolua.
Meu tratamento foi de vento em polpa, tanto que meu
medico fez o ciclo de retirada do medicamento. Fiquei três meses sem tomar
nada.
Em dezembro de 2008 surgiu um grande imprevisto na
minha vida: eu estava em uma sala de aula de um cursinho preparatório para
policia militar, quando de repente, fiquei confuso, sentimento de nervosismo e
angústia, sensação de morte eminente, loucura e formigamento nos braços. Achei que iria ferir os amigos da sala de
aula. Peguei meu material de estudo e saí às pressas para fora da sala e desci
correndo as escadas. Eu estava perto de um bar quando, sem saber o que estava
acontecendo, resolvi comprar bebidas alcoólicas. Pensei comigo: - isso poderia
piorar a minha situação. Como vou chegar vivo em casa? Sem contar que era clima
de festa de natal e o comércio estava aberto.
Eram 10 horas da noite. As ruas movimentadas e eu
com essa sensação assustadora e arrasadora me consumindo. A única coisa que me
restava era tentar pedir ajuda, mas a multidão na rua piorava minha situação.
Senti vontade de sair correndo sem saber pra aonde ir, sem saber se eu
agüentaria a situação que era tão difícil. Até eu compreender tudo aquilo eu
fui andando e caminhando em direção ao terminal rodoviário na qual tinha vários
policiais. Eu ia pedir ajuda, porém, com o sentimento de “loucura” e “medo”. Eu
pensava comigo: - se eu começar a chorar aqui e me desesperar... Minha vontade
era de gritar por socorro, mas ao mesmo tempo eu ficava com medo deles
desconfiarem de algo, ou eu tentar pegar a pistola deles e atirar pra cima...
Tudo isso me sufocou completamente. Foi horrível
até eu conseguir ligar para minha tia chorando e ouvir alguns conselhos, porém,
sem saber o que fazer, nem para onde ir, pois o desespero era tremendo...
Pois bem, cheguei ao ponto de ônibus e comprei uma garrafa de um litro de água
mineral, era única coisa a fazer até me controlar. Resolvi esperar meu ônibus.
Nisso, a minha tia me liga e me pergunta se eu não queria que me prima fosse me
buscar. Mas a crise começa a se intensifica e eu pensava comigo: - será que não
é melhor eu ir a pé para casa, ou ir de ônibus? Mas se
eu me atirar pela janela? A agonia não passava, até que meu ônibus chegou e eu
entrei dentro dele lotado. A única coisa que me restou foi cronometrar
meu celular para distrair a minha atenção até chegar “vivo”
Hoje, em abril de 2009, voltei a tomar o antidepressivo
de última geração. Às vezes tomo um ansiolítico. Vou procurar um tratamento fitoterápico para que eu mantenha somente o
antidepressivo de última geração em vez de usar um tarja preta. Prefiro usar
algo que traga menos efeitos colaterais. Não que eu tenha preconceito com os
medicamentos de tarja preta, porque sem eles fica quase impossível curar-se do
problema. Prefiro algo que seja mais “light”.
Deixo aqui o meu depoimento e um conselho para
todas as pessoas que tenham essa patologia: - jamais tenham medo dos
medicamentos, sejam eles quais forem. Se você tem a Síndrome do Pânico e seu
psiquiatra os recomendou, se comprometa a ter seriedade com a sua doença e com
seu tratamento. Ouça e respeite seu psiquiatra, pois ele, depois de DEUS, é seu
SEGUNDO e grande aliado nessa batalha contra esse tipo de patologia, que hoje
em dia se encontra cada vez mais freqüente na vida agitada e conturbada da
nossa sociedade. E saibam que tudo isso não é nossa culpa, mas sim das reações
estressantes causadas em nossas vidas no dia a dia. O mais importante é se
tratar com seriedade e ser feliz.
Grande abraço, amigo Fernando! Sem duvida alguma, você é uma das maiores
referências nesse tipo de problema.
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44
- 07/10 - Terapeuta ocupacional - 51 anos - trabalho
em saúde mental há 25 anos. Quando tinha 16
anos tive minha primeira crise. Achava que era um problema espiritual e que era
médium. Meu corpo tremia, meu coração disparava, minha consciência parecia
querer apagar e sentia medo intenso, mas ainda não achava que iria morrer.
Aos
23 anos viajando com amigos para Monte Verde tive a segunda crise. Achava ainda
que era problema espiritual e uma amiga simpática ao
espiritismo me aplicava passes. Lembro-me de alguns episódios que me sentia
estranha e sentia “medos”, mas um episódio importante foi aos 25 anos quando
sofri um assalto e depois disso desenvolvi sintomas de muito medo. A maior
parte à noite. Tive crises horríveis quase delirantes achando que iria ser
assaltada em situações mais inusitadas possíveis.
Uma
vez, jantando na casa de amigos recém casados, ouvi um barulho no hall de
entrada do apartamento e engasguei de medo. Corri para o banheiro e lá
permaneci por bastante tempo tremendo de pavor.
Outra vez, numa rotisserie, escolhia um doce na vitrine, e pelos frisos
de espelho percebi um homem atrás de mim. Desmaiei de susto e fui socorrida por
funcionários.
Mudei
de casa para um apartamento e quando chegava em casa à
noite, acompanhada por amigos eu sentia medo de olhar para a sacada de meu andar,
pois achava que veria sangue, que algo de muito ruim havia acontecido. Mas pude
ter realmente o diagnóstico de síndrome do pânico foi há 11 anos quando
comemorava a formatura da filha de uma grande amiga de faculdade que há muito
tempo não a via. Estávamos num restaurante
Sou
uma pessoa muito cuidadosa com os outros. Coordeno uma equipe de saúde mental
que trata de pacientes psicóticos. Tenho uma família que amo muito, mas muito
complicada. Um irmão com TP, uma mãe e pai idosos e outro irmão que “queimou
todo o patrimônio da família”. Então tenho que arcar com muitas
responsabilidades. Mas tenho uma irmã e um marido MARAVILHOSOS,
a quem sou eternamente grata. Posso contar com eles em minhas crises.
Tive
ontem a pior crise de todas as outras, talvez por ter entrado na menopausa e ter os sintomas potencializados. Depois de um período de
muito stress no trabalho e com problemas familiares que já estão sob controle,
fui dormir muito cansada e tive dificuldade
Ultimamente
tive crises esporádicas com esses sintomas: taquicardia, tremores, medo intenso
de morrer, espasmos e frio no estômago. Tenho prolapso da válvula mitral e sei
que este pode ser um dos fatores entre outros. Minha história de vida, no que
diz respeito a minha relação com meu pai também me causa sofrimento. Lembro-me
de situações de muito medo e raiva dele. Outras de extremo amor e carinho.
Outras de humilhações, desprezo e traição.
Ufa!!!!
Acho que essa retrospectiva me ajudou a elaborar um tanto! Inspirei-me quando
li outros depoimentos e saquei algo importante: A história de vida é única de
cada portador de TP, mas o sofrimento compartilhado é o grande achado para
acreditarmos que não estamos sozinhos, não precisamos morrer disso e que EXISTE
TRATAMENTO! Também acho que cada um encontra o melhor caminho a partir das
escolhas que fazem, pois é necessário encontrar um jeito prazeroso de se cuidar
para além da necessidade de encontrar seu melhor antidepressivo.
Eu
faço caminhadas, pilates e amo lojas de objetos de decoração, aromas, flores, chocolates......
Agradeço
a você, Fernando, pela iniciativa de agregar tanta gente neste site e oferecer
oportunidade de esclarecimentos, compartilhamentos e ESPERANÇA!
Acho
muito nobre de sua parte a publicação de seu trabalho e o investimento neste
site que oferece oportunidades de esclarecimentos e compartilhamentos tão
necessários aos que sofrem de TP.
Parabéns, acho que hoje conseguirei dormir melhor!
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45-
12/10 - Selma Peçanha - Professora Universitária - 50 anos - E-mail: selma_aluada@hotmail.com .
Sou
portadora da Síndrome do Pânico há 15 anos, 10 sem diagnóstico e 5
Em primeiro lugar gostaria de agradecer a
contribuição que os e-mails do GruPan têm dado para o
controle do transtorno que desenvolvi e justamente por isso gostaria de
contribuir.
Durante este tempo de doença, tomo remédios regularmente e durante 4 anos fiz terapia cognitiva comportamental. Ela me tirou de
casa, me ajudou na reintegração ao trabalho, mas não conseguiu me ajudar a
voltar à vida social normal que eu tinha.
Percebi
que estacionei no último ano, dos 4 de terapia na
superação da fobia social, mas a insegurança causada pelo MEDO DE
PASSAR MAL eu não conseguia vencer. Conversei com meu médico
(especialista em distúrbios mentais) e foi quando ele me disse que eu tinha uma
doença crônica que podia ser controlada, mas como não tinha cura, eu certamente
teria que me conformar com algumas limitações. Bem, não me conformei, e é por
isso que estou lhes escrevendo.
Comecei a fazer PNL, programação neuro-linguística há
seis meses. Hoje, estou saindo, viajando de ônibus, dirigindo, ou de
avião, quando quero e para onde quero. Claro que ainda tomo precauções quando
saio com meu filho. Prefiro estar acompanhada para segurança dele, mas quando
sozinha, estou livre!
Avaliem estas
informações e divulguem o que acharem pertinente. Espero ter contribuído.
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46 – 09/11
– Professora com doutorado – 33 anos - E-mail: jacklinezoo@gmail.com . Meu nome é Jacqueline Sa Bahia. Resolvi escrever para o site após ler o livro do
Fernando Mineiro. Gostaria inicialmente de parabenizá-lo pela iniciativa de
dividir um pouco da sua angústia de tantos anos, em prol da ajuda de muitos.
Em
contrapartida, lendo os depoimentos finais do livro, me identifiquei com o
último depoimento da administradora de empresa de 31 anos. Isso porque fui
diagnosticada logo após a primeira crise que durou em torno de duas semanas.
Faço tratamento há 1 ano e meio com psiquiatra e
psicólogo.
A 1ª crise
ocorreu após uma gripe muito forte que me fez parar no hospital. Fui
diagnosticada com princípio de pneumonia. Como todos citaram em seus
depoimentos, eu também passei por neuros e
cardiologistas. Como Fernando Mineiro, sempre fui
muito curiosa e achava que tinha de fato alguma coisa.
Após 4 dias internada, recebi alta. Uma semana depois eu estava
lá novamente internada, com uma horrível falta de ar que nunca passava. De
repente, veio uma taquicardia seguida por um esquentar das mãos e pés,
calafrios e um tremendo medo de morrer e nunca mais ver meu filho.
Desesperei-me e chamei o médico. Pedi para ir para casa ver meu filho. Ele
permitiu que eu saísse do hospital achando que era um ataque de saudade apenas.
Ao chegar em casa, à noite não conseguia dormir no meu quarto, ficava
no quarto do meu filho desesperada a noite toda e acordava achando que iria
morrer. Foi então que resolvi ligar para uma tia muito próxima e ela como é
psicóloga, então tudo ficou mais fácil. Contei a ela tudo que estava
acontecendo com a esperança que ela pudesse me entender, já que meu marido não
sabia ao certo o que eu tinha e já não sabia mais o que fazer para ajudar-me.
Conversamos pelo telefone cerca de 1 hora e meia. Eu estava mais calma e ela me
disse que eu poderia estar com transtorno do pânico. Sugeriu que eu procurasse
um psiquiatra e tratamento psicológico, já que seria antiético ela como tia tratar-me.
No dia
seguinte procurei o psiquiatra. Ele fechou o diagnóstico de Transtorno do
Pânico e receitou-me ansiolítico e antidepressivo. Comecei o tratamento
psicológico e hoje já estou na fase chamada de "processo de
cura", tomo apenas 1 antidepressivo pela manhã.
Mês que vem começo o processo chamado de "desmame" pelos médicos, que
é retirada gradativa da medicação.
Resolvi
escrever para ajudar as pessoas que ainda não conseguem se livrar desse
transtorno e por achar que algumas observações, no meu ponto de vista, devem
ser feitas a respeito desse transtorno. Primeiro, não
acredito que ele não tenha cura. É justamente por pensar assim desde o início
do tratamento que me faz melhorar cada dia mais. Em segundo lugar, como cheguei
a ter crises horríveis, hoje vivo sem as crises
enfrentando situações que antes eram complicadas. Não posso chamar isso de
cura? Esse é meu ponto de vista; um processo da cura. O fato de conviver,
seja com sintomas isolados, ou sem crises, comprova isso. Afinal, quem me
garante que são sintomas isolados de uma crise, ou apenas um estado de
ansiedade momentânea mais elevada? Várias pessoas que não possuem esse transtorno,
também passam por esses sintomas, mas
raramente relatam algo parecido, achando que é normal ou apenas com receio de
admitir suas fraquezas! Já que relatar algo parecido na nossa sociedade é
sinônimo de fraqueza. Nascemos apenas para ser rocha, nunca para aceitarmos e
respeitarmos os nossos momentos que eu chamaria de sensibilidade! Somos seres
humanos, não somos máquinas, embora a mídia e o mercado de trabalho insistam e
pregar esse tipo de comportamento.
Em relação
às doenças orgânicas, quando você se cura de uma gripe, quer dizer que nunca
mais você terá gripe novamente? Não! Nem por isso sou considerada um portador
eterno do vírus da gripe!
Outro ponto
que chamo a atenção é em relação à medicação. Acho-a mais do que necessária, uma das ferramentas de cura sim! Eu nunca me
achei e não sou dependente química, necessitei apenas de substâncias sintéticas
que naquele determinado momento meu corpo não era capaz de produzir! Hoje já
faço exercícios físicos, exercícios de relaxamento. Leio muito sobre a doença e
medicamentos. Converso bastante com meu médico. As consultas viraram agora
momentos de descontrações! Procuro ajudar as pessoas que percebo que tenham
alguns sintomas e tenham dificuldade de se aceitar como um portador! Enfim já
me sinto segura e capaz de começar a deixar o remédio, que no meu ponto de
vista, sempre foi algo temporário na minha vida. Portanto, finalizo
dizendo que meu processo de cura é apenas uma questão de tempo! Levo a minha
vida com muita felicidade. Amo minha família, minha profissão e meus amigos. Desejo paz a todos que, assim como eu, buscam
a CURA!
Gostaria de receber depoimentos de outras pessoas que portadoras do TP.
PRECONCEITO
NÃO TENHA PRECONCEITO AOS PORTADORES DO TRANSTORNO DO PÂNICO, VOCÊ TAMBÉM CORRE O
MESMO RISCO DE SENTI-LO UM DIA.
Qualquer pessoa está sujeita a desenvolver o Transtorno do Pânico,
basta que tenha uma predisposição genética a esse distúrbio e que esteja sob
pressão de agentes estressantes. Considerando que nos dias de hoje a violência,
o desemprego, a corrupção e a falta de perspectiva de dias melhores, já tomaram conta dos
noticiários, fica difícil não se sentir estressado ou tenso. Por outro lado, ninguém sabe se tem ou
não essa predisposição genética, o que torna toda pessoa passível
O PORTADOR DO TRANSTORNO DO PÂNICO É
PACÍFICO,
INTELIGENTE, PRODUTIVO E CONFIÁVEL.
INVISTA NELE!
Direito autoral
Textos
de minha autoria que estão sendo divulgados em vários sites na Net , ou enviados como Power Point, como “Autor
Desconhecido”, ou com autoria indevida. Esses textos estão protegidos pelo
Direito Autoral e devidamente registrados na Biblioteca Nacional. Ao recebê-lo
sem os devidos créditos, por favor, comunique a fonte sobre essa informação.
Abaixo um desses textos.
O SEGREDO DA
VIDA
Por: Fernando Mineiro – fmineiro@yahoo.com.br
Todos os dias, quando você acorda e abre os olhos pela manhã,
você ganha o maior de todos os prêmios já oferecido ao ser humano, você
novamente inicia um novo dia. Muitos não têm mais essa oportunidade. Vamos
viver esse dia que se inicia com toda intensidade e otimismo.
Vamos iniciá-lo sorrindo.
Mire-se no espelho e dê um belo " BOM
DIA! " à pessoa mais importante desse universo, você! Se você não se
amar, não será capaz de amar ninguém. Se você não se ajudar, não poderá ajudar
ninguém. Uma pessoa com auto-estima baixa em que poderá contribuir? Dois sacos
vazios não param
Repare! Você está vivo, venceu mais um dia! É isso que importa, iniciar mais um novo dia. Faça desse dia o seu
melhor dia, só dependerá de você. O sorriso contagia e não lhe custa nada.
Sorria para seus filhos, para sua esposa ou esposo, para seus pais e para todos
aqueles que convivem com você. Se você franzir a testa, você contrairá 60
músculos, mas para sorrir, apenas 16. Ao menos por economia, sorria sempre!
Pronto! Você começou o dia com otimismo, sua mente está
aberta para tirar desse dia tudo que ele possa lhe oferecer de bom. Procure
somente o positivo em tudo que você fizer, esqueça do negativo. O positivo
sempre estará em todas as suas ações, basta você querer encontrá-lo.
Liste suas tarefas de hoje, somente as de hoje, esqueça as de ontem, elas
já são passado. Deixe de lado as do amanhã até que elas se tornem hoje.
O dia tem vinte e quatro horas. Divida-o em três partes:
oito horas para o sono, oito horas para o trabalho e oito horas para o seu relax e de sua família. Tenha tempo para os seus filhos
antes que você necessite do tempo deles. Tenha tempo para sua esposa ou
esposo, para que desfrutem da vida enquanto vida tiverem,
mas não se esqueça de reservar um tempinho para suas orações.
Esse é o segredo da vida, não o guarde com sete chaves,
passe-o para todos seus amigos, pois só assim difundiremos pelos
quatro cantos que a vida é bela e merece ser vivida.
Que você tenha um excelente dia!
Copyright ©
2001- Fernando Mineiro – fmineiro@yahoo.com.br
. Proibido a reprodução total ou parcial deste texto
sem a permissão expressa do autor.
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Fernando Mineiro